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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218511
Banca
VUNESP
Órgão
CREF 4
Ano
2025
Cargo
Ag Fisc ( )

Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?

 

O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

 

Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

 

Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

 

A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

 

Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

 

Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.

 

(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:

   

Com base na leitura do texto, é correto afirmar que o autor procura

  1. Areafirmar, sob perspectiva técnica e histórica, a solidez das teorias econômicas que vinculam inovação e crescimento, argumentando que tais fundamentos permanecem inquestionáveis como eixo do desenvolvimento.
  2. Bsublinhar que, embora a inovação continue sendo um vetor essencial de progresso, o contexto contemporâneo exige uma revisão conceitual sobre o modo como associamos avanço tecnológico e prosperidade.
  3. Cdemonstrar que as concepções econômicas premiadas pelo Nobel perderam completamente a relevância prática e teórica, devendo ser substituídas por paradigmas de desaceleração e contenção do crescimento.
  4. Dargumentar que a crise ambiental decorre da má aplicação das teorias econômicas tradicionais, defendendo, portanto, o retorno ao modelo de crescimento ilimitado sustentado por inovações tecnológicas de alta eficiência.
  5. Esustentar que a inovação, apesar de gerar contradições, constitui o único instrumento capaz de garantir a sustentabilidade ambiental e a prosperidade econômica, desde que direcionada a setores produtivos estratégicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sublinhar que, embora a inovação continue sendo um vetor essencial de progresso, o contexto contemporâneo exige uma revisão conceitual sobre o modo como associamos avanço tecnológico e prosperidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O Nobel de Economia e os limites do planeta: a tese da revisão conceitual

Gabarito: letra B. O autor não rejeita a inovação nem a considera solução mágica; ele defende que, embora a inovação continue essencial, o contexto contemporâneo (limites ecológicos) exige revisar o modo como associamos avanço tecnológico e prosperidade. Isso está explícito no 5º parágrafo: "Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta." A alternativa B é a paráfrase fiel dessa tese.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede "é correto afirmar que o autor procura" — ou seja, compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase do que está escrito, sem deduções nem acréscimos. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de localizar a tese do texto e reconhecê-la reescrita. Por isso, qualquer alternativa que acrescente informação de fora (extrapolação) ou que contradiga o texto deve ser eliminada.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo). O tema é a relação entre inovação, crescimento econômico e limites do planeta. O autor parte do Nobel de Economia de 2025, que premiou estudos sobre inovação como motor do progresso, e questiona se essa confiança ainda se sustenta. A tese central aparece no 5º parágrafo: não abandonar a inovação, mas reposicioná-la como instrumento de prosperidade dentro dos limites do planeta. O autor reconhece o valor das teorias laureadas ("Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna"), mas argumenta que o contexto mudou ("A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos"). Ele também mostra a ambiguidade da inovação ("toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões") e propõe "trocar o combustível" ("substituir a lógica da extração pela da regeneração").

A técnica que decide: paráfrase fiel × extrapolação

A alternativa correta é a que reescreve a tese sem alterar seu alcance. A letra B diz: "sublinhar que, embora a inovação continue sendo um vetor essencial de progresso, o contexto contemporâneo exige uma revisão conceitual sobre o modo como associamos avanço tecnológico e prosperidade". Isso corresponde exatamente ao texto: o autor afirma que a inovação "nunca foi tão necessária" (2º parágrafo) e que é preciso "revisar o que entendemos por sucesso econômico" (5º parágrafo). As demais alternativas extrapolam ou contradizem o texto:

  • A afirma que os fundamentos permanecem "inquestionáveis" — o texto os questiona explicitamente ("Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta").

  • C diz que as teorias "perderam completamente a relevância" — o autor as elogia e não propõe desaceleração, mas "trocar o combustível".

  • D defende o "retorno ao modelo de crescimento ilimitado" — o texto critica exatamente isso ("a promessa de crescimento ilimitado").

  • E afirma que a inovação é o "único instrumento" — o texto diz que ela "sozinha, não garante sustentabilidade".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz que o autor procura "reafirmar, sob perspectiva técnica e histórica, a solidez das teorias econômicas que vinculam inovação e crescimento, argumentando que tais fundamentos permanecem inquestionáveis como eixo do desenvolvimento". Isso contradiz o texto: o autor não reafirma a solidez como algo inquestionável; ele a questiona. No 2º parágrafo: "Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje." A palavra "inquestionáveis" é a chave: o texto inteiro é um questionamento. Erro: contradiz o texto (troca o verbo "indagar" por "reafirmar").

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a paráfrase fiel da tese. O texto afirma que a inovação "nunca foi tão necessária" (2º parágrafo) e que é preciso "reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta" (5º parágrafo). A expressão "revisão conceitual" corresponde a "revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação" (5º parágrafo). A alternativa capta a relação de causa e consequência: o contexto contemporâneo (causa) exige a revisão (consequência). Correta: sustentada pelo texto, sem acréscimos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o autor procura "demonstrar que as concepções econômicas premiadas pelo Nobel perderam completamente a relevância prática e teórica, devendo ser substituídas por paradigmas de desaceleração e contenção do crescimento". Isso contradiz o texto em dois pontos: (1) o autor elogia as teorias ("Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna") e não diz que perderam relevância; (2) ele não propõe desaceleração, mas "trocar o combustível" (6º parágrafo). A palavra "completamente" é um absoluto que restringe indevidamente. Erro: contradiz o texto + generalização indevida (transforma uma crítica pontual em rejeição total).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o autor procura "argumentar que a crise ambiental decorre da má aplicação das teorias econômicas tradicionais, defendendo, portanto, o retorno ao modelo de crescimento ilimitado sustentado por inovações tecnológicas de alta eficiência". Isso contradiz o texto frontalmente: o autor critica a "promessa de crescimento ilimitado" (6º parágrafo) e não atribui a crise à má aplicação das teorias, mas ao contexto de limites ecológicos. A ideia de "retorno ao modelo de crescimento ilimitado" é o oposto do que o texto defende. Erro: contradiz o texto (inverte a tese).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o autor procura "sustentar que a inovação, apesar de gerar contradições, constitui o único instrumento capaz de garantir a sustentabilidade ambiental e a prosperidade econômica, desde que direcionada a setores produtivos estratégicos". Isso extrapola o texto: o autor diz que a inovação "sozinha, não garante sustentabilidade" (4º parágrafo) e propõe reposicioná-la, não a trata como "único instrumento". A palavra "único" é um absoluto que restringe indevidamente. Erro: extrapolação + generalização indevida (transforma uma condição necessária em condição suficiente).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro (a inovação é importante) e depois radicalizá-lo ("único instrumento", "inquestionáveis", "perderam completamente"). Desconfie de palavras absolutas como "único", "completamente", "sempre", "nunca" — confronte-as com o alcance real do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A correta é a única que não precisa de acréscimo.

Gabarito: letra B.

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