Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2025
Português›Denotação e Conotação
Código
vu218637
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )
Santo do pau oco
A expressão, que designa o sujeito falso, fingido, surgiu em Minas Gerais nos tempos do Brasil colonial.D)Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...E)
Para escapar dos escorchantes1 tributos, os donos de minas e os grandes senhores de terras colocavam ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas no interior de imagens ocas de santos, feitas de madeira.C)Aí as deixavam guardadas, longe dos vorazes2 fiscaisA).
Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal. As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadas a parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes.B) Quanta devoção no exterior da peça, quanto pecado por dentro.
(Márcio Cotrim. O pulo do gato: o berço das palavras, 2005. Adaptado)
GLOSSÁRIO:
1 escorchantes: abusivos, exorbitantes.
2 vorazes: ambiciosos, mesquinhos.
Para responder a questão, leia o comentário do escritor Márcio Cotrim sobre a origem da expressão “santo do pau oco”. Considerando o contexto, está empregado em sentido irônico a palavra destacada em:
A“Aí as deixavam guardadas, longe dos vorazes fiscais.” (2º parágrafo)
B“As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadas a parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes.” (3º parágrafo)
C“Para escapar dos escorchantes tributos, os donos de minas e os grandes senhores de terras colocavam ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas no interior de imagens ocas de santos, feitas de madeira.” (2º parágrafo)
D“A expressão, que designa o sujeito falso, fingido, surgiu em Minas Gerais nos tempos do Brasil colonial.” (1º parágrafo)
E“Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...” (1º parágrafo)
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GabaritoE — “Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...” (1º parágrafo)
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Ironia: quando o autor diz o contrário do que pensa
Gabarito: letra E. A palavra "bonzinho" está empregada em sentido irônico: o autor chama o rei de Portugal de "nosso avozinho, tão bonzinho" justamente para criticá-lo, pois o texto mostra que ele cobrava "elevadíssimos impostos" — ou seja, o oposto de bondade. A ironia está em dizer o contrário do que se quer significar, e o contexto do 1º parágrafo deixa isso explícito.
O comando: identificar o sentido irônico
A questão pede que você reconheça, no contexto, a palavra empregada em sentido irônico. Isso não é uma questão de denotação (sentido literal) nem de conotação comum (metáfora, por exemplo), mas de uma figura de pensamento específica: a ironia, que consiste em afirmar o oposto do que se pensa, geralmente com intenção crítica ou humorística. Para resolvê-la, você precisa perceber a contradição entre o que a palavra diz e o que o texto realmente quer comunicar.
O texto: a crítica disfarçada de elogio
O texto explica a origem da expressão "santo do pau oco", que designa pessoa falsa. No 1º parágrafo, o autor descreve o contexto histórico: os impostos eram altíssimos e o rei de Portugal cobrava-os com rigor. É nesse cenário que ele escreve:
"Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho..."
A palavra "bonzinho" é um diminutivo afetivo, mas o contexto a desmente: o rei não era bondoso, pois cobrava impostos "elevadíssimos" e "escorchantes" (abusivos). O autor usa o termo carinhoso para ridicularizar o rei, criando um efeito irônico. Perceba que a ironia não está em uma palavra isolada, mas na relação entre ela e o restante do parágrafo.
A técnica: como reconhecer a ironia
A ironia é uma figura de pensamento em que o sentido real é o oposto do sentido literal. Para identificá-la, pergunte-se: o que o autor quer dizer com esta palavra? Se a resposta for o contrário do que a palavra significa, há ironia. No caso, "bonzinho" deveria significar "bondoso", mas o autor quer dizer "cruel", "explorador". O tom é de crítica e sarcasmo.
Compare com as outras alternativas: nelas, as palavras destacadas ("vorazes", "recheadas", "escorchantes", "falso") são usadas em sentido denotativo ou conotativo comum, mas sem a inversão de sentido que caracteriza a ironia.
Análise das alternativas
Ironia
1Conceito
Dizer o contrário do que se pensa
Intenção crítica ou humorística
2Como identificar
Contexto contradiz a palavra
Perguntar: "o autor realmente acha isso?"
3Confusões comuns
Conotação (metáfora) ≠ ironia
Adjetivo negativo ≠ ironia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Aí as deixavam guardadas, longe dos vorazes fiscais."
A palavra "vorazes" (ambiciosos, mesquinhos) descreve os fiscais de forma literal — eles eram mesmo ambiciosos. Não há inversão de sentido, apenas uma caracterização negativa. O autor não diz o contrário do que pensa; ele afirma diretamente. Erro: ausência de ironia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadas a parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes."
A palavra "recheadas" está em sentido conotativo (as imagens não eram recheadas de comida, mas de ouro), porém não há ironia: o autor descreve o contrabando de forma objetiva, sem dizer o contrário do que pensa. É uma metáfora, não ironia. Erro: confunde conotação com ironia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Para escapar dos escorchantes tributos..."
"Escorchantes" (abusivos, exorbitantes) é usado em sentido denotativo — os tributos eram realmente abusivos. Não há inversão de sentido. O autor afirma o que pensa, sem ironia. Erro: ausência de ironia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A expressão, que designa o sujeito falso, fingido..."
A palavra "falso" está em sentido denotativo — é a definição da expressão. Não há qualquer inversão de sentido. Erro: ausência de ironia.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho..."
A palavra "bonzinho" é o exemplo clássico de ironia: o autor usa um termo afetivo e positivo para se referir a alguém que, segundo o próprio texto, cobrava impostos "elevadíssimos" e "escorchantes". O sentido real é o oposto: o rei não era bondoso, era explorador. A ironia está na contradição entre a palavra e o contexto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você confundir ironia com conotação (metáfora) ou com adjetivos negativos. Lembre-se: ironia é dizer o contrário do que se pensa, não apenas usar uma palavra em sentido figurado.
PEGA ESSA DICA!
Ao procurar ironia, pergunte-se: "o autor realmente acha isso?" Se o contexto mostra o oposto, é ironia. Grife as palavras que expressam avaliação (bonzinho, voraz, escorchante) e veja se o texto as confirma ou as contradiz.
Conclusão: a ironia é uma figura de pensamento que inverte o sentido literal. A única alternativa em que isso ocorre é a E, pois "bonzinho" contradiz o contexto de impostos abusivos. Nas demais, as palavras são usadas em sentido denotativo ou conotativo comum, sem inversão irônica.