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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2025

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu218530
Banca
VUNESP
Órgão
FAMERP
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Para responder a questão abaixo, leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano.

 

Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”.

 

Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim  Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”.

 

Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida ”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer.

 

Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo.

 

Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros . Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta . Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos.

 

(Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.)

“Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam ‘falar’ às pessoas depois que eu morrer.”   Nesse trecho, a posição dos parênteses, após a preposição “em” e não imediatamente após o verbo “creio”, explica-se por uma questão
  1. Ade concordância verbal.
  2. Bde concordância nominal.
  3. Cmeramente estilística.
  4. Dde regência nominal.
  5. Ede regência verbal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — de regência verbal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal: a posição dos parênteses em “creio em (nem desejo) uma existência”

Gabarito: letra E. A posição dos parênteses explica-se por uma questão de regência verbal: o verbo crer é transitivo indireto e exige a preposição em para introduzir seu complemento (objeto indireto). Como a preposição pertence ao verbo, ela precisa vir imediatamente após ele, antes do parêntese que intercala a locução “nem desejo”. Se os parênteses viessem logo após o verbo, a preposição ficaria separada dele, quebrando a regência. É exatamente o que se lê no trecho: “não creio em (nem desejo) uma existência após a morte”.

A questão não pede interpretação de sentido, mas sim análise sintática aplicada a um caso concreto de pontuação. O comando pergunta por que os parênteses foram colocados depois da preposição “em” e não imediatamente após o verbo “creio”. Isso exige reconhecer que a preposição é exigida pelo verbo — ou seja, é uma questão de regência, e não de concordância ou de estilo. A banca testa se o candidato percebe que a preposição não é um enfeite: ela é o elo que liga o verbo ao seu complemento.

Regência verbal é a relação de dependência que se estabelece entre o verbo e seus complementos. Alguns verbos não precisam de preposição (transitivos diretos: amar, comprar), outros exigem preposição (transitivos indiretos: crer em, gostar de, obedecer a). O verbo crer é transitivo indireto: quem crê, crê em algo ou alguém. A preposição em é, portanto, exigida pelo verbo — não é facultativa, não é um detalhe estilístico. Ela faz parte da regência verbal.

No trecho, o autor escreve: “não creio em (nem desejo) uma existência após a morte”. A preposição em está colada ao verbo creio, e o parêntese intercala a expressão “nem desejo” depois da preposição. Por que não escrever “não creio (nem desejo) em uma existência”? Porque aí a preposição ficaria separada do verbo, e a regência seria quebrada: o leitor teria de “voltar” para ligar em a creio. A colocação dos parênteses preserva a regência verbal: o verbo e sua preposição permanecem juntos, e o que está entre parênteses é uma intercalação que não interfere na estrutura sintática.

Veja a estrutura sintática do trecho:

A árvore mostra que em é a preposição que liga o verbo creio ao objeto indireto uma existência após a morte. O parêntese com “nem desejo” é um comentário intercalado — ele poderia ser retirado sem prejuízo sintático: “não creio em uma existência após a morte”. A posição dos parênteses, portanto, é determinada pela necessidade de manter a preposição junto ao verbo.

Agora, vamos analisar cada alternativa:

1Verbo transitivo indireto
Exige preposição
Ex.: crer em, gostar de
2Preposição liga verbo ao complemento
Objeto indireto
Deve ficar junto ao verbo
3No trecho
"creio em" (preposição colada)
Parêntese intercala depois
Separar quebraria a regência
Regência verbal
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Regência verbal: Verbo transitivo indireto (Exige preposição, Ex.: crer em, gostar de); Preposição liga verbo ao complemento (Objeto indireto, Deve ficar junto ao verbo); No trecho ("creio em" (preposição colada), Parêntese intercala depois, Separar quebraria a regência)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (concordância verbal). A concordância verbal trata da flexão do verbo para concordar com o sujeito (ex.: eu creio, eles creem). No trecho, não há qualquer problema de concordância: o verbo creio está corretamente flexionado na 1ª pessoa do singular, concordando com o sujeito elíptico eu. A posição dos parênteses não tem relação com a flexão verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (concordância nominal). A concordância nominal trata da flexão de adjetivos, artigos, pronomes e numerais para concordar com o substantivo (ex.: existência após a morteapós é invariável). Não há nenhum nome que precise concordar em gênero ou número de forma especial no trecho. A posição dos parênteses não afeta a concordância nominal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: fora do escopo (meramente estilística). A posição dos parênteses não é uma escolha estilística livre: ela é obrigatória para preservar a regência verbal. Se o autor quisesse apenas um efeito de estilo, poderia ter escrito “não creio (nem desejo) em uma existência”, mas isso quebraria a regência. A colocação é determinada pela gramática, não pelo estilo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (regência nominal). A regência nominal trata da preposição exigida por um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), como em medo de, ansioso por, favorável a. No trecho, a preposição em é exigida pelo verbo crer, não por um nome. Portanto, não se trata de regência nominal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Regência verbal. O verbo crer é transitivo indireto e exige a preposição em para introduzir seu complemento. A posição dos parênteses após a preposição mantém a preposição colada ao verbo, preservando a regência. Se os parênteses viessem imediatamente após o verbo, a preposição ficaria separada dele, o que quebraria a estrutura sintática. O trecho “não creio em (nem desejo) uma existência após a morte” é a prova: a preposição em está imediatamente após o verbo, e o parêntese intercala a expressão “nem desejo” depois da preposição.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir regência verbal de nominal, pergunte: a preposição é exigida por um verbo ou por um nome? Se for por verbo, é regência verbal; se for por substantivo, adjetivo ou advérbio, é regência nominal. No trecho, em é exigida por creio (verbo), logo, regência verbal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com “meramente estilística” (C) e “regência nominal” (D). A primeira ignora que a posição é gramaticalmente obrigatória; a segunda troca o verbo pelo nome. Fique atento: a preposição em está ligada ao verbo creio, não a um nome.

Conclusão: A posição dos parênteses é determinada pela regência verbal: a preposição em deve permanecer junto ao verbo creio para que o objeto indireto seja corretamente introduzido. As demais alternativas ou confundem o tipo de regência ou ignoram a obrigatoriedade gramatical. Gabarito: letra E.

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