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Questão de Português — Polissemia — VUNESP 2025

PortuguêsPolissemia
Código
vu218619
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )

Imagem associada para resolução da questão

A expressão “a preço de banana” ganhou um novo significado após um evento recente no mundo da arte. Uma obra conceitual do artista contemporâneo italiano Maurizio Cattelan, composta por uma banana presa à parede com fita adesiva, foi vendida por impressionantes 6,2 milhões de dólares (aproximadamente 36 milhões de reais), no dia 20.11.2024, na renomada casa de leilões Sotheby’s, em Nova York.

 

A obra, intitulada Comedian, foi arrematada em apenas cinco minutos pelo colecionador e empreendedor de criptomoedas chinês Justin Sun. Ele precisou enfrentar outros sete interessados em adquirir a obra. Contudo, o comprador não adquiriu apenas o artefato físico; pelo valor milionário, também recebeu um certificado de autenticidade e instruções detalhadas sobre como substituir a banana sempre que ela apodrecer. Curiosamente, a fruta original usada no trabalho foi comprada por 35 centavos de dólar em um mercado de bairro.

 

Justin Sun comentou a situação de forma bem-humorada: “Nos próximos dias, eu pessoalmente comerei a banana como parte dessa experiência artística única, homenageando seu lugar tanto na história da arte quanto na cultura popular.” A venda surpreendeu até os próprios representantes da Sotheby’s, que haviam estimado o valor máximo da obra em $1,5 milhão.

 

Criada como uma crítica satírica ao sistema da arte, a peça de Maurizio Cattelan questiona o que pode ou não ser considerado arte, além de denunciar as desigualdades na maneira como os artistas são remunerados em vendas de leilões, especialmente em comparação com galerias. “Com base em que um objeto adquire valor no sistema da arte?”, questionou o artista.

 

Comedian foi originalmente apresentada em 2019 na feira Art Basel Miami Beach, onde foi vendida por $120 mil a um casal de colecionadores que se interessaram pela polêmica e pelo debate que a obra gerou. “No final das contas, sentimos que a banana de Cattelan se tornará um objeto histórico icônico”, chegaram a afirmar na época.

 

(https://bravo.abril.com.br, 24.11.2024. Adaptado.)

Para responder à questão, leia o trecho de um artigo publicado pela revista Bravo! em 24.11.2024.

   

“A expressão ‘a preço de banana’ ganhou um novo significado após um evento recente no mundo da arte.” (1º parágrafo)

 

O “novo significado” adquirido pela expressão “a preço de banana” permitiria aproximá-la do sentido da seguinte expressão idiomática:

  1. A“custar os olhos da cara”.
  2. B“não acreditar nos próprios olhos”.
  3. C“dormir com um olho aberto”.
  4. D“fazer um pé-de-meia”.
  5. E“custe o que custar”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “custar os olhos da cara”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polissemia e expressões idiomáticas: o novo sentido de “a preço de banana”

Gabarito: letra A. A expressão “a preço de banana”, tradicionalmente usada para indicar algo muito barato, ganha no texto um sentido oposto: a banana de Cattelan foi vendida por 6,2 milhões de dólares, ou seja, por um preço altíssimo. A alternativa que melhor aproxima esse novo significado é “custar os olhos da cara”, que também expressa a ideia de algo extremamente caro. A passagem que ancora essa leitura está no 1º parágrafo: “foi vendida por impressionantes 6,2 milhões de dólares”.

A questão trabalha com polissemia — a multiplicidade de sentidos que uma mesma palavra ou expressão pode assumir conforme o contexto. No caso, a expressão idiomática “a preço de banana” é ressignificada pelo evento narrado: a banana, que normalmente é um símbolo de barateza, torna-se o objeto de uma venda milionária. O comando pede que você identifique qual das expressões das alternativas aproxima-se desse novo sentido, ou seja, qual delas carrega a ideia de custo elevado.

A técnica para resolver é simples: isole o sentido central da expressão no contexto e compare com o sentido de cada alternativa. “A preço de banana” no texto não significa “barato” — significa “caríssimo”, porque a obra foi arrematada por milhões. A única alternativa que expressa essa mesma ideia de preço exorbitante é “custar os olhos da cara”. As demais fogem completamente do campo semântico de valor monetário.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: “novo significado” indica que o sentido usual foi invertido — não procure sinônimo de “barato”, procure o oposto.

1Sentido usual
Algo muito barato
2Novo sentido (polissemia)
Algo caríssimo
Venda por 6,2 milhões
3Expressão equivalente
"Custar os olhos da cara"
"A preço de banana" no texto
LEVELsoulevel.com.br
"A preço de banana" no texto: Sentido usual (Algo muito barato); Novo sentido (polissemia) (Algo caríssimo, Venda por 6,2 milhões); Expressão equivalente ("Custar os olhos da cara")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Custar os olhos da cara” é uma expressão idiomática que significa ser muito caro, ter preço exorbitante. É exatamente o que o texto descreve: a obra Comedian foi vendida por 6,2 milhões de dólares, valor que surpreendeu até a própria Sotheby’s, que estimara o máximo em $1,5 milhão. A passagem que prova:

“foi vendida por impressionantes 6,2 milhões de dólares (aproximadamente 36 milhões de reais)”

O adjetivo “impressionantes” reforça a ideia de valor altíssimo. Portanto, a alternativa A é a única que traduz o novo sentido de “a preço de banana” — algo caríssimo, e não barato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Não acreditar nos próprios olhos” significa estar muito surpreso, não crer no que se vê. Embora a venda milionária possa causar surpresa, essa expressão não se refere a preço ou valor monetário. O texto fala de uma transação financeira, não de uma reação de incredulidade. A alternativa tangencia o tema: fala de algo relacionado (a surpresa com a venda), mas não do sentido central da expressão “a preço de banana”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Dormir com um olho aberto” significa ficar alerta, vigilante, desconfiado. Não há no texto qualquer menção a vigilância ou desconfiança. A expressão foge completamente ao campo semântico de valor/preço. É uma extrapolação absurda: nada no texto autoriza essa aproximação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Fazer um pé-de-meia” significa acumular dinheiro, fazer uma reserva financeira. Embora envolva dinheiro, o sentido é de economia, não de custo alto. O texto fala de uma venda por preço exorbitante, não de poupança. A alternativa restringe o sentido: pega o campo “dinheiro” mas o aplica a uma ideia diferente (acumular, não gastar muito).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Custe o que custar” significa independentemente do preço, não importa o custo. Essa expressão indica disposição para pagar qualquer valor, mas não descreve o valor em si como alto. O texto afirma que a obra foi vendida por um preço altíssimo, mas não diz que o comprador estava disposto a pagar “qualquer coisa”. A alternativa contradiz o foco: troca a ideia de “preço elevado” pela ideia de “disposição de pagar”.

Conclusão: a questão exige que você perceba a inversão de sentido da expressão “a preço de banana” no contexto. Enquanto o uso comum indica barateza, o texto a usa para ironizar uma venda milionária. A única alternativa que mantém o sentido de custo altíssimo é “custar os olhos da cara”.

Gabarito: letra A

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