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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu218518
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
ContJ ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

Choque de realidade na Polônia

 

A madrugada de 10 de setembro passado foi um divisor de águas: 19 drones russos penetraram o espaço aéreo da Polônia, membro da Otan, obrigando caças poloneses e holandeses a abatê-los. Foi a primeira vez desde 1949 que aeronaves da aliança confrontaram armamentos russos em território aliado. O premiê polonês, Donald Tusk, alertou: “Foi o momento mais próximo de um conflito aberto desde a 2a Guerra Mundial”. O gesto deixou claro o que está em jogo: a credibilidade da defesa coletiva no coração da ordem euro-atlântica.

 

Moscou acusou Varsóvia de disseminar “mitos”. Mas a escala, a origem e o momento – às vésperas do exercício Zapad, na Bielorrússia, que tradicionalmente ensaia cenários de guerra contra a Otan – não deixam dúvidas: foi uma operação de sondagem. Vladimir Putin buscou testar tempo de resposta, interoperabilidade e nervos políticos da aliança, a fim de expor velhas fissuras e, sobretudo, abrir novas. A estratégia é antiga, mas eficaz: avançar por meio de provocações ambíguas, negar responsabilidade e colher inteligência e dividendos psicológicos.

 

A resposta não pode ser tímida nem só verbal. É preciso combinar três dimensões. Primeiro, defesa ativa: interceptar sistematicamente qualquer incursão, reforçar o policiamento aéreo e deslocar barreiras antiaéreas para o leste. Segundo, apoio ampliado à Ucrânia: negar à Rússia os “santuários” de onde partem ataques implica fornecer a Kiev arsenais de longo alcance, inteligência e meios industriais para atingir fábricas de drones e mísseis no território russo. Terceiro, clareza estratégica: a Otan precisa provar que não tolerará a criação de uma nova “zona cinzenta” em seu firmamento, riscando linhas vermelhas – ao invés de diluí-las.

 

A investida na Polônia foi o ensaio de um desafio maior à segurança europeia e ao sistema internacional. O episódio serve de alerta a líderes europeus que continuam a tratar suas obrigações de defesa com tibieza, ao contrário da Polônia, que leva a ameaça russa a sério. A diretora de Relações Exteriores da União Europeia enunciou a verdade da qual muitos se esquivam: “A guerra da Rússia está escalando, não acabando”.

 

A lição é tão antiga quanto a guerra: fraqueza é um convite à agressão. Reagir com firmeza já não é escalar, é dissuadir. Armar a Ucrânia e fortalecer a integridade da Otan são a única forma de evitar que a Rússia transforme provocações em rotina, e rotinas, em guerra aberta. O teste foi feito. A hora da verdade chegou.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 12.09.2025. Adaptado)

No parágrafo em destaque do texto, o sinal de dois-pontos é empregado três vezes para introduzir
  1. Asíntese baseada nas informaçoes anteriores.
  2. Bretificação das informações anteriores.
  3. Ccitação, com alusão a informações anteriores.
  4. Ddetalhamento das informações anteriores.
  5. Eênfase a informações opostas às anteriores.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — detalhamento das informações anteriores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dois-pontos: função de detalhamento no texto

Gabarito: letra D. No parágrafo em destaque, os três usos dos dois-pontos introduzem um detalhamento das informações anteriores — ou seja, o que vem depois do sinal explica, especifica ou desenvolve o que foi anunciado antes. Isso se comprova no próprio texto, como no trecho:

"É preciso combinar três dimensões. Primeiro, defesa ativa: interceptar sistematicamente qualquer incursão..."

Aqui, os dois-pontos anunciam a especificação da "defesa ativa": o que ela significa na prática. O mesmo ocorre nos outros dois usos, sempre com valor de explicação/detalhamento, e não de síntese, retificação, citação ou oposição.

O comando e o que ele pede

A questão pergunta qual é a função do sinal de dois-pontos no parágrafo. Isso é uma questão de pontuação com valor semântico: não basta saber que os dois-pontos "introduzem algo" — é preciso identificar que tipo de relação eles estabelecem entre o que vem antes e o que vem depois. A banca quer que você perceba que, nos três casos, o sinal abre espaço para um detalhamento do termo anterior.

O texto e o movimento argumentativo

O parágrafo em destaque é o terceiro do texto, que trata da resposta da Otan à incursão russa. O autor afirma que a resposta "não pode ser tímida nem só verbal" e que é preciso combinar três dimensões. Em seguida, ele as enumera e, para cada uma, usa os dois-pontos para explicar o que ela significa:

  • "defesa ativa: interceptar sistematicamente qualquer incursão..."

  • "apoio ampliado à Ucrânia: negar à Rússia os 'santuários'..."

  • "clareza estratégica: a Otan precisa provar que não tolerará..."

Em todos os casos, o que vem depois dos dois-pontos detalha, especifica o termo anterior. Não há síntese (resumir o que já foi dito), retificação (corrigir), citação (transcrição literal de fala) nem oposição (ideia contrária).

A técnica que decide

Os dois-pontos têm três funções principais: introduzir uma enumeração, uma explicação/detalhamento ou uma citação. Para distinguir, pergunte: o que vem depois resume (síntese), corrige (retificação), transcreve fala (citação) ou explica/expande (detalhamento)? No texto, o que vem depois explica o que significa cada dimensão — é detalhamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "citação" e "detalhamento". Há aspas no texto ("mitos", "santuários", "zona cinzenta"), mas elas estão em outras passagens, não nos usos dos dois-pontos destacados. Não se deixe levar pela presença de aspas em outros trechos.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função dos dois-pontos, substitua mentalmente por "isto é" ou "a saber". Se a substituição fizer sentido, é detalhamento/explicação. Ex.: "defesa ativa, isto é, interceptar sistematicamente..." — funciona!

1Funções principais
Enumeração
Explicação/detalhamento
Citação
2Como distinguir
Resume? → síntese
Corrige? → retificação
Transcreve fala? → citação
Explica/expande? → detalhamento
3Teste prático
Substituir por "isto é" ou "a saber"
Se fizer sentido → detalhamento
Dois-pontos
LEVELsoulevel.com.br
Dois-pontos: Funções principais (Enumeração, Explicação/detalhamento, Citação); Como distinguir (Resume? → síntese, Corrige? → retificação, Transcreve fala? → citação, Explica/expande? → detalhamento); Teste prático (Substituir por "isto é" ou "a saber", Se fizer sentido → detalhamento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Os dois-pontos não introduzem síntese (resumo do que foi dito). Pelo contrário, eles expandem a informação: o que vem depois é mais específico que o termo anterior. No trecho "defesa ativa: interceptar...", o sinal não resume a defesa ativa; ele a explica em detalhes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Não há retificação (correção) das informações anteriores. O texto não corrige nada; ele desenvolve o que foi anunciado. A retificação seria algo como "defesa ativa, ou melhor, defesa passiva" — o que não ocorre.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Os dois-pontos não introduzem citação aqui. Citação é a transcrição literal de fala ou texto, como ocorre em "Donald Tusk alertou: 'Foi o momento mais próximo...'". Nos usos destacados, o que vem depois é uma explicação do autor, não uma fala de terceiros.

Alternativa D — ✅ Correta

Gabarito. Os dois-pontos introduzem detalhamento das informações anteriores. Veja o trecho:

"É preciso combinar três dimensões. Primeiro, defesa ativa: interceptar sistematicamente qualquer incursão, reforçar o policiamento aéreo e deslocar barreiras antiaéreas para o leste."

O que vem depois dos dois-pontos especifica o que é "defesa ativa". O mesmo ocorre com "apoio ampliado à Ucrânia" e "clareza estratégica". A função é explicar, detalhar o termo anterior.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Os dois-pontos não introduzem ênfase a informações opostas. Não há oposição entre o que vem antes e depois do sinal; há continuidade e especificação. A oposição apareceria com conectivos como "mas" ou "porém", não com dois-pontos.

Conclusão: a função dos dois-pontos no parágrafo é detalhar as informações anteriores. A alternativa D é a única que descreve corretamente essa relação. Lembre-se: dois-pontos podem introduzir enumeração, explicação ou citação — aqui, é explicação/detalhamento.

Gabarito: letra D

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