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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218630
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )

Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes

 

Como posso explicar em brando verso

Doce prazer, se o peito nunca o sente?

Musas, vós não ditais ao descontente

Senão queixas do seu fado adverso!

 

Linda cena, espetáculo diverso

Embora alegre o mundo me apresente,

Que em luto, isto que choro amargamente,

Me sepulta o vastíssimo Universo.

 

Jamais um dia alegre me afigura

A incerta e voadora fantasia,

Que a mágoa o não transborde em sombra escura.

 

Que quereis que vos diga da alegria,

Se vítima da negra desventura

Sirvo sempre a cruel melancolia?!

 

(Marquesa de Alorna. Sonetos, 2007.)

Leia o soneto da poeta portuguesa Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, também conhecida como Marquesa de Alorna, para responder à questão.     O próprio título do soneto já antecipa seu teor
  1. Asarcástico.
  2. Bpolítico-social.
  3. Cnostálgico.
  4. Dmetalinguístico.
  5. Emístico-religioso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — metalinguístico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O título do soneto e a função metalinguística

Gabarito: letra D. O título "Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes" é metalinguístico porque fala sobre o próprio poema — sobre o ato de fazer versos —, e não sobre o conteúdo melancólico em si. A pista decisiva está no primeiro verso: "Como posso explicar em brando verso / Doce prazer, se o peito nunca o sente?", em que a poeta reflete sobre a própria produção poética, ou seja, a linguagem que fala da linguagem.

O comando

A questão pede que você identifique o teor do título, ou seja, a natureza do que ele anuncia. Não se trata de interpretar o conteúdo do poema (a tristeza, a melancolia), mas de perceber que o título antecipa uma reflexão sobre o próprio fazer poético. Isso é típico da função metalinguística: quando a mensagem fala dela mesma, do código, do ato de escrever.

O texto

O soneto é uma defesa da poeta diante da acusação de "fazer sempre versos tristes". Ela explica que não pode escrever sobre alegria porque seu peito só sente dor. Veja o movimento:

  • No primeiro quarteto, ela questiona: "Como posso explicar em brando verso / Doce prazer, se o peito nunca o sente?" — aqui ela fala sobre a dificuldade de escrever sobre o que não sente.

  • No segundo quarteto, ela afirma que, mesmo que o mundo lhe apresente "linda cena", ela está sepultada em luto.

  • Nos tercetos, ela conclui que sua fantasia nunca vê um dia alegre e que serve "sempre a cruel melancolia".

O título, portanto, não anuncia um poema sobre a tristeza em si, mas sobre a justificativa de por que seus versos são tristes. É uma reflexão sobre a própria poesia — daí o caráter metalinguístico.

A técnica

A função metalinguística ocorre quando a linguagem se volta para si mesma, explicando, definindo ou comentando o próprio código. No título, "Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes" já é um comentário sobre a produção poética da autora. O poema inteiro é uma resposta a essa acusação, ou seja, uma metalinguagem: fala-se sobre o ato de escrever versos.

Compare com as outras funções:

Função

Foco

Exemplo no texto

Emotiva

No emissor

"o peito nunca o sente" (expressão da dor)

Poética

Na mensagem

a forma do soneto, as rimas

Metalinguística

No código

"Como posso explicar em brando verso" (fala sobre o verso)

A alternativa D é a única que capta esse aspecto: o título antecipa que o poema discutirá a própria poesia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Sarcástico não é o teor do título. O poema é sério, melancólico, sem ironia ou zombaria. O título apenas registra a acusação que lhe fazem; não há tom de escárnio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Político-social é uma extrapolação. O texto não aborda questões políticas ou sociais; é uma reflexão pessoal sobre a poesia e a melancolia. Não há qualquer crítica social ou engajamento político.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Nostálgico remete a saudade de algo passado. O poema fala de dor presente, não de lembranças. O título não antecipa nostalgia, mas uma defesa da própria escrita.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O título é metalinguístico porque anuncia uma reflexão sobre o próprio fazer poético. O primeiro verso já o comprova: "Como posso explicar em brando verso" — a poeta fala sobre o verso, sobre a dificuldade de escrever. O poema é uma resposta a quem a acusa de fazer versos tristes, ou seja, a linguagem que comenta a linguagem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Místico-religioso não encontra apoio no texto. Não há referências a Deus, fé, oração ou transcendência. A melancolia é existencial, não religiosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o conteúdo do poema (tristeza, melancolia) e o teor do título (que fala sobre o próprio poema). Quem se fixa no tema da tristeza pode cair em "nostálgico" ou "sarcástico", mas o título é metalinguístico.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o teor de um título, pergunte: ele fala sobre o quê? Se fala sobre o próprio texto, é metalinguístico. Se fala sobre o mundo, é referencial. Se expressa emoção, é emotivo.

Gabarito: letra D.

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