Questão de Português — Frase, Oração e Período — VUNESP 2025
Português›Frase, Oração e Período
Código
vu218565
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Leia o excerto do conto de Conceição Evaristo para responder a questão a seguir: A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos. Dorvi se lembrou do combinado, o juramento feito em voz uníssona, gritado sob o pipocar dos tiros: — A gente combinamos de não morrer! Limpou os olhos. Lágrimas apontavam diversos sentimentos. A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado justificava qualquer gota ou rio-mar que surgisse e rolasse pela face abaixo. Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: “Quem não tem colírio usa óculos escuros.” A morte incendeia a vida, como se essa estopa fosse. Molambos erigem fumaça no ar. Na lixeira, corpos são incinerados. A vida é capim, mato, lixo, é pele e cabelo. É e não é. Na televisão deu: — Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!' (Conceição Evaristo, “A gente combinamos de não morrer”. Olhos d’água, 2016) Considerando a estrutura do período simples e dos grupos oracionais, conforme o conceitua Evanildo Bechara (2015), o período do último parágrafo “— Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!” admite a seguinte reescrita e análise, em conformidade com a norma-padrão:
A“Mataram a mulher, puseram o corpo dela na lixeira e atearam-lhe fogo”. = O período é composto por coordenação, e as orações têm sujeito agente indeterminado e verbos transitivos.
B“Mataram ela, puseram o corpo dela na lixeira e atearam fogo nele”. = O período é composto por subordinação, e as orações têm sujeito simples (“ela”) e verbos intransitivos.
C“Mataram-na, puseram-na o corpo dela na lixeira e atearam-no fogo”. = O período é composto por coordenação, e as três orações têm sujeito inexistente e verbos transitivos.
D“Mataram a mulher, puseram-lhe o corpo na lixeira e atearam-no fogo”. = O período é composto por subordinação, e as orações têm sujeito simples (“a mulher) e verbos intransitivos.
E“Mataram-lhe, puseram o corpo dela na lixeira e atearam fogo a ele”. = O período é composto por coordenação, e as orações têm sujeito oculto na desinência verbal e verbos transitivos.
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GabaritoA — “Mataram a mulher, puseram o corpo dela na lixeira e atearam-lhe fogo”. = O período é composto por coordenação, e as orações têm sujeito agente indeterminado e verbos transitivos.
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Reescrita e análise sintática: coordenação, sujeito indeterminado e transitividade
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que reescreve o período com correção gramatical e o analisa com precisão sintática: trata-se de um período composto por coordenação (três orações independentes), com sujeito indeterminado (verbos na 3ª pessoa do plural, sem referente explícito) e verbos transitivos (exigem complemento). A passagem que ancora a análise é o próprio período original: “— Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!”.
O comando
A questão pede duas coisas simultâneas: (1) uma reescrita do período que respeite a norma-padrão — ou seja, que mantenha o sentido e a correção gramatical, especialmente no uso dos pronomes oblíquos; e (2) a análise sintática dessa reescrita, classificando o período (simples/composto, coordenação/subordinação), o tipo de sujeito e a transitividade dos verbos. É uma questão de gramática aplicada ao texto, não de interpretação: a resposta se prova pela aplicação das regras de sintaxe ao trecho reescrito.
O texto e o período em foco
O excerto de Conceição Evaristo narra a morte violenta de uma mulher, cujo corpo é queimado numa lixeira. O período final, “— Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!”, é uma notícia — provavelmente o que “deu na televisão”. Sintaticamente, temos três orações:
“Mataram a mulher”
“puseram o corpo na lixeira”
“atearam fogo”
As três estão coordenadas entre si (assindéticas, ligadas por vírgula e pela conjunção “e”), pois nenhuma exerce função sintática em relação à outra — cada uma tem sentido autônomo. Não há subordinação. Os verbos estão na 3ª pessoa do plural (“mataram”, “puseram”, “atearam”) sem sujeito expresso e sem referente identificável no contexto: não se sabe quem matou, quem pôs, quem ateou. Isso caracteriza sujeito indeterminado. Quanto à transitividade: “matar” exige objeto direto (“a mulher”); “pôr” exige objeto direto (“o corpo”) e adjunto adverbial de lugar (“na lixeira”); “atear” exige objeto direto (“fogo”). Todos são transitivos.
A técnica que decide: pronomes oblíquos e a reescrita correta
A armadilha central da questão está na reescrita com pronomes oblíquos átonos. A norma-padrão exige:
Objeto direto → pronomes o, a, os, as (e variantes -lo, -la, -no, -na após verbos terminados em -r, -s, -z ou -m, -ão, -õe). Ex.: “Mataram a mulher” → “Mataram-na”.
A alternativa A aplica isso corretamente: “Mataram a mulher, puseram o corpo dela na lixeira e atearam-lhe fogo”. O pronome “dela” (adjunto adnominal) e “lhe” (objeto indireto) estão bem empregados. As demais alternativas erram ao usar “lhe” para objeto direto, “o” para objeto indireto, ou ao misturar pronomes de forma agramatical.
Análise das alternativas
Período composto por coordenação: 3 orações independentes (Mataram a mulher, Puseram o corpo na lixeira, Atearam fogo); Sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural, Sem referente identificável); Verbos transitivos (Matar (VTD), Pôr (VTD), Atear (VTD + VTI)); Reescrita correta (pronomes) (Objeto direto → o/a (mataram-na), Objeto indireto → lhe (atearam-lhe fogo))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reescrita “Mataram a mulher, puseram o corpo dela na lixeira e atearam-lhe fogo” está gramaticalmente correta: “dela” é adjunto adnominal de posse; “lhe” é objeto indireto de “atear” (atear fogo a alguém). A análise também é precisa: período composto por coordenação (três orações independentes), sujeito indeterminado (verbos na 3ª pessoa do plural sem referente) e verbos transitivos (matar = VTD; pôr = VTD; atear = VTD e VTI).
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Mataram ela” é coloquial e agramatical na norma-padrão: “ela” não pode ser objeto direto; o correto é “mataram-na”. Além disso, a análise erra ao classificar o período como subordinação (as orações são coordenadas) e os verbos como intransitivos (são transitivos). O sujeito não é “ela” — é indeterminado. Erros: contradiz o texto (classificação) e troca conceitos (transitividade).
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Mataram-na” está correto, mas “puseram-na o corpo dela” é agramatical: o pronome “na” já substitui “o corpo”, então não se pode repetir “o corpo dela” como objeto. Além disso, “atearam-no fogo” está errado: “no” é objeto direto, mas “fogo” já é o objeto direto; o correto seria “atearam-lhe fogo”. A análise também erra ao dizer que há sujeito inexistente (há indeterminado). Erros: contradiz o texto (sujeito) e troca conceitos (pronomes).
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Puseram-lhe o corpo” está errado: “pôr” é transitivo direto, então o pronome deve ser “o” (puseram-no), não “lhe”. “Atearam-no fogo” repete o erro da C. A análise erra ao classificar como subordinação e sujeito simples (“a mulher” é objeto direto, não sujeito). Erros: contradiz o texto (classificação) e troca conceitos (pronomes).
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Mataram-lhe” está errado: “matar” é transitivo direto, então o pronome deve ser “na” (mataram-na), não “lhe”. A análise erra ao dizer que há sujeito oculto (há indeterminado, pois não se identifica o referente pela desinência nem pelo contexto). Erros: contradiz o texto (sujeito) e troca conceitos (pronomes).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão clássica entre pronomes de objeto direto (o/a) e indireto (lhe), e entre sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural sem referente) e sujeito oculto (identificável pela desinência). A letra A é a única que acerta os dois pontos.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever com pronomes, pergunte: o verbo exige complemento com ou sem preposição? Sem preposição → o/a; com preposição → lhe. E para o sujeito: consigo identificar quem pratica a ação? Se não, é indeterminado.
Gabarito: letra A. A regra de ouro: a reescrita deve preservar o sentido e a correção gramatical, e a análise sintática deve descrever exatamente o que está na frase — coordenação, sujeito indeterminado e verbos transitivos.