(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
1 esmaltar: colorir.
2 sensabor: insípido, desinteressante.
3 númen: ser divino.
Para responder à questão abaixo, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage. No contexto em que se insere, o termo “Nem” (3a estrofe) expressa ideia de
Aalternância.
Badição.
Cconsequência.
Dcausa.
Ecomparação.
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GabaritoB — adição.
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O valor semântico de "Nem" no soneto de Bocage
Gabarito: letra B. No contexto da 3ª estrofe, o termo "Nem" expressa ideia de adição — ele soma uma segunda queixa do eu lírico à anterior, funcionando como conjunção coordenativa aditiva equivalente a "e não". A passagem que ancora essa leitura é o par de versos:
"Por mais ardentes preces que lhe faço, / Meus ais não ouve o númen sonolento, / Nem prende a minha dor com tênue laço."
O "Nem" acrescenta uma nova informação (a divindade também não alivia a dor) à informação já dada (a divindade não ouve os lamentos), sem estabelecer alternância, consequência, causa ou comparação.
O comando da questão
O enunciado pergunta qual ideia o termo "Nem" expressa no contexto em que se insere. Isso é uma questão de semântica do conectivo: não se trata de decorar a classe gramatical, mas de perceber a relação lógica que a conjunção estabelece entre as orações. A banca quer que você leia o trecho e identifique se o "Nem" soma, opõe, alterna, conclui ou compara — e a resposta está na função coesiva que ele exerce ali.
O texto e o movimento argumentativo
O soneto descreve o sofrimento do eu lírico: de dia, a tristeza; de noite, a angústia. Na 3ª estrofe, ele se dirige ao "númen" (ser divino) e reclama que suas preces não são ouvidas. Observe a estrutura:
1ª oração: "Meus ais não ouve o númen sonolento" (a divindade não ouve os lamentos);
2ª oração: "Nem prende a minha dor com tênue laço" (a divindade também não alivia a dor).
O "Nem" acrescenta a segunda queixa à primeira. Se substituíssemos por "e não", o sentido se manteria: "não ouve os ais e não prende a dor". Isso é típico de conjunção aditiva — ela soma orações de mesmo valor, sem hierarquia entre elas.
A técnica que decide
Para classificar uma conjunção, o método é testar a substituição por outra da mesma classe e ver se o sentido se preserva:
Aditiva: "e", "nem", "tampouco" → "não ouve e não prende" ✓
Alternativa: "ou", "ora...ora" → "não ouve ou prende" ✗ (mudaria o sentido)
Causal: "porque", "pois" → "não ouve porque prende" ✗ (sem relação de causa)
Comparativa: "como", "tal qual" → "não ouve como prende" ✗ (sem comparação)
A única substituição que preserva o sentido é a aditiva. Além disso, lembre-se: "nem" é uma das conjunções coordenativas aditivas clássicas, ao lado de "e", "tampouco", "não só... mas também".
Alternância seria expressa por "ou", "ora...ora", "já...já" — ideia de escolha ou revezamento. No texto, não há alternância entre ouvir e não ouvir; há um acréscimo de uma queixa à outra. A banca tenta confundir com a ideia de "ou", mas o "Nem" não alterna, soma.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como provado acima, "Nem" é conjunção aditiva: acrescenta a segunda oração à primeira, ambas negativas, reforçando o lamento do eu lírico. A substituição por "e não" mantém o sentido integralmente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Consequência seria marcada por "portanto", "logo", "por isso" — a segunda oração seria efeito da primeira. No texto, "prende a minha dor" não é consequência de "não ouve os ais"; são duas queixas paralelas, somadas pelo "Nem".
Alternativa D — ❌ Incorreta
Causa seria expressa por "porque", "pois", "visto que" — a segunda oração explicaria o porquê da primeira. Não há relação de causa e efeito entre "não ouvir" e "não prender a dor"; são fatos independentes que se acumulam.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Comparação seria marcada por "como", "tal qual", "assim como" — estabeleceria analogia entre dois termos. O texto não compara nada; apenas adiciona uma informação à outra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "nem" (aditivo) e outras relações semânticas. A armadilha é achar que "nem" poderia indicar causa ou consequência por estar em um contexto de sofrimento, mas o conectivo, em si, soma orações — o sentido é de adição, não de explicação.
PEGA ESSA DICA!
Ao classificar conjunções, substitua o conectivo por outro da mesma classe e veja se o sentido se mantém. Se "e não" funciona, é aditiva; se "portanto" funciona, é conclusiva; se "porque" funciona, é causal. Esse teste resolve a maioria das questões.