Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2025
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu218544
Banca
VUNESP
Órgão
ARSESP
Ano
2025
Cargo
Ana SR ( )
Leia a tira a seguir: Está em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase e de regência verbal e nominal a frase:
AOs que teimam sonhar conferem para a dor uma selvageria indômita e não veem justificativa à amar.
BCom um projétil na pistola, a personagem reitera de sua capacidade em descer às profundezas terrestres.
CEstar no inferno foi algo que não agradou à personagem que necessitava de um calor impossível.
DSegundo o diabo, viver feliz é algo em que todos anseiam, mesmo quando se aspirou à algo oposto.
EA personagem acha que o risco envolvido no ato de amar é algo à que se pode prescindir.
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GabaritoC — Estar no inferno foi algo que não agradou à personagem que necessitava de um calor impossível.
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Regência verbal, nominal e crase: a frase que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que acerta, ao mesmo tempo, a regência verbal (o verbo agradar rege a preposição a), a regência nominal (o adjetivo necessitado rege a preposição de) e o uso da crase (a fusão da preposição a com o artigo a antes de personagem). Como se lê na frase: "Estar no inferno foi algo que não agradou à personagem que necessitava de um calor impossível". As demais alternativas erram por trocar a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome, o que gera crase indevida ou ausência dela.
O comando
A questão pede a frase que está em conformidade com a norma-padrão quanto a dois fenômenos: crase e regência verbal e nominal. Isso significa que você deve testar cada alternativa em três frentes: (1) o verbo exige a preposição correta? (2) o nome (substantivo/adjetivo) exige a preposição correta? (3) a crase está empregada apenas quando há fusão da preposição a com o artigo a (ou com o a dos pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo)?
O texto
A tira (não reproduzida aqui) apresenta um diálogo entre uma personagem e o diabo, tratando de temas como inferno, calor e amor. As frases das alternativas são reescritas livres desse contexto, mas o que importa é a estrutura gramatical de cada uma, não o conteúdo. A banca quer que você identifique a única construção que respeita as regências e a crase.
A técnica que decide
Para resolver, você precisa dominar três regras básicas:
Regência verbal: cada verbo exige uma preposição específica para seu complemento. Por exemplo, agradar (no sentido de "causar prazer") é transitivo indireto e exige a preposição a; necessitar (no sentido de "precisar") exige a preposição de; ansiar (no sentido de "desejar muito") exige a preposição por; prescindir exige a preposição de; reiterar é transitivo direto, não exige preposição.
Regência nominal: certos nomes (substantivos e adjetivos) também exigem preposições específicas. Por exemplo, necessitado exige de; justificativa exige para; capacidade exige de.
Crase: ocorre quando há a fusão da preposição a com o artigo a (ou com o a dos pronomes demonstrativos). Só há crase se o termo regente exigir a preposição a E o termo regido admitir o artigo a. Antes de verbo, não há crase; antes de palavra masculina, não há crase; antes de pronome que não admite artigo, não há crase.
Crase
1Ocorre
Preposição "a" + artigo "a"
Preposição "a" + "aquele(s)", "aquela(s)", "aquilo"
2Não ocorre
Antes de verbo
Antes de palavra masculina
Antes de pronome que não admite artigo
Pronome indefinido (algo)
Pronome relativo (que)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase "Os que teimam sonhar conferem para a dor uma selvageria indômita e não veem justificativa à amar" apresenta dois erros:
Regência verbal: o verbo teimar exige a preposição em (teimar em sonhar), não a preposição a. A forma correta seria "teimam em sonhar".
Crase antes de verbo: em "justificativa à amar", há crase antes do verbo amar, o que é proibido — não se usa crase antes de verbo. O correto seria "justificativa para amar" (regência nominal de justificativa exige para).
Erro do catálogo: troca de preposição (regência verbal) e crase indevida antes de verbo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A frase "Com um projétil na pistola, a personagem reitera de sua capacidade em descer às profundezas terrestres" apresenta dois problemas:
Regência verbal: o verbo reiterar é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O correto seria "reitera sua capacidade", sem o de. A forma "reitera de sua capacidade" está errada.
Regência nominal: o substantivo capacidade exige a preposição de (capacidade de descer), não a preposição em. O correto seria "capacidade de descer".
Erro do catálogo: troca de preposição (regência verbal e nominal).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase "Estar no inferno foi algo que não agradou à personagem que necessitava de um calor impossível" está correta por três motivos:
Regência verbal: o verbo agradar (no sentido de "causar prazer") é transitivo indireto e exige a preposição a. O complemento é "à personagem" (preposição a + artigo a).
Crase: há crase em "à personagem" porque há a fusão da preposição a (exigida por agradar) com o artigo a (que antecede o substantivo feminino personagem).
Regência verbal: o verbo necessitar (no sentido de "precisar") é transitivo indireto e exige a preposição de. O complemento é "de um calor impossível".
Erro do catálogo: nenhum — a frase respeita todas as regras.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A frase "Segundo o diabo, viver feliz é algo em que todos anseiam, mesmo quando se aspirou à algo oposto" apresenta dois erros:
Regência verbal: o verbo ansiar (no sentido de "desejar muito") exige a preposição por, não a preposição em. O correto seria "algo por que todos anseiam".
Crase antes de pronome indefinido: em "aspirou à algo", há crase antes do pronome indefinido algo, que não admite artigo. Portanto, não pode haver crase. O correto seria "aspirou a algo" (sem crase).
Erro do catálogo: troca de preposição (regência verbal) e crase indevida antes de pronome indefinido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase "A personagem acha que o risco envolvido no ato de amar é algo à que se pode prescindir" apresenta dois erros:
Crase antes de pronome relativo: em "à que", há crase antes do pronome relativo que, que não admite artigo. Portanto, não pode haver crase. O correto seria "algo a que se pode prescindir".
Regência verbal: o verbo prescindir exige a preposição de, não a preposição a. O correto seria "algo de que se pode prescindir".
Erro do catálogo: crase indevida antes de pronome relativo e troca de preposição (regência verbal).
Conclusão
A única frase que respeita simultaneamente a regência verbal, a regência nominal e a crase é a letra C. Para acertar questões assim, teste cada alternativa em três frentes: (1) o verbo exige a preposição correta? (2) o nome exige a preposição correta? (3) a crase só ocorre quando há fusão da preposição a com o artigo a? Lembre-se: antes de verbo, pronome indefinido e pronome relativo, não há crase.