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Questão de Português — Crase — VUNESP 2025

PortuguêsCrase
Código
vu218514
Banca
VUNESP
Órgão
CREF 4
Ano
2025
Cargo
Ag Fisc ( )

Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?

 

O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

 

Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

 

Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

 

A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

 

Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

 

Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.

 

(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:     Assinale a alternativa em que a frase do texto foi reescrita em conformidade com a norma-padrão de regência e de emprego do acento indicativo de crase.
  1. A... os economistas que explicaram, à partir de um refinamento teórico e de dados sofisticados, como o avanço tecnológico... (1º parágrafo)
  2. B... o prêmio parece dar forças à uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá. (1º parágrafo)
  3. CA economia global de 2025 desenvolve-se à sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas... (2º parágrafo)
  4. DDiante disso, quem sou eu para preterir às ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. (3º parágrafo)
  5. EAs biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder no que se refere à sementes... (4º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A economia global de 2025 desenvolve-se à sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas... (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e regência: a reescrita que respeita a norma-padrão

Gabarito: letra C. A única reescrita plenamente correta é a que emprega a locução adverbial feminina "à sombra" — crase obrigatória por se tratar de locução feminina, como se lê no 2º parágrafo: "A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos". As demais alternativas erram por usar crase diante de palavra masculina (A), diante de artigo indefinido (B), por regência verbal inadequada (D) ou por crase diante de palavra no plural sem artigo (E).

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa em que a frase do texto foi reescrita "em conformidade com a norma-padrão de regência e de emprego do acento indicativo de crase". Isso significa que a banca não quer apenas uma frase gramaticalmente correta: quer uma reescrita que preserve o sentido original e que esteja de acordo com as regras de regência (verbal e nominal) e de crase. É uma questão de reescritura com correção gramatical, não de interpretação de texto — o foco está na norma culta, não no conteúdo.

A regra que decide: crase é fusão de preposição + artigo

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos e relativos). Para saber se há crase, é preciso verificar duas condições simultâneas:

  1. O termo regente exige a preposição "a";

  2. O termo regido admite o artigo feminino "a" (ou é palavra feminina que aceita o artigo).

Se uma das condições falhar, não há crase. Por exemplo, em "Vou à igreja", o verbo "ir" exige a preposição "a" (ir a algum lugar) e "igreja" admite o artigo "a" (a igreja) — logo, há crase. Já em "Vou a pé", "pé" é masculino e não admite artigo feminino, então não há crase.

A pegadinha da banca: crase em locuções femininas

A alternativa C usa a locução adverbial "à sombra", que é uma locução feminina — assim como "à toa", "à deriva", "à noite", "às vezes". Nessas locuções, a crase é obrigatória, pois há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronome demonstrativo). No texto, a expressão original é "vive sob a sombra", mas a reescrita "desenvolve-se à sombra" mantém o sentido e emprega corretamente a crase, pois "sombra" é feminino e admite o artigo.

Análise das alternativas

Crase
  • 1Condições (simultâneas)
    • Termo regente exige preposição "a"
    • Termo regido admite artigo "a"
  • 2Casos de crase obrigatória
    • Locuções femininas (à sombra, à noite)
    • Palavra feminina com artigo
  • 3Casos proibidos
    • Diante de verbo (a partir)
    • Diante de artigo indefinido (a uma)
    • Diante de palavra masculina
    • Plural sem artigo (a sementes)
  • 4Regência verbal
    • Exige preposição "a" (assistir, visar)
    • Não exige (preterir é VTD)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita "à partir de" está errada porque "a partir de" é uma locução prepositiva que não admite crase: "partir" é verbo, e a crase é proibida diante de verbos. O correto é "a partir de", sem acento grave. A banca tenta confundir com a regra de locuções femininas, mas aqui não há artigo feminino — há um verbo no infinitivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita "dar forças à uma convicção" está errada porque "uma" é artigo indefinido, e a crase é proibida diante de artigo indefinido. O correto seria "dar forças a uma convicção", sem crase. A banca explora a confusão entre o artigo definido "a" (que admite crase) e o indefinido "uma" (que não admite).

Alternativa C — ✅ Correta

A reescrita "desenvolve-se à sombra" está correta porque "à sombra" é uma locução adverbial feminina, com crase obrigatória. No texto, a expressão original é "vive sob a sombra", mas a reescrita mantém o sentido e emprega corretamente a crase, pois "sombra" é feminino e admite o artigo. É a única alternativa que respeita a norma-padrão de regência e crase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A reescrita "preterir às ideias" está errada porque o verbo "preterir" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto é "preterir as ideias", sem crase. A banca tenta confundir com verbos que exigem a preposição "a" (como "assistir", "visar"), mas "preterir" não se enquadra nesse grupo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita "no que se refere à sementes" está errada porque "sementes" está no plural e não admite o artigo definido "a" (seria "as sementes"). O correto é "no que se refere a sementes", sem crase, pois não há artigo definido. A banca explora a confusão entre o singular (que admite crase) e o plural (que não admite, a menos que haja artigo definido).

Conclusão

A alternativa C é a única que respeita a norma-padrão de regência e crase, pois emprega corretamente a locução adverbial feminina "à sombra". As demais alternativas erram por usar crase diante de palavra masculina, artigo indefinido, verbo ou palavra no plural sem artigo, ou por regência verbal inadequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura crase e regência em reescritas que parecem corretas, mas escondem erros como crase diante de palavra masculina, artigo indefinido ou palavra no plural sem artigo, além de regência verbal inadequada.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, verifique sempre se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a". Se o termo regido não admitir o artigo, não há crase. E cuidado com verbos que não exigem preposição, como "preterir".

Gabarito: letra C

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