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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — VUNESP 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
vu218606
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Paulínia
Ano
2025
Cargo
TCont ( )

Semana de Arte Moderna

 

A Semana de Arte Moderna apresenta-se como a primeira manifestação coletiva pública na história cultural brasileira a favor de um espírito novo e moderno em oposição à cultura e à arte de teor conservador, predominantes no país desde o século 19. Inserida nas festividades em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil em 1922, a Semana acontece no Teatro Municipal de São Paulo e inclui exposição com cerca de cem obras e três sessões literomusicais noturnas.

 

Entre os pintores, participam Anita Malfatti e Di Cavalcanti. No campo da escultura, estão presentes Victor Brecheret e Hildegardo Velloso. Entre os literatos e poetas, participam Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, além de Manuel Bandeira, com a leitura do poema “Os sapos”. A programação musical traz composições de Villa-Lobos e do francês Debussy.

 

Sem programa estético definido, a Semana desempenha, na história da arte brasileira, muito mais uma etapa destrutiva de rejeição ao conservadorismo vigente na produção literária, musical e visual do que um acontecimento construtivo de propostas e criação de novas linguagens. Se existe um elo entre seus tão diversos artífices, este se constitui, segundo seus dois ideólogos principais, Mário e Oswald de Andrade, na negação de todo e qualquer “passadismo”: a recusa à literatura e à arte importadas com os traços de uma civilização cada vez mais superada, no espaço e no tempo. Em geral, todos clamam em seus discursos por liberdade de expressão e pelo fim de regras na arte. Faz-se presente também um certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas em nome da sociedade da eletricidade, da máquina e da velocidade.

 

Com respeito à elaboração e à apresentação de uma linguagem verdadeiramente moderna, a Semana de Arte Moderna de 1922 não representa um rompimento profundo na história da arte brasileira. No entanto, há de se reconhecer que, a despeito de todos os seus antagonismos, esse evento configura -se como um fato cultural fundamental para a compreensão do desenvolvimento da arte moderna no Brasil, sobretudo pelos debates públicos mobilizados e pela riqueza de seus desdobramentos na obra de alguns de seus realizadores.

 

(Enciclopédia Itaú Cultural, Semana da Arte Moderna.

Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/eventos/ 125134-semana-de-arte-moderna. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Em “Faz-se presente também um certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas…”, a expressão destacada pode ser substituída, em conformidade com a norma-padrão de regência e emprego dos pronomes, por:

  1. Ano qual clama
  2. Bo qual requer
  3. Conde solicita
  4. Ddo qual se aspira
  5. Eaonde compele
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o qual requer

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e pronomes relativos: substituindo sem quebrar o sentido

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que respeita a regência do verbo e mantém o sentido original: o pronome relativo o qual retoma "ideário futurista" e o verbo requerer é transitivo direto, não exigindo preposição — exatamente como o verbo exigir do texto original. Como se lê no trecho: "Faz-se presente também um certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas". A substituição por "o qual requer" preserva a estrutura sintática e o significado.

O comando: substituição com norma-padrão

A questão pede uma substituição da expressão destacada "que exige" por outra em conformidade com a norma-padrão de regência e emprego dos pronomes. Isso significa que a alternativa correta deve:

  • usar um pronome relativo adequado ao antecedente ("ideário futurista" — coisa, não lugar);

  • empregar um verbo com a mesma transitividade do original (exigir é VTD — quem exige, exige algo);

  • não alterar o sentido da frase.

O comando não pede interpretação de texto, mas aplicação de regra gramatical sobre o trecho. A técnica é: identificar o antecedente, verificar a regência do verbo da oração adjetiva e testar cada alternativa.

O texto e o trecho em foco

O texto trata da Semana de Arte Moderna de 1922. No terceiro parágrafo, o autor afirma que havia um "certo ideário futurista" que exigia a deposição dos temas tradicionalistas. O trecho exato é:

"Faz-se presente também um certo ideário futurista, que exige a deposição dos temas tradicionalistas"

Aqui, o pronome relativo que retoma "ideário futurista" e exerce a função de sujeito do verbo exigir. O verbo exigir é transitivo direto (quem exige, exige algo — no caso, a deposição). Portanto, a substituição deve manter essa estrutura: pronome relativo como sujeito + verbo transitivo direto.

A regra que decide: regência verbal e pronomes relativos

A questão testa dois pontos centrais:

  1. Regência verbal: o verbo da oração adjetiva deve ter a mesma transitividade do original. Se o verbo original é VTD, o substituto também deve ser VTD, sem preposição.

  2. Emprego dos pronomes relativos: o pronome deve concordar com o antecedente e ser adequado ao contexto (coisa, lugar, etc.).

Exemplo prático:

  • Original: "o ideário futurista, que exige a deposição" → "que" = sujeito; "exigir" = VTD.

  • Substituição correta: "o ideário futurista, o qual requer a deposição" → "o qual" = sujeito; "requerer" = VTD.

Distinção importante: verbos como clamar, aspirar, solicitar podem ter regências diferentes. Por exemplo, clamar pode ser VTI (clamar por algo) ou VTD (clamar algo). Já requerer é sempre VTD. A banca explora exatamente essa confusão.

Análise das alternativas

Alternativa

Pronome relativo

Verbo

Regência do verbo

Adequação ao antecedente ("ideário futurista")

Resultado

A

no qual

clamar

VTI (clama por algo)

Preposição "em" inadequada; "clamar" não rege "em"

❌ Incorreta

B

o qual

requerer

VTD (requer algo)

"o qual" retoma coisa; VTD = mesma regência de "exigir"

✅ Correta

C

onde

solicitar

VTD (solicita algo)

"onde" só para lugar físico; "ideário" é ideia

❌ Incorreta

D

do qual

aspirar (desejar)

VTI (aspira a algo)

Preposição "de" ≠ "a" exigida; voz passiva altera estrutura

❌ Incorreta

E

aonde

compelir

VTD (compelir alguém a algo)

"aonde" indica movimento; não se aplica a ideia

❌ Incorreta

Alternativa A — ❌ Incorreta

"no qual clama" — O pronome "no qual" exige a preposição em (em + o qual), mas o verbo clamar não pede essa preposição. Além disso, "clamar" pode ser VTI (clamar por algo), o que alteraria a regência. A construção ficaria "no qual clama" — sem sentido claro, pois "clamar" não rege "em". Erro: troca de regência e pronome inadequado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"o qual requer" — O pronome relativo "o qual" retoma "ideário futurista" (coisa) e exerce função de sujeito. O verbo requerer é transitivo direto, assim como exigir, não exigindo preposição. A substituição preserva o sentido e a estrutura sintática. Correta: mantém regência e sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"onde solicita" — O pronome relativo onde só pode ser usado para lugar físico. "Ideário futurista" é uma ideia, não um lugar. Além disso, "solicitar" é VTD, mas o uso de "onde" já invalida a alternativa. Erro: uso inadequado de pronome relativo (lugar × coisa).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"do qual se aspira" — O verbo aspirar no sentido de "desejar" é VTI, exigindo a preposição a (aspirar a algo). A forma "do qual" usa a preposição de, que não é a exigida. Além disso, a voz passiva pronominal "se aspira" altera a estrutura. Erro: regência verbal incorreta (aspirar rege 'a', não 'de').

Alternativa E — ❌ Incorreta

"aonde compele" — O pronome aonde é usado para movimento (a + onde). "Ideário futurista" não é lugar, e o verbo compelir é VTD (compelir alguém a algo), mas a construção "aonde compele" não faz sentido com o antecedente. Erro: pronome inadequado e regência incorreta.

Conclusão

A alternativa B é a única que respeita a regência do verbo (VTD) e o emprego correto do pronome relativo (o qual para coisa). As demais ou usam pronome de lugar (onde/aonde), ou verbo com regência diferente (clamar/aspirar), ou preposição incorreta. Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir pronomes relativos, verifique: (1) o antecedente é pessoa, coisa ou lugar? (2) o verbo da oração adjetiva é VTD, VTI ou VTDI? (3) a preposição, se houver, é a exigida pelo verbo?

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