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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu218553
Banca
VUNESP
Órgão
ARSESP
Ano
2025
Cargo
Ana SR ( )

O desenvolvimento da Inteligência Artificial Generativa (IAG) depende do treinamento de vastos conjuntos de informações para que o modelo aprenda sobre linguagem, padrões e conhecimento geral. Esses dados podem incluir textos, imagens ou vídeos, os quais frequentemente são protegidos por direitos autorais.

 

Se, por um lado, a criatividade e o conteúdo humano precisam ser preservados e recompensados, por outro, regras rígidas de direitos autorais para o treinamento da IAG podem trazer efeitos colaterais preocupantes, tais como: custos proibitivos para empresas de pequeno porte, aumentando a vantagem competitiva das grandes empresas; fuga de centros de IA para países mais permissivos; menor precisão diante da menor quantidade de dados; e repressão da pesquisa aberta e concentração de inovação em ambientes fechados.

 

O conteúdo, enquanto obra passível de proteção, é utilizado somente como insumo técnico para ensinar o modelo sobre as relações estatísticas entre os seus elementos. Embora esses vetores não reproduzam diretamente a obra original e os modelos não armazenem os dados como um banco de referência consultável, eles podem carregar sua estrutura em forma matemática, o que poderia levar à conclusão de que, a partir disso, seria possível reconstruir o conteúdo protegido.

 

Diferentemente de um livro digital ou de uma música arquivada, esses sistemas não guardam cada obra de forma individual, mas extraem padrões estatísticos gerais a partir do conjunto de uma grande massa toda. A memorização de trechos específicos pode ocorrer, mas em pequena escala. Em geral, o modelo generaliza e o impacto de cada obra isolada se dilui dentro da massa de dados, não havendo como rastrear a contribuição unitária. Isso torna inadequado tratar o treinamento desses modelos como se fosse equivalente ao uso individualizado de uma obra musical, jornalística ou literária.

 

No Brasil, há fundamentos jurídicos que permitem a aplicação do “uso justo”, conforme entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a Lei de Direitos Autorais, quando: se tratar de situação especial; não prejudicar a exploração normal da obra; e não causar dano injustificado aos interesses do autor.

 

Em geral, no caso do “treinamento justo”, os argumentos são: os dados são utilizados apenas como insumos técnicos, para ensinar padrões estatísticos, e não para copiar as obras originais; o aprendizado de máquina é comparável ao processo humano de indução e generalização; e a responsabilização deve ser aplicada em relação aos resultados produzidos que violem direitos autorais.

 

Ou seja, o tema é desafiador e de alta complexidade, sob a perspectiva técnica e jurídica. A tensão entre garantir a remuneração e o reconhecimento dos criadores, por um lado, e não inviabilizar a inovação tecnológica, por outro, exige abordagem regulatória cuidadosa, proporcional e tecnologicamente embasada.

 

(Rony Vainzof. Treinamento da IA, direitos autorais e regulação.

www.estadao.com.br, 21.10.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     Está em conformidade com a norma-padrão de emprego e colocação pronominal a frase:
  1. AA capacidade dos modelos de IA de gerar conteúdos novos é objeto de questionamento de quem cria-os de maneira autoral.
  2. BObras originais têm sido usadas para alimentar modelos de IA, mas estes não têm citado-as devidamente.
  3. CO conteúdo está sujeito à proteção de direitos autorais e é utilizado pelo desenvolvedor do modelo para alimentá-lo.
  4. DOs modelos, por fim, não reproduzem integralmente conteúdos protegidos por direito autoral, mas lhes imitam.
  5. EOs dados das obras são acessíveis pelos modelos e estes armazenam-os com uma estrutura matemática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O conteúdo está sujeito à proteção de direitos autorais e é utilizado pelo desenvolvedor do modelo para alimentá-lo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a posição do pronome oblíquo átono

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita a norma-padrão de colocação pronominal: o pronome -lo (forma do oblíquo o após verbo terminado em -r) aparece corretamente em ênclise, ligado ao infinitivo alimentar, sem qualquer palavra atrativa que force a próclise. As demais alternativas erram ao empregar a ênclise após formas verbais que a proíbem ou ao usar o pronome lhe com valor de objeto direto.

O comando

A questão pede a frase que está em conformidade com a norma-padrão de emprego e colocação pronominal. Isso significa que devemos analisar cada alternativa isoladamente, verificando se a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) está correta em relação ao verbo. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar as regras de próclise (pronome antes do verbo), ênclise (pronome depois do verbo) e mesóclise (pronome no meio do verbo).

A técnica que decide

A regra central é: não se inicia período com pronome oblíquo átono e não se usa ênclise após futuro do presente, futuro do pretérito e particípio. Além disso, certas palavras atraem o pronome para antes do verbo (próclise): palavras negativas, advérbios, conjunções subordinativas, pronomes relativos, indefinidos e interrogativos. Quando não há fator de próclise, o pronome fica depois do verbo (ênclise), desde que o verbo não esteja no futuro ou no particípio.

No caso da alternativa C, temos o verbo alimentar no infinitivo, terminado em -r. O pronome o (que se refere a "conteúdo") assume a forma -lo após verbos terminados em -r, -s ou -z. Como não há palavra atrativa antes do infinitivo, a ênclise é obrigatória: alimentá-lo. A frase está perfeita.

Análise das alternativas

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Negação (não)
      • Advérbios
      • Conjunções subordinativas
      • Pronomes relativos (quem)
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Regra geral
    • Infinitivo (alimentá-lo)
  • 3Proibições
    • Iniciar período com oblíquo átono
    • Ênclise com particípio (citado-as)
    • Ênclise com futuro
  • 4Formas do pronome "o"
    • Após -r, -s, -z → -lo
    • Após -m, -ão → -no
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A capacidade dos modelos de IA de gerar conteúdos novos é objeto de questionamento de quem cria-os de maneira autoral."

O erro está em cria-os. O verbo criar está no presente do indicativo, e a forma correta do pronome o após verbo terminado em -r seria criá-lo (com acento e a forma -lo). Além disso, a construção "de quem cria-os" é inadequada: o pronome deveria vir em próclise, pois o pronome relativo quem é palavra atrativa. O correto seria "de quem os cria". A alternativa erra tanto na forma do pronome quanto na colocação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Obras originais têm sido usadas para alimentar modelos de IA, mas estes não têm citado-as devidamente."

O erro está em citado-as. O pronome oblíquo átono não pode ser usado em ênclise com o particípio. A forma correta seria "não as têm citado" (próclise com o verbo auxiliar têm) ou "não têm citado-as" (o que também é inadequado, pois o particípio não admite ênclise). A norma exige que o pronome fique antes do verbo auxiliar ou, em locuções verbais, após o infinitivo ou gerúndio, nunca após o particípio.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O conteúdo está sujeito à proteção de direitos autorais e é utilizado pelo desenvolvedor do modelo para alimentá-lo."

A frase está correta. O verbo alimentar está no infinitivo, terminado em -r. O pronome o (que retoma "conteúdo") assume a forma -lo e é colocado em ênclise: alimentá-lo. Não há palavra atrativa antes do verbo, e o infinitivo admite ênclise. A construção está em plena conformidade com a norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os modelos, por fim, não reproduzem integralmente conteúdos protegidos por direito autoral, mas lhes imitam."

O erro está em lhes imitam. O verbo imitar é transitivo direto, ou seja, exige objeto direto (sem preposição). O pronome lhe é usado para objeto indireto (com preposição). O correto seria "mas os imitam" (pronome os em próclise, pois a conjunção mas não atrai, mas a palavra negativa não no início da oração anterior não influencia; aqui, o correto é "mas os imitam" ou "mas imitam-nos"). A alternativa troca o pronome de objeto direto pelo de objeto indireto, o que é um erro de regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Os dados das obras são acessíveis pelos modelos e estes armazenam-os com uma estrutura matemática."

O erro está em armazenam-os. O verbo armazenam está no presente do indicativo, e a forma correta do pronome o após verbo terminado em -m (som nasal) seria armazenam-nos (com a forma -no). Além disso, a construção "armazenam-os" é inadequada: o pronome deveria vir em próclise, pois o sujeito estes (pronome demonstrativo) não atrai, mas a forma correta seria "armazenam-nos" ou "os armazenam". A alternativa erra na forma do pronome.

Fechamento

A questão testa a aplicação das regras de colocação pronominal. A alternativa C é a única que emprega corretamente a ênclise com o infinitivo, sem violar nenhuma proibição. As demais erram ao usar a forma errada do pronome, ao empregar ênclise com particípio ou ao confundir objeto direto com indireto.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, identifique primeiro o verbo e sua terminação. Depois, verifique se há palavra atrativa (negação, advérbio, conjunção, pronome relativo) antes do verbo. Por fim, confira se o pronome está na forma correta (-lo, -la, -no, -na) e se não está após particípio ou futuro.

Gabarito: letra C

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