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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218562
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Leia o excerto do conto de Conceição Evaristo para responder a questão a seguir:   A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos. Dorvi se lembrou do combinado, o juramento feito em voz uníssona, gritado sob o pipocar dos tiros:   — A gente combinamos de não morrer! Limpou os olhos. Lágrimas apontavam diversos sentimentos. A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado justificava qualquer gota ou rio-mar que surgisse e rolasse pela face abaixo. Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: “Quem não tem colírio usa óculos escuros.”   A morte incendeia a vida, como se essa estopa fosse. Molambos erigem fumaça no ar. Na lixeira, corpos são incinerados. A vida é capim, mato, lixo, é pele e cabelo. É e não é. Na televisão deu:   — Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!   (Conceição Evaristo, “A gente combinamos de não morrer”. Olhos d’água, 2016)   De acordo com Luiz Antônio Marcuschi (2008), na passagem do 3o parágrafo “Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: ‘Quem não tem colírio usa óculos escuros.’”, constata-se a intertextualidade
  1. Acom texto próprio para o personagem situar-se sobre seus sentimentos e aludir a outro discurso que proferiu, empregada como catarse.
  2. Bde forma e conteúdo, com utilização de gênero textual diverso, empregada quando o personagem reconhece que a fumaça faz bem.
  3. Cexplícita, com citação do texto e referência ao seu autor, empregada quando o personagem omite a profusão de sentimentos que vivencia.
  4. Dde forma e conteúdo, com utilização de mesmo gênero textual, empregada para o personagem indicar e intensificar seu sofrimento.
  5. Eexplícita, com paráfrase do texto original e referência ao seu autor, empregada quando o personagem toma consciência da violenta situação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — explícita, com citação do texto e referência ao seu autor, empregada quando o personagem omite a profusão de sentimentos que vivencia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade explícita: a citação como disfarce da dor

Gabarito: letra C. A passagem citada configura intertextualidade explícita, pois o narrador cita literalmente o verso de Seixas — “Quem não tem colírio usa óculos escuros” — e menciona o autor (“a canção do Seixas”). A função é exatamente a que a alternativa C descreve: o personagem omite a profusão de sentimentos que vivencia, usando a fumaça como justificativa para as lágrimas e a canção como desvio. Como se lê no 3º parágrafo:

“Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: ‘Quem não tem colírio usa óculos escuros.’”

O verbo “desculpou-se” e a expressão “mordiscando a dor” revelam que ele não quer admitir que chora por sentimentos — prefere atribuir as lágrimas à fumaça e cantarolar para disfarçar. A citação, portanto, não intensifica o sofrimento (como diz a D), mas o encobre.

O comando: identificar o tipo e a função da intertextualidade

A questão pede que você reconheça, segundo Marcuschi, o tipo de intertextualidade presente no trecho e a função que ela exerce no contexto. Isso exige dois movimentos: (1) classificar a intertextualidade (explícita × implícita; de forma × de conteúdo) e (2) avaliar o efeito de sentido no texto. A banca mistura os dois critérios nas alternativas — por isso é preciso testar cada uma contra o trecho.

O texto: a dor disfarçada

O conto narra a morte violenta de meninos — “A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos”. Dorvi lembra do juramento “A gente combinamos de não morrer” e chora. Mas, em vez de assumir a emoção, ele racionaliza: “A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado justificava qualquer gota ou rio-mar”. O narrador explicita o autoengano: “Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo”. A canção de Seixas entra como válvula de escape — um refrão popular que desvia a atenção do sofrimento. A intertextualidade, portanto, não amplifica a dor; ela camufla.

A técnica: explícita × implícita, forma × conteúdo

  • Intertextualidade explícita: há citação direta (aspas, itálico) e/ou menção ao autor/fonte. É o caso do trecho: o verso aparece entre aspas e o narrador nomeia “Seixas”.

  • Intertextualidade implícita: não há marcação; o texto retoma outro por paráfrase, alusão ou plágio, sem citar a fonte.

  • De forma: reproduz a estrutura (gênero, estilo) do texto-fonte.

  • De conteúdo: retoma as ideias do texto-fonte.

No trecho, há citação literal (forma e conteúdo) e referência ao autor — logo, é explícita. A alternativa C acerta ao dizer “citação do texto e referência ao seu autor”.

Análise das alternativas

1Quanto à marcação
Explícita (cita a fonte)
Implícita (paráfrase/alusão)
2Quanto ao conteúdo
De forma (reproduz estrutura)
De conteúdo (retoma ideias)
3Função no trecho
Omitir sentimentos (disfarce)
Não intensifica a dor
Intertextualidade
LEVELsoulevel.com.br
Intertextualidade: Quanto à marcação (Explícita (cita a fonte), Implícita (paráfrase/alusão)); Quanto ao conteúdo (De forma (reproduz estrutura), De conteúdo (retoma ideias)); Função no trecho (Omitir sentimentos (disfarce), Não intensifica a dor)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“com texto próprio para o personagem situar-se sobre seus sentimentos e aludir a outro discurso que proferiu, empregada como catarse.”

Erro: contradiz o texto. A citação não é texto próprio do personagem — é verso de Seixas. Além disso, a função não é catarse (expressão direta dos sentimentos), mas disfarce: ele “desculpou-se” e cantarolou para não encarar a dor. A alternativa inverte o efeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“de forma e conteúdo, com utilização de gênero textual diverso, empregada quando o personagem reconhece que a fumaça faz bem.”

Erro: extrapolação + contradição. O texto não diz que a fumaça “faz bem” — ela apenas “justificava” as lágrimas. Além disso, a intertextualidade não utiliza “gênero textual diverso”: a canção é citada dentro da narrativa, mas não há mudança de gênero. A função também está errada: o personagem não reconhece que a fumaça faz bem; ele usa a fumaça como desculpa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“explícita, com citação do texto e referência ao seu autor, empregada quando o personagem omite a profusão de sentimentos que vivencia.”

Correta. O trecho traz citação literal (“Quem não tem colírio usa óculos escuros”) e referência ao autor (“a canção do Seixas”). A função é omitir os sentimentos: o personagem desculpa-se com a fumaça e cantarola para não enfrentar a dor. A palavra “omite” é exata — ele não expressa, esconde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“de forma e conteúdo, com utilização de mesmo gênero textual, empregada para o personagem indicar e intensificar seu sofrimento.”

Erro: contradiz o texto. A intertextualidade é explícita, mas a função está invertida: a citação não intensifica o sofrimento; ela o disfarça. O personagem canta para desviar a atenção da dor, não para “indicar e intensificar”. Além disso, “mesmo gênero textual” é impreciso — a canção é um gênero distinto da narrativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“explícita, com paráfrase do texto original e referência ao seu autor, empregada quando o personagem toma consciência da violenta situação.”

Erro: troca de conceito. A intertextualidade é explícita, mas não é paráfrase — é citação literal (o verso está entre aspas). Paráfrase seria reescrever com outras palavras. Além disso, o personagem não toma consciência da violência; ele foge dela, cantarolando. A alternativa mistura termos e inverte a função.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca “citação” por “paráfrase” (E) e inverte a função — diz que a citação “intensifica” o sofrimento (D) quando ela o omite. Fique atento ao verbo “desculpou-se”: ele é a chave para a função.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar intertextualidade, procure aspas, itálico ou menção ao autor. Se houver, é explícita; se não, é implícita (paráfrase/alusão). Depois, pergunte: a citação reforça ou disfarça a ideia do texto?

Conclusão: a alternativa C é a única que acerta o tipo (explícita, com citação e autor) e a função (omitir sentimentos). As demais ou trocam o tipo (E), ou invertem a função (A, D), ou acrescentam ideias ausentes (B).

Gabarito: letra C

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