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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218545
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir:

 

O coreto

 

E vieram dizer que não haveria mais banda. A que tocava no jardim, às noites de domingo, entre o povo, as árvores e as rosas, fora demitida. A prefeitura achou que não lhe concernia a obrigação de alimentar aquela espécie de música. E aquela espécie de música se tornou deste modo um fenômeno a considerar. É dessas coisas que durante séculos se mantiveram jovens e amadas mas de repente amanheceram velhas e sozinhas. A gente sabe o que é velhice, a mesma para todos e para tudo. Um negócio chato. Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo. 

 

Há também a força de ardis e manobras que promovem o envelhecimento a curto prazo, como se faz hoje com certos vinhos e se pode fazer com os homens e com as coisas humanas. Com os vinhos para que entrem mais cedo no mercado, com os homens para que saiam dele.

 

A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade. É uma instituição, um símbolo, uma segunda linguagem nacional. Quantas vezes gostosíssima, divertida, fina e incomparável música essa das bandas.

 

Nesta cidade de Poços de Caldas, elas nunca faltaram, tanto nos seus grandes como nos seus pequenos acontecimentos. E, mais do que os oradores e os poetas, eram a voz do povo. Chegando um filho da terra doutor formado, chegando Pedro Sanches de sua viagem à Europa, chegando um presidente, chegando um Rui Barbosa ou um Santos Dumont, lá estava na Estação da Mogiana a banda para recebê-los em triunfo.

 

Mas vieram estes dias impetuosos de hoje. E por eles estive sabendo que isso não vale mais nada. Ou não vale duas patacas no orçamento municipal. O coreto no jardim ficará vazio, ou talvez já convertido num mictório. E não sei a quem dizer do meu pesar: se ao povo, se à prefeitura ou se apenas a mim mesmo.

 

(Jurandir Ferreira. Da quieta substância dos dias. Instituto Moreira Sales, 1991. Adaptado)

Considerando as informações presentes nos dois primeiros parágrafos, é correta a afirmação:
  1. AO tempo não é o único culpado do fenômeno que acometeu a banda de Poços de Caldas.
  2. BA prefeitura justificou o fim da banda, mas as explicações não convenceram o autor da crônica.
  3. CO envelhecimento dos membros da banda impediu que ela continuasse existindo.
  4. DA lógica de mercado faz com que as pessoas abominem tudo o que é considerado velho.
  5. EO caráter repentino das mudanças não se aplica ao problema de que trata o autor da crônica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O tempo não é o único culpado do fenômeno que acometeu a banda de Poços de Caldas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O coreto: o tempo não é o único culpado

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelos dois primeiros parágrafos: o autor afirma que o fenômeno que acometeu a banda pode ter duas causas — o tempo ou algo além dele. A passagem decisiva é: "Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo." Ou seja, o texto não atribui ao tempo a culpa exclusiva; admite que outras forças podem promover o envelhecimento. As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que está escrito.

O comando

O enunciado pede: "Considerando as informações presentes nos dois primeiros parágrafos, é correta a afirmação". Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está explícito, sem deduções que ultrapassem o texto. Não se trata de inferir algo nas entrelinhas, mas de localizar a ideia que o autor de fato expressou. Portanto, cada alternativa deve ser testada contra o texto: o que ele diz? O que ele não diz?

O texto

O cronista lamenta o fim da banda de Poços de Caldas. No primeiro parágrafo, ele reflete sobre a velhice das coisas: "É dessas coisas que durante séculos se mantiveram jovens e amadas mas de repente amanheceram velhas e sozinhas." Em seguida, apresenta uma causa possível: o tempo. Mas logo relativiza: "Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo." Essa frase é a chave: ela diz que nem sempre é o tempo o responsável. No segundo parágrafo, ele introduz outra causa: "Há também a força de ardis e manobras que promovem o envelhecimento a curto prazo". Ou seja, o texto aponta duas causas possíveis: o tempo e as "manobras" humanas. A alternativa A capta exatamente isso: o tempo não é o único culpado.

A técnica que decide

A armadilha central desta questão é a extrapolação. A banca oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que acrescentam informações que o texto não traz. Por exemplo, a alternativa B fala em "explicações que não convenceram o autor" — mas o texto não diz que a prefeitura deu explicações, nem que o autor as avaliou. A alternativa C fala em "envelhecimento dos membros da banda" — o texto fala do envelhecimento da banda como instituição, não dos músicos. A alternativa D fala em "lógica de mercado" — o texto menciona "ardis e manobras" e "vinhos", mas não diz que as pessoas abominam o velho. A alternativa E diz que o caráter repentino não se aplica — mas o texto diz exatamente o contrário: "de repente amanheceram velhas e sozinhas". Portanto, a única que se sustenta é a A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo."

O texto afirma que o envelhecimento pode ser causado pelo tempo ou por outras coisas. A alternativa A diz: "O tempo não é o único culpado do fenômeno que acometeu a banda de Poços de Caldas." Isso é uma paráfrase exata da ideia: o autor admite que o tempo pode ser a causa, mas não exclusivamente. A palavra "não é o único" é a chave: ela corresponde ao "outras vezes não é o tempo" do texto. Portanto, a alternativa A está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A prefeitura justificou o fim da banda, mas as explicações não convenceram o autor da crônica."

O texto diz apenas que "a prefeitura achou que não lhe concernia a obrigação de alimentar aquela espécie de música". Não há menção a justificativas dadas pela prefeitura, nem a uma avaliação do autor sobre elas. A alternativa extrapola: inventa uma reação do autor que não está no texto. O autor expressa pesar, mas não diz que as explicações não o convenceram. Erro: extrapolação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O envelhecimento dos membros da banda impediu que ela continuasse existindo."

O texto fala do envelhecimento da banda como instituição ("a banda não é apenas uma evocação e uma saudade. É uma instituição"), não dos músicos. Não há nenhuma informação sobre a idade dos membros. A alternativa troca o referente: atribui o envelhecimento às pessoas, quando o texto fala da coisa. Erro: troca de conceito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A lógica de mercado faz com que as pessoas abominem tudo o que é considerado velho."

O texto menciona "ardis e manobras" e compara com vinhos que são envelhecidos artificialmente para entrar no mercado. Mas não diz que as pessoas abominam o velho, nem que a "lógica de mercado" seja a causa do fim da banda. A alternativa generaliza e extrapola: transforma uma comparação pontual em uma afirmação universal. Erro: generalização indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O caráter repentino das mudanças não se aplica ao problema de que trata o autor da crônica."

O texto diz exatamente o oposto: "É dessas coisas que durante séculos se mantiveram jovens e amadas mas de repente amanheceram velhas e sozinhas." A palavra "de repente" indica caráter repentino. A alternativa contradiz o texto. Erro: contradição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos que parecem verdadeiros no mundo real, mas que o texto não sustenta. Aqui, a alternativa D é a mais sedutora: fala de "lógica de mercado", algo que o texto menciona de passagem, mas a conclusão "as pessoas abominam tudo o que é velho" é uma generalização que o autor não faz.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, teste cada alternativa perguntando: "O texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Se a alternativa precisar de uma informação que não está no texto, ela está errada — mesmo que soe verdadeira.

Gabarito: letra A.

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