Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2025
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Código
vu218629
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )
Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes
Como posso explicar em brando verso
Doce prazer, se o peito nunca o sente?
Musas, vós não ditais ao descontente
Senão queixas do seu fado adverso!
Linda cena, espetáculo diverso
Embora alegre o mundo me apresente,
Que em luto, isto que choro amargamente,
Me sepulta o vastíssimo Universo.
Jamais um dia alegre me afigura
A incerta e voadora fantasia,
Que a mágoa o não transborde em sombra escura.
Que quereis que vos diga da alegria,
Se vítima da negra desventura
Sirvo sempre a cruel melancolia?!
(Marquesa de Alorna. Sonetos, 2007.)
Leia o soneto da poeta portuguesa Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, também conhecida como Marquesa de Alorna, para responder à questão. De acordo com o soneto,
Aa melancolia constrange o eu lírico a escrever versos tristes.
Ba melancolia impede o eu lírico de se comunicar com as musas.
Cas musas ditam aos poetas apenas versos alegres.
Das musas ditam aos poetas apenas versos confusos.
Ea melancolia leva o eu lírico a uma estagnação criativa.
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GabaritoA — a melancolia constrange o eu lírico a escrever versos tristes.
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A melancolia como força criativa no soneto da Marquesa de Alorna
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que traduz fielmente o que o soneto afirma: a melancolia constrange o eu lírico a escrever versos tristes. Isso está explícito nos versos finais, quando o eu lírico pergunta retoricamente o que poderia dizer da alegria, já que, sendo "vítima da negra desventura", "Sirvo sempre a cruel melancolia?!" — ou seja, a melancolia o obriga a servir a ela, produzindo apenas versos tristes, como ele já havia explicado no início: "Musas, vós não ditais ao descontente / Senão queixas do seu fado adverso!".
O comando pede uma compreensão do texto ("De acordo com o soneto"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é identificar qual alternativa reproduz, com outras palavras, uma ideia que o texto sustenta diretamente. Não se trata de inferir algo implícito, mas de reconhecer a informação explícita.
O soneto é uma resposta a uma crítica: várias pessoas o arguem (acusam) de fazer sempre versos tristes. O eu lírico justifica essa constância: ele não consegue sentir doce prazer ("Doce prazer, se o peito nunca o sente?"), e as musas só lhe ditam queixas ("Musas, vós não ditais ao descontente / Senão queixas do seu fado adverso!"). Mesmo quando o mundo lhe apresenta uma "linda cena, espetáculo diverso", a mágoa o sepulta ("Que em luto, isto que choro amargamente, / Me sepulta o vastíssimo Universo").
A técnica decisiva é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a que parafraseia uma passagem literal; as incorretas ou extrapolam (acrescentam ideias como "impede de se comunicar" ou "estagnação criativa") ou contradizem o texto (como dizer que as musas ditam versos alegres, quando o texto diz o contrário).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com um fato que parece verdadeiro, mas que o texto não diz. Aqui, "impede de se comunicar" (B) e "estagnação criativa" (E) são invenções: o texto fala em servir à melancolia, não em ficar mudo ou parado.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando antes de ler as alternativas. "De acordo com o texto" = resposta explícita, paráfrase. Se fosse "infere-se", você poderia deduzir, mas sempre com pista no texto.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que "a melancolia constrange o eu lírico a escrever versos tristes". Isso é uma paráfrase direta dos versos finais:
"Que quereis que vos diga da alegria, / Se vítima da negra desventura / Sirvo sempre a cruel melancolia?!"
O verbo "Sirvo" indica submissão, obrigação: o eu lírico serve à melancolia, ou seja, ela o constrange (obriga, força) a produzir versos tristes. Além disso, o primeiro quarteto já dizia que as musas só ditam queixas ao descontente — e o eu lírico é descontente. A alternativa A não acrescenta nada: apenas reescreve com outras palavras o que o texto afirma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz que "a melancolia impede o eu lírico de se comunicar com as musas". Extrapolação. O texto não diz que há impedimento de comunicação; pelo contrário, o eu lírico fala com as musas ("Musas, vós não ditais...") e responde a elas ("Que quereis que vos diga da alegria?"). A melancolia não o silencia — ela o faz escrever versos tristes. A banca troca "constrange a escrever" por "impede de se comunicar", invertendo o efeito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que "as musas ditam aos poetas apenas versos alegres". Contradiz o texto. O eu lírico diz exatamente o oposto:
"Musas, vós não ditais ao descontente / Senão queixas do seu fado adverso!"
Ou seja, as musas ditam queixas (versos tristes) ao descontente, não versos alegres. A alternativa inverte o sentido com a palavra "alegres".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz que "as musas ditam aos poetas apenas versos confusos". Extrapolação + troca de termo. O texto fala em "queixas" e "fado adverso", não em "confusos". Não há nenhuma menção a confusão ou falta de clareza. A banca troca "tristes" por "confusos", mudando o sentido sem apoio no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que "a melancolia leva o eu lírico a uma estagnação criativa". Extrapolação. O texto mostra o eu lírico produzindo versos tristes (ele escreve o soneto), não parado ou estagnado. "Estagnação" sugere ausência de criação, mas o eu lírico está criando — só que versos tristes. A alternativa confunde "produzir algo triste" com "não produzir nada".
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a A, pois parafraseia a ideia de que a melancolia obriga o eu lírico a escrever versos tristes. As demais ou contradizem o texto (C) ou extrapolam com ideias que não estão nele (B, D, E).