Questão de Português — Função Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos — VUNESP 2025
Português›Função Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos
Código
vu218631
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )
Arguindo-me várias pessoas de fazer sempre versos tristes
Como posso explicar em brando verso
Doce prazer, se o peito nunca o sente?
Musas, vós não ditais ao descontente
Senão queixas do seu fado adverso!
Linda cena, espetáculo diverso
Embora alegre o mundo me apresente,
Que em luto, isto que choro amargamente,
Me sepulta o vastíssimo Universo.
Jamais um dia alegre me afigura
A incerta e voadora fantasia,
Que a mágoa o não transborde em sombra escura.
Que quereis que vos diga da alegria,
Se vítima da negra desventura
Sirvo sempre a cruel melancolia?!
(Marquesa de Alorna. Sonetos, 2007.)
Leia o soneto da poeta portuguesa Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, também conhecida como Marquesa de Alorna, para responder à questão. O referente do pronome oblíquo que consta da primeira estrofe é
A“fado adverso”.
B“descontente”.
C“peito”.
D“brando verso”.
E“Doce prazer”.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — “Doce prazer”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Referente do pronome oblíquo na primeira estrofe
Gabarito: letra E. O pronome oblíquo átono "o" em "se o peito nunca o sente" retoma "Doce prazer", termo mencionado no verso anterior. A prova está na estrutura do período: "Como posso explicar em brando verso / Doce prazer, se o peito nunca o sente?" — o pronome "o" substitui "Doce prazer", funcionando como objeto direto de "sente". As demais alternativas apontam termos que não são retomados por esse pronome.
O comando da questão
O enunciado pede o referente do pronome oblíquo da primeira estrofe. Isso é uma questão de coesão referencial anafórica: identificar a que termo anterior o pronome remete. Não se trata de interpretar o sentido do poema, mas de rastrear a cadeia de referência — quem o pronome substitui no texto.
O texto e a localização do pronome
Na primeira estrofe, o eu lírico diz que não consegue explicar o prazer, pois o peito nunca o sente:
"Como posso explicar em brando verso / Doce prazer, se o peito nunca o sente?"
Aqui, "o" é pronome pessoal oblíquo átono de 3ª pessoa, com função de objeto direto do verbo "sente". O que o peito não sente? O "Doce prazer". O pronome retoma exatamente esse sintagma, evitando a repetição: "se o peito nunca sente o Doce prazer".
A técnica de resolução
Para achar o referente de um pronome anafórico, pergunte: quem ou o quê o pronome substitui? No verso, "o" está no lugar de um substantivo masculino singular mencionado antes — "Doce prazer". A concordância também confirma: "o" (masculino singular) só pode retomar "Doce prazer", pois os demais termos da estrofe são femininos ("cena", "musas") ou não são objetos possíveis do verbo "sentir".
Alternativa A — ❌ Incorreta
"fado adverso" — O termo aparece na estrofe como "queixas do seu fado adverso", mas não é retomado pelo pronome "o" da primeira estrofe. O pronome está no verso 3, antes de "fado" ser mencionado (verso 4). Além disso, "fado" é masculino, mas o pronome "o" já se refere a "Doce prazer", não a um termo posterior.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"descontente" — "Descontente" é um adjetivo substantivado que designa o eu lírico ("ao descontente"), mas não é o objeto de "sente". O pronome "o" não retoma uma pessoa; retoma uma coisa — o prazer. Há aqui uma troca de referente: o candidato pode confundir o destinatário da queixa com o objeto sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"peito" — O "peito" é o sujeito da oração "se o peito nunca o sente", não o objeto. O pronome "o" é objeto direto; se retomasse "peito", teríamos "o peito nunca o sente a si mesmo", o que não faz sentido. A alternativa inverte a função sintática: troca sujeito por objeto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"brando verso" — "Brando verso" é o meio pelo qual se explicaria o prazer ("explicar em brando verso"), não o que o peito sente. O pronome "o" não retoma o verso; retoma o prazer que se quer explicar. A alternativa tangencia o texto: menciona um termo da mesma estrofe, mas sem relação de referência com o pronome.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Doce prazer" — É o único termo que o pronome "o" substitui. A prova está na reescrita sem pronome: "Como posso explicar em brando verso / Doce prazer, se o peito nunca sente Doce prazer?" O pronome exerce função anafórica, retomando o sintagma "Doce prazer" para evitar a repetição. A concordância (masculino singular) e a lógica do verbo "sentir" (sente-se um prazer, não um verso, um fado ou um peito) confirmam o referente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os termos da estrofe. O candidato pode marcar "peito" por estar próximo do pronome, mas "peito" é sujeito, não objeto. A pergunta certa é: o que o peito sente? — e a resposta é "Doce prazer".
PEGA ESSA DICA!
Para achar o referente de um pronome oblíquo, substitua o pronome pelo termo candidato e veja se a frase mantém o sentido. "O peito nunca sente o peito" não faz sentido; "o peito nunca sente o Doce prazer" faz.