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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218424
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sold ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Quando apostar vira um problema

 

Em 2023, cerca de 28 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais (ou 17,6% da população nesta faixa de idade) diziam ter apostado no ano anterior, segundo estudo publicado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em abril deste ano.

 

Entre os apostadores, 10,9 milhões apresentavam características de jogo de risco ou problemático — número equivalente a 38,6% do total de apostadores e 7,3% da população em geral. Dentro desse grupo dos apostadores problemáticos, 1,4 milhão de brasileiros apresentava um padrão de apostas compatível com o diagnóstico de transtorno do jogo, enfermidade caracterizada pelo desejo incontrolável de apostar mesmo diante de prejuízos — contingente equivalente a 5% dos jogadores e 0,8% da população total acima de 14 anos.

 

“Há mais de 30 anos, a ciência entendeu que o cérebro não fica só dependente de substâncias químicas, mas também de comportamentos muito ativadores das áreas que processam prazer no cérebro”, diz Rodrigo Machado, psiquiatra do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (FMUSP).

 

Mas houve uma mudança no perfil dos jogos de azar que levou à explosão dos casos de dependência no Brasil, especialmente desde 2018. “Com a tecnologia e a extrema difusão dos cassinos online, passamos a ter cassinos no bolso 24 horas. Qualquer pessoa consegue acessar as plataformas de apostas, bets esportivas etc., quando antes você precisava se deslocar fisicamente até um determinado lugar”, afirma o especialista em jogo compulsivo.

 

Outra mudança, diz ele, foi na própria dinâmica do jogo de azar através das plataformas digitais. Por exemplo, apostas em jogos de futebol sempre existiram, mas antes só se apostava no resultado final. Já nas plataformas de apostas, é possível fazer as chamadas “apostas in-play”, enquanto o jogo está acontecendo. “Quando você promove um ciclo ultrarrápido de apostas, você encurta a distância entre o ato de apostar e o resultado final, fazendo com que as pessoas entrem num loop de compulsividade e, consequentemente, de hiperestimulação dos centros que processam o prazer no cérebro”, afirma Machado.

 

(Thais Carrança. Disponivel em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/ckgzk0g8317o. Acesso em: 01/10/2025. Adaptado)

De acordo com os dados apresentados no texto, é correto afirmar que

  1. Ao número de apostadores com transtorno do jogo representa 38,6% dos que apostaram.
  2. Ba maioria dos que apostaram em 2022 foi diagnosticada com algum tipo de dependência.
  3. Cos comportamentos de jogo de risco já atingem mais de 5% da população em geral.
  4. Dmenos de 10% da população brasileira acima de 14 anos realizou algum tipo de aposta em 2022.
  5. Eentre os apostadores, menos de um terço apresentou comportamento de risco ou problemático.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — os comportamentos de jogo de risco já atingem mais de 5% da população em geral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de dados numéricos no texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelos dados do texto: o trecho afirma que os apostadores com jogo de risco ou problemático somam 10,9 milhões, o que equivale a 7,3% da população em geral — ou seja, mais de 5% da população. As demais alternativas ou trocam os percentuais de lugar (A, B, E) ou citam um ano que o texto não menciona (D). A resposta está ancorada no 2º parágrafo, como se vê abaixo.

"Entre os apostadores, 10,9 milhões apresentavam características de jogo de risco ou problemático — número equivalente a 38,6% do total de apostadores e 7,3% da população em geral."

O comando pede uma compreensão/recorrência: "de acordo com os dados apresentados no texto, é correto afirmar que". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita — nada de deduzir, completar ou trocar números. A técnica é localizar no texto o dado exato e conferir se a alternativa o reproduz sem alterar o alcance.

O texto apresenta uma hierarquia de dados que precisa ser lida com atenção: primeiro, 28 milhões de brasileiros apostaram (17,6% da população); desse grupo, 10,9 milhões têm jogo de risco/problemático (38,6% dos apostadores e 7,3% da população geral); e, dentro desses 10,9 milhões, 1,4 milhão tem transtorno do jogo (5% dos jogadores e 0,8% da população). A pegadinha central da questão é trocar os percentuais de lugar — atribuir a um grupo o número que pertence a outro.

A alternativa C afirma que "os comportamentos de jogo de risco já atingem mais de 5% da população em geral". O texto diz que os 10,9 milhões de apostadores com jogo de risco/problemático equivalem a 7,3% da população em geral. Como 7,3% > 5%, a afirmação está correta. Repare que a alternativa não diz "5% dos apostadores" (o que seria o percentual do transtorno do jogo) — ela fala de "população em geral", exatamente o universo ao qual o texto atribui 7,3%.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"1,4 milhão de brasileiros apresentava um padrão de apostas compatível com o diagnóstico de transtorno do jogo... contingente equivalente a 5% dos jogadores e 0,8% da população total acima de 14 anos."

A alternativa diz que o número de apostadores com transtorno do jogo representa 38,6% dos que apostaram. O texto, porém, atribui os 38,6% aos apostadores com jogo de risco ou problemático (10,9 milhões), não aos que têm transtorno do jogo (1,4 milhão, que são 5% dos jogadores). Erro: troca de percentual entre grupos distintos — a banca deslocou o número de um grupo para outro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"10,9 milhões apresentavam características de jogo de risco ou problemático — número equivalente a 38,6% do total de apostadores e 7,3% da população em geral."

A alternativa afirma que "a maioria" dos apostadores foi diagnosticada com dependência. O texto diz que apenas 38,6% dos apostadores têm jogo de risco/problemático — ou seja, menos da metade, não a maioria. Além disso, o texto fala em "jogo de risco ou problemático", não em "dependência" (que seria o transtorno do jogo, ainda menor: 5%). Erro: contradiz o texto (inverte a proporção) e ainda restringe o conceito ao trocar "jogo de risco/problemático" por "dependência".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"10,9 milhões apresentavam características de jogo de risco ou problemático — número equivalente a 38,6% do total de apostadores e 7,3% da população em geral."

A alternativa afirma que os comportamentos de jogo de risco atingem mais de 5% da população em geral. O texto atribui a esses comportamentos 7,3% da população em geral, e 7,3% é maior que 5%. A afirmação é uma paráfrase fiel do dado, sem acrescentar nem restringir nada. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Em 2023, cerca de 28 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais (ou 17,6% da população nesta faixa de idade) diziam ter apostado no ano anterior."

A alternativa afirma que "menos de 10% da população brasileira acima de 14 anos realizou algum tipo de aposta em 2022". O texto diz que 17,6% da população apostou — mais de 10%, não menos. Além disso, o texto fala em 2023 (ano da pesquisa), não em 2022. Erro: contradiz o texto (inverte o percentual) e extrapola ao citar um ano que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Entre os apostadores, 10,9 milhões apresentavam características de jogo de risco ou problemático — número equivalente a 38,6% do total de apostadores."

A alternativa afirma que "menos de um terço" dos apostadores apresentou comportamento de risco. O texto diz que esse grupo representa 38,6% dos apostadores — e 38,6% é mais de um terço (33,3%). Erro: contradiz o texto (inverte a proporção).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os percentuais de lugar (38,6% é dos apostadores com jogo de risco, não dos que têm transtorno; 5% é dos que têm transtorno, não da população geral) e ainda inverte a comparação ("maioria" quando o texto diz 38,6%; "menos de um terço" quando diz 38,6%).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de dados numéricos, sublinhe no texto a que grupo cada percentual se refere (apostadores × população geral × transtorno do jogo). A alternativa correta é a que repete exatamente o mesmo par grupo-número do texto.

Gabarito: letra C. A regra de ouro: a resposta de compreensão é uma paráfrase fiel — confira sempre se o número, o grupo e o ano batem com o texto, sem trocas nem acréscimos.

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