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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2025

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu218549
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir:

 

O coreto

 

E vieram dizer que não haveria mais banda. A que tocava no jardim, às noites de domingo, entre o povo, as árvores e as rosas, fora demitida. A prefeitura achou que não lhe concernia a obrigação de alimentar aquela espécie de música. E aquela espécie de música se tornou deste modo um fenômeno a considerar. É dessas coisas que durante séculos se mantiveram jovens e amadas mas de repente amanheceram velhas e sozinhas. A gente sabe o que é velhice, a mesma para todos e para tudo. Um negócio chato. Às vezes, o tempo é que esgota as fontes de juventude, outras vezes não é o tempo, somente o tempo. 

 

Há também a força de ardis e manobras que promovem o envelhecimento a curto prazo, como se faz hoje com certos vinhos e se pode fazer com os homens e com as coisas humanas. Com os vinhos para que entrem mais cedo no mercado, com os homens para que saiam dele.

 

A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade. É uma instituição, um símbolo, uma segunda linguagem nacional. Quantas vezes gostosíssima, divertida, fina e incomparável música essa das bandas.

 

Nesta cidade de Poços de Caldas, elas nunca faltaram, tanto nos seus grandes como nos seus pequenos acontecimentos. E, mais do que os oradores e os poetas, eram a voz do povo. Chegando um filho da terra doutor formado, chegando Pedro Sanches de sua viagem à Europa, chegando um presidente, chegando um Rui Barbosa ou um Santos Dumont, lá estava na Estação da Mogiana a banda para recebê-los em triunfo.

 

Mas vieram estes dias impetuosos de hoje. E por eles estive sabendo que isso não vale mais nada. Ou não vale duas patacas no orçamento municipal. O coreto no jardim ficará vazio, ou talvez já convertido num mictório. E não sei a quem dizer do meu pesar: se ao povo, se à prefeitura ou se apenas a mim mesmo.

 

(Jurandir Ferreira. Da quieta substância dos dias. Instituto Moreira Sales, 1991. Adaptado)

A vírgula foi acrescentada ao trecho do 3o parágrafo em conformidade com a norma-padrão de pontuação em:
  1. AA música de Chico Buarque, aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade.
  2. BA música de Chico Buarque aí está, para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade.
  3. CA música de Chico Buarque aí está para dizer que, a banda não é apenas uma evocação e uma saudade.
  4. DA música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda, não é apenas uma evocação e uma saudade.
  5. EA música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas, uma evocação e uma saudade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A música de Chico Buarque aí está, para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula em oração subordinada adverbial deslocada

Gabarito: letra B. A vírgula é obrigatória quando a oração subordinada adverbial antecipa-se à principal — exatamente o que ocorre em "A música de Chico Buarque aí está, para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade": a oração "para dizer que..." é adverbial final deslocada, e a norma-padrão exige separá-la por vírgula. As demais alternativas ou separam elementos que não podem ser separados (sujeito do verbo, verbo do complemento, conjunção da oração) ou isolam termos que não constituem oração deslocada.

O comando

A questão pede a reescrita do trecho do 3º parágrafo em conformidade com a norma-padrão de pontuação. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação da regra gramatical de uso da vírgula. O comando "a vírgula foi acrescentada" indica que devemos avaliar onde a vírgula pode ser inserida sem ferir a sintaxe — e, entre as opções, apenas uma respeita a estrutura oracional.

O texto e a estrutura da frase

No texto original, lê-se:

"A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade."

A frase é composta por:

  • Oração principal: "A música de Chico Buarque aí está"

  • Oração subordinada adverbial final: "para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade" (introduzida pela preposição "para", com valor de finalidade)

Na ordem direta, a oração adverbial viria depois da principal, sem vírgula: "A música de Chico Buarque aí está para dizer que...". Mas a banca deslocou a oração adverbial para o final? Não — na verdade, a oração adverbial já está posposta à principal. O que a alternativa B faz é isolar a oração adverbial com vírgula, o que é facultativo quando ela está na ordem direta? Não: a regra é que, quando a oração adverbial está anteposta ou intercalada, a vírgula é obrigatória. Aqui, a oração "para dizer..." está posposta à principal, mas a banca a trata como se estivesse deslocada? Vamos analisar com cuidado.

Na verdade, a alternativa B coloca a vírgula antes da oração adverbial, que está posposta. Isso é facultativo? A norma-padrão diz que, se a oração adverbial estiver na ordem direta (depois da principal), a vírgula é facultativa — pode-se usar ou não. Mas a banca considerou a vírgula obrigatória? Não: a questão pede "em conformidade com a norma-padrão", e a alternativa B é a única que não separa elementos que não podem ser separados. Vamos ver cada uma.

A técnica: o que a vírgula pode e não pode separar

A vírgula não pode separar:

  • o sujeito do verbo (alternativa A: "A música de Chico Buarque, aí está" — separa sujeito do verbo, erro grave);

  • o verbo de seu complemento (alternativa D: "a banda, não é" — separa sujeito do predicativo, erro);

  • a conjunção integrante "que" da oração subordinada (alternativa C: "que, a banda" — separa a conjunção do resto da oração, erro);

  • o adjunto adnominal do substantivo (alternativa E: "apenas, uma evocação" — separa o advérbio "apenas" do termo que modifica, erro).

A alternativa B, ao contrário, insere a vírgula entre a oração principal e a subordinada adverbial, o que é permitido — e, em muitos casos, recomendado para clareza. A norma-padrão faculta a vírgula antes de oração adverbial posposta, mas obriga quando ela é anteposta. Aqui, a banca considerou a vírgula correta porque ela não viola nenhuma proibição e ainda isola a oração adverbial, que pode ser deslocada. A alternativa B é a única que mantém a estrutura sintática íntegra.

Análise das alternativas

Uso da vírgula
  • 1Pode separar
    • Oração subordinada adverbial deslocada
    • Termos intercalados
  • 2Não pode separar
    • Sujeito do verbo
    • Verbo do complemento
    • Conjunção da oração
    • Advérbio do termo que modifica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A música de Chico Buarque, aí está para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade."

A vírgula separa o sujeito ("A música de Chico Buarque") do verbo ("está"). Isso é proibido pela norma-padrão: não se separa sujeito de verbo por vírgula. Erro: separação indevida de sujeito e verbo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A música de Chico Buarque aí está, para dizer que a banda não é apenas uma evocação e uma saudade."

A vírgula isola a oração subordinada adverbial final ("para dizer que..."), que está deslocada — na ordem direta, ela viria antes do verbo? Não: na ordem direta, a oração adverbial vem depois da principal, mas aqui ela está posposta e a vírgula é facultativa. A norma-padrão permite a vírgula antes de oração adverbial posposta, especialmente quando se quer dar ênfase ou clareza. A estrutura permanece correta: sujeito + verbo + adjunto adverbial + oração adverbial. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A música de Chico Buarque aí está para dizer que, a banda não é apenas uma evocação e uma saudade."

A vírgula separa a conjunção integrante "que" do restante da oração subordinada substantiva objetiva direta ("a banda não é apenas..."). Isso é proibido: a conjunção integrante não pode ser separada de sua oração. Erro: separação indevida entre conjunção e oração subordinada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda, não é apenas uma evocação e uma saudade."

A vírgula separa o sujeito ("a banda") do predicativo ("não é apenas..."). Novamente, separação indevida entre sujeito e verbo (aqui, verbo de ligação "é"). Erro: separação indevida de sujeito e predicativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A música de Chico Buarque aí está para dizer que a banda não é apenas, uma evocação e uma saudade."

A vírgula separa o advérbio "apenas" do termo que ele modifica ("uma evocação e uma saudade"). O advérbio "apenas" funciona como adjunto adverbial de exclusão e não pode ser isolado por vírgula nesse contexto, pois quebraria a relação de modificação. Erro: separação indevida entre advérbio e seu escopo.

Conclusão

A única alternativa que não viola nenhuma regra de pontuação é a B, pois a vírgula isola a oração subordinada adverbial final, o que é facultativo e permitido pela norma-padrão. As demais cometem o erro clássico de separar termos que mantêm relação sintática direta (sujeito-verbo, verbo-complemento, conjunção-oração).

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você sabe que a vírgula não pode separar sujeito de verbo, verbo de complemento, conjunção de oração. A alternativa B parece "estranha" porque a vírgula antes de "para" é facultativa, mas é a única gramaticalmente aceitável.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, identifique a função sintática de cada termo ao redor da vírgula. Se a vírgula separar sujeito de verbo ou verbo de complemento, está errada. A vírgula só é correta quando isola termos deslocados, apostos, vocativos ou orações intercaladas.

Gabarito: letra B.

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