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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218596
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Paulínia
Ano
2025
Cargo
Ag ( )

A complicada arte de ver

 

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamenteajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quandocortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto”.

 

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as Odes Elementares,de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

 

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. Mas existe algo na visão que não pertence à física. Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

 

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Por isso eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana.

 

(Rubem Alves. https://www.recantodasletras.com.br/artigos/4787266. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.   Considere o trecho:   • “Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.”   É correto afirmar que as frases poderiam ser unidas, respectivamente e em conformidade com as relações de sentido do texto original, pelas conjunções:
  1. Aainda que … porque.
  2. Bvisto que … embora.
  3. Cembora … mas.
  4. Dentretanto … assim.
  5. Epois … portanto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — pois … portanto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções e relações de sentido: unindo as frases do texto

Gabarito: letra E. A questão pede que você una as três frases do trecho com conjunções que preservem as relações de sentido originais. A única alternativa que faz isso é a E, com pois (explicação) e portanto (conclusão). Vejamos: a primeira frase afirma que há pessoas com visão perfeita que nada veem; a segunda explica por que isso acontece (o ato de ver não é natural); a terceira conclui que, por isso, ver precisa ser aprendido. A alternativa E reproduz exatamente essa cadeia lógica: explicação → conclusão.

O comando: o que a banca quer

O enunciado pede que você una as frases com conjunções que mantenham as relações de sentido do texto original. Isso é uma questão de reescritura com coesão sequencial: você não pode simplesmente juntar as frases; precisa escolher conectivos que reproduzam a lógica argumentativa do autor. A banca não pergunta o que o texto diz, mas como as ideias se conectam.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

No trecho, o autor afirma que muitas pessoas com visão perfeita nada veem. Em seguida, explica: o ato de ver não é coisa natural. E conclui: precisa ser aprendido. A relação entre as frases é clara:

  1. Fato/constatação: há pessoas que não veem, apesar da visão perfeita.

  2. Explicação: ver não é natural.

  3. Conclusão: por isso, ver precisa ser aprendido.

A alternativa E usa pois (conjunção explicativa) para ligar a primeira à segunda frase, e portanto (conjunção conclusiva) para ligar a segunda à terceira. Isso mantém a lógica do texto: a segunda frase explica a primeira, e a terceira é uma consequência da segunda.

A técnica: como identificar a relação correta

Para resolver, você deve ler as frases e perguntar: qual é a relação lógica entre elas? No trecho, a segunda frase responde por que a primeira é verdadeira (explicação), e a terceira é uma consequência da segunda (conclusão). As conjunções devem marcar exatamente essas relações.

  • Pois é uma conjunção explicativa (também pode ser causal, mas aqui explica uma constatação).

  • Portanto é uma conjunção conclusiva (indica que a frase seguinte é uma conclusão do que foi dito).

Nenhuma outra alternativa combina essas duas relações na ordem correta.

  1. 1Fato: visão perfeita, nada veem
  2. 2Explicação (pois): ver não é natural
  3. 3Conclusão (portanto): precisa ser aprendido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

ainda que … porqueainda que é uma conjunção concessiva (indica oposição, como "embora"), e porque é causal/explicativa. A primeira relação não é de concessão: o texto não diz que "apesar de haver pessoas de visão perfeita, elas nada veem" — isso até faria sentido, mas a segunda frase não é causa da primeira, e sim explicação. Além disso, a terceira frase não é consequência, mas conclusão. A alternativa troca a relação de explicação por concessão, alterando o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

visto que … emboravisto que é causal (indica causa), e embora é concessiva. A primeira relação não é de causa: a segunda frase não é a causa da primeira, mas a explicação. E a terceira frase não é uma oposição à segunda, mas uma conclusão. A alternativa inverte as relações e usa conectivos com sentido inadequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

embora … masembora é concessiva e mas é adversativa (oposição). A primeira relação não é de concessão, e a segunda não é de oposição. O texto não diz que "ver não é natural, mas precisa ser aprendido" como uma oposição; na verdade, a terceira frase é uma conclusão da segunda. A alternativa cria uma relação de contraste que não existe no original.

Alternativa D — ❌ Incorreta

entretanto … assimentretanto é adversativa (oposição), e assim pode ser conclusiva ou modal. A primeira relação não é de oposição: a segunda frase não contrasta com a primeira, mas a explica. A segunda relação até poderia ser conclusiva, mas a primeira já está errada, e assim é menos preciso que portanto para marcar conclusão. A alternativa falha na primeira conexão.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

pois … portantopois é explicativa (liga a segunda frase à primeira, explicando por que há pessoas que nada veem), e portanto é conclusiva (liga a terceira frase à segunda, indicando que ver precisa ser aprendido como consequência de não ser natural). Essa é exatamente a relação do texto: explicação → conclusão. Nenhuma outra alternativa preserva essa cadeia lógica.

NÃO CAIA NESSA!

Ao unir frases, identifique a relação de sentido antes de olhar as alternativas. Pergunte: a segunda frase explica, causa, contrasta ou conclui a primeira? Depois, escolha a conjunção que marca essa relação. Isso evita cair em pegadinhas com conectivos de sentido diverso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura conjunções de concessão (ainda que, embora) e oposição (mas, entretanto) para confundir quem não percebe que a relação é de explicação e conclusão. Fique atento à ordem: a segunda frase explica a primeira, e a terceira conclui a segunda.

Gabarito: letra E — pois (explicação) e portanto (conclusão).

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