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Questão de Português — Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem — VUNESP 2025

PortuguêsElementos da Comunicação e Funções da Linguagem
Código
vu218560
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Leia o excerto do conto de Conceição Evaristo para responder a questão a seguir:   A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos. Dorvi se lembrou do combinado, o juramento feito em voz uníssona, gritado sob o pipocar dos tiros:   — A gente combinamos de não morrer! Limpou os olhos. Lágrimas apontavam diversos sentimentos. A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado justificava qualquer gota ou rio-mar que surgisse e rolasse pela face abaixo. Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: “Quem não tem colírio usa óculos escuros.”   A morte incendeia a vida, como se essa estopa fosse. Molambos erigem fumaça no ar. Na lixeira, corpos são incinerados. A vida é capim, mato, lixo, é pele e cabelo. É e não é. Na televisão deu:   — Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!   (Conceição Evaristo, “A gente combinamos de não morrer”. Olhos d’água, 2016)   De acordo com Antonio Candido (2011), “... todo processo de comunicação pressupõe um comunicante, no caso o artista; um comunicado, ou seja, a obra; um comunicando, que é o público a que se dirige; graças a isso define-se o quarto elemento do processo, isto é, o seu efeito. Esse caráter não deve obscurecer o fato de a arte ser, eminentemente, comunicação expressiva, expressão de realidades profundamente radicadas no artista, mais que transmissão de noções e conceitos.” Com base nas considerações, entende-se que o texto de Conceição Evaristo
  1. Atem um alcance social limitado, porque mascara conceitualmente uma realidade cruel.
  2. Bpressupõe a inviabilidade de um diálogo social para minimizar as distorções humanas.
  3. Cnega a possibilidade de um efeito-leitor positivo em relação ao artista e à sua obra.
  4. Dreverbera no público como denúncia de violência urbana e reclama por um diálogo social.
  5. Eexpressa a realidade sem subterfúgios, assumindo caráter didático e moralizador.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — reverbera no público como denúncia de violência urbana e reclama por um diálogo social.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função social da literatura: denúncia e diálogo em Conceição Evaristo

Gabarito: letra D. O texto de Conceição Evaristo reverbera no público como denúncia de violência urbana e reclama por um diálogo social, pois retrata a morte de crianças e mulheres em contexto de violência urbana, como se lê em "A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos" e "Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!". A alternativa D é a única que conjuga o efeito (reverberar no público) com o conteúdo (denúncia) e a finalidade (reclamar diálogo social), tudo ancorado no texto e na teoria de Antonio Candido citada no enunciado.

O comando: compreensão com apoio teórico

A questão pede que se entenda o texto de Conceição Evaristo com base nas considerações de Antonio Candido. Não se trata de inferir algo além do texto, mas de relacionar o que o conto apresenta (violência, morte, luto) com a teoria da comunicação literária: o artista (comunicante) produz a obra (comunicado) que atinge o público (comunicando) e gera um efeito. A pergunta é: qual alternativa descreve corretamente esse efeito e o conteúdo do texto?

O texto: denúncia da violência urbana

O conto de Evaristo é uma denúncia poética da violência urbana. As imagens são fortes e diretas: "A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos" (crianças envolvidas com armas), "Na lixeira, corpos são incinerados" (cadáveres tratados como lixo) e a notícia final: "Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!". O juramento "A gente combinamos de não morrer!" revela a luta pela sobrevivência em um contexto de morte iminente. A fumaça que "justificava qualquer gota ou rio-mar" mostra o esforço de esconder a dor, mas as lágrimas "apontavam diversos sentimentos". Tudo isso não é neutro: o texto expõe uma realidade cruel para provocar o leitor.

A técnica: efeito-leitor e função social da arte

Antonio Candido afirma que a arte é "comunicação expressiva" e que o processo comunicativo inclui o efeito sobre o público. Aplicando ao conto: o efeito não é apenas estético, mas ético-social. O texto denuncia a violência (mostra corpos incinerados, crianças com armas) e, ao fazer isso, convoca o leitor a refletir e a agir — daí o "reclama por um diálogo social". A alternativa D capta exatamente essa tríade: reverbera (efeito), denúncia (conteúdo) e reclama diálogo (função social). As demais alternativas ou extrapolam (A, B, C) ou restringem o alcance do texto (E).

Análise das alternativas

Função social da literatura
  • 1Comunicação expressiva (Candido)
    • Artista → obra → público
    • Efeito no leitor
  • 2No conto de Evaristo
    • Denúncia da violência urbana
      • Crianças com armas
      • Corpos incinerados
    • Convoca reflexão
      • Reverbera no público
      • Reclama diálogo social
  • 3Desvios das incorretas
    • Mascara a realidade (A)
    • Inviabiliza diálogo (B)
    • Nega efeito-leitor (C)
    • Caráter moralizador (E)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"tem um alcance social limitado, porque mascara conceitualmente uma realidade cruel."

Erro: contradiz o texto. O texto não mascara a realidade; ele a expõe com imagens cruas: "Na lixeira, corpos são incinerados". O alcance social não é limitado — a denúncia é explícita e forte. A alternativa inverte o sentido do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"pressupõe a inviabilidade de um diálogo social para minimizar as distorções humanas."

Erro: extrapola. O texto não afirma que o diálogo social é inviável. Ele apenas retrata a violência. A alternativa acrescenta uma conclusão pessimista que não está no texto. O juramento "A gente combinamos de não morrer!" sugere resistência, não inviabilidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"nega a possibilidade de um efeito-leitor positivo em relação ao artista e à sua obra."

Erro: contradiz o texto e a teoria. O texto, ao denunciar, busca um efeito no leitor — como a teoria de Candido prevê. Não há negação de efeito positivo; ao contrário, a obra provoca reflexão. A alternativa nega o que o texto e a teoria afirmam.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"reverbera no público como denúncia de violência urbana e reclama por um diálogo social."

Correta. O texto denuncia a violência urbana (crianças com armas, corpos incinerados, mulher morta na lixeira) e, ao fazer isso, reverbera no público, reclamando uma reflexão e um diálogo social. A alternativa está ancorada no texto e na teoria de Candido sobre o efeito da obra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"expressa a realidade sem subterfúgios, assumindo caráter didático e moralizador."

Erro: restringe e acrescenta opinião. O texto expressa a realidade sem subterfúgios (isso é verdade), mas não assume caráter didático e moralizador. O texto não ensina nem moraliza; ele denuncia poeticamente. A alternativa restringe o alcance do texto a um papel pedagógico que ele não tem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura extrapolação (B, C) com contradição (A) e restrição (E). A correta (D) é a única que conjuga o efeito no público com o conteúdo de denúncia, sem acrescentar ou negar nada.

PEGA ESSA DICA!

Ao relacionar texto e teoria, procure a alternativa que conecta o conteúdo do texto (o que ele mostra) com o efeito (o que ele provoca no leitor). Desconfie de alternativas que negam ou limitam o alcance do texto.

Conclusão: a literatura de Conceição Evaristo denuncia a violência urbana e convoca o leitor a refletir. A alternativa D é a única que traduz esse efeito sem extrapolar, contradizer ou restringir o texto.

Gabarito: letra D

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