Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2025
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Código
vu218572
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Considere o trecho de texto de aluno do Ensino Fundamental. A partir dos fundamentos teóricos de Nóbrega (2013), Bortoni-Ricardo (2004) e Pietroforte (em Fiorin [org.]: 2002), é coerente a seguinte análise sobre o texto discente:
Aa ausência de acentuação gráfica em “rapida” revela que a criança domina a escrita, mas não a pronúncia, provavelmente por falar sem atenção à tonicidade, o que prejudica principalmente o significado do signo linguístico.
Ba escrita “atatarugoa” corresponde a uma hipossegmentação, que se repete ao longo do texto sistematicamente, o que indica que os signos linguísticos, em geral, sofrem alterações tanto no significante quanto no significado.
Ca repetição de “corel” tem a finalidade de enfatizar a ação da lebre e sua escrita corresponde a uma hipercorreção, e o “l” no lugar de “u” mostra que houve alteração no significante, mas não no significado do signo linguístico.
Das formas “xeguou” e “xeguada”, de mesma etimologia, revelam intenção de enaltecer a vitória da tartaruga, e a escrita delas sugere a falta de domínio de regras de escrita, o que prejudica o significante do signo linguístico.
Ea alternância entre “atatarugoa” e “a tatarugoa” sugere que a criança está superando o problema de hipersegmentação, e sua escrita já é formalmente ortográfica, sem prejuízos ao significante e ao significado do signo linguístico.
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GabaritoC — a repetição de “corel” tem a finalidade de enfatizar a ação da lebre e sua escrita corresponde a uma hipercorreção, e o “l” no lugar de “u” mostra que houve alteração no significante, mas não no significado do signo linguístico.
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Análise de fenômenos de escrita infantil: hipercorreção e significante
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que se sustenta integralmente no texto: a repetição de “corel” tem finalidade enfática e sua escrita corresponde a uma hipercorreção — o “l” no lugar de “u” altera o significante (a forma da palavra), mas não o significado (o sentido permanece “correu”). As demais alternativas ou extrapolam o que o texto mostra, ou contradizem os fenômenos descritos.
O comando pede uma análise coerente com os fundamentos teóricos citados (Nóbrega, Bortoni-Ricardo, Pietroforte) sobre o texto discente. Isso significa que a resposta deve se apoiar exclusivamente no que o texto apresenta: as grafias “corel”, “atatarugoa”, “xeguou”, “xeguada”, “rapida”, entre outras. Não se trata de julgar se a criança “domina” ou “não domina” a escrita de modo geral, mas de identificar o fenômeno linguístico específico que cada grafia revela.
O texto (a imagem) mostra um texto infantil com desvios ortográficos típicos do processo de alfabetização. A grafia “corel” (por “correu”) é um caso clássico de hipercorreção: a criança, já tendo internalizado que, em algumas palavras, o som /u/ é grafado com “l” (como em “sol”, “mel”), aplica essa regra de forma exagerada, escrevendo “corel” com “l” final. Isso altera o significante (a sequência de letras), mas não o significado (o sentido de “correu” permanece). A repetição de “corel” no texto tem função enfática: reforça a ação da lebre, que correu rapidamente.
A alternativa C capta exatamente isso: “a repetição de ‘corel’ tem a finalidade de enfatizar a ação da lebre e sua escrita corresponde a uma hipercorreção, e o ‘l’ no lugar de ‘u’ mostra que houve alteração no significante, mas não no significado do signo linguístico”. É a única que nomeia corretamente o fenômeno (hipercorreção) e a distinção entre significante e significado.
As demais alternativas cometem erros de análise:
A afirma que a ausência de acentuação em “rapida” revela domínio da escrita, mas não da pronúncia — isso é uma extrapolação: o texto não fornece dados sobre a pronúncia da criança, apenas sobre a grafia. Além disso, a falta de acento não “prejudica o significado” — o sentido de “rápida” é compreensível mesmo sem o acento.
B diz que “atatarugoa” é uma hipossegmentação que se repete sistematicamente — mas o texto mostra também “a tatarugoa” (com separação), o que indica alternância, não repetição sistemática. Além disso, a afirmação de que “os signos linguísticos, em geral, sofrem alterações tanto no significante quanto no significado” é uma generalização que o texto não sustenta.
D afirma que “xeguou” e “xeguada” revelam intenção de enaltecer a vitória da tartaruga — isso é uma interpretação subjetiva sem base no texto; o texto não expressa intenção de enaltecimento. Além disso, a escrita “xeguou” (por “chegou”) é um desvio de ortografia (troca de “ch” por “x”), não uma questão de “falta de domínio de regras de escrita” que “prejudica o significante” — o significante é alterado, mas o significado permanece.
E afirma que a alternância entre “atatarugoa” e “a tatarugoa” sugere superação da hipersegmentação — mas o texto mostra hipossegmentação (junção indevida de palavras), não hipersegmentação. Além disso, a escrita não é “formalmente ortográfica”, pois há vários desvios.
Fenômenos de escrita infantil: Hipercorreção (Aplicação exagerada de regra, Ex.: "corel" (por "correu"), Altera significante, mantém significado); Hipossegmentação (Junção indevida de palavras, Ex.: "atatarugoa"); Hipersegmentação (Separação indevida, Ex.: "a tatarugoa"); Troca de letras (Ex.: "xeguou" (por "chegou"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A extrapola ao afirmar que a ausência de acentuação em “rapida” revela que a criança “domina a escrita, mas não a pronúncia”. O texto não fornece nenhuma informação sobre a pronúncia da criança; apenas mostra a grafia sem acento. Além disso, a falta de acento não “prejudica o significado” — o sentido de “rápida” é perfeitamente compreensível. O erro está em acrescentar uma explicação (falta de atenção à tonicidade) que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B contradiz o texto ao afirmar que “atatarugoa” é uma hipossegmentação que “se repete ao longo do texto sistematicamente”. O texto mostra também “a tatarugoa” (com separação), o que indica alternância entre hipo e hipersegmentação, não repetição sistemática. Além disso, a generalização de que “os signos linguísticos, em geral, sofrem alterações tanto no significante quanto no significado” é uma extrapolação — o texto não permite afirmar isso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto. A grafia “corel” (por “correu”) é um caso de hipercorreção: a criança aplica uma regra ortográfica de forma exagerada, trocando o “u” final por “l”. Isso altera o significante (a forma da palavra), mas não o significado (o sentido de “correu” permanece). A repetição de “corel” no texto tem função enfática, reforçando a ação da lebre. A alternativa nomeia corretamente o fenômeno e a distinção entre significante e significado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D extrapola ao afirmar que “xeguou” e “xeguada” revelam “intenção de enaltecer a vitória da tartaruga”. O texto não expressa nenhuma intenção de enaltecimento; é uma interpretação subjetiva sem base. Além disso, a escrita “xeguou” (por “chegou”) é um desvio de ortografia (troca de “ch” por “x”), não uma questão de “falta de domínio de regras de escrita” que “prejudica o significante” — o significante é alterado, mas o significado permanece.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E contradiz o texto ao afirmar que a alternância entre “atatarugoa” e “a tatarugoa” sugere superação da hipersegmentação. O texto mostra hipossegmentação (junção indevida de palavras), não hipersegmentação. Além disso, a escrita não é “formalmente ortográfica”, pois há vários desvios (como “corel”, “xeguou”, “rapida”). A afirmação de que não há prejuízos ao significante e ao significado também é falsa, pois há alterações no significante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hipercorreção (aplicação exagerada de uma regra) e hipossegmentação (junção indevida de palavras), além da distinção entre significante (forma) e significado (sentido). A alternativa C é a única que acerta os dois pontos.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar desvios de escrita infantil, identifique o fenômeno (hipercorreção, hipossegmentação, troca de letras) e verifique se a alternativa nomeia corretamente o fenômeno e se a explicação sobre significante/significado está de acordo com o texto.