A expressão, que designa o sujeito falso, fingido, surgiu em Minas Gerais nos tempos do Brasil colonial.A)Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...C)
Para escapar dos escorchantes1 tributos, os donos de minas e os grandes senhores de terras colocavam ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas no interior de imagens ocas de santos, feitas de madeira.B) Aí as deixavam guardadas, longe dos vorazes2 fiscais.
Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal.D)As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadas a parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes.A) Quanta devoção no exterior da peça, quanto pecado por dentro.
(Márcio Cotrim. O pulo do gato: o berço das palavras, 2005. Adaptado)
GLOSSÁRIO:
1 escorchantes: abusivos, exorbitantes.
2 vorazes: ambiciosos, mesquinhos.
Para responder a questão, leia o comentário do escritor Márcio Cotrim sobre a origem da expressão “santo do pau oco”. O segmento sublinhado exerce a função sintática de sujeito da forma verbal destacada em:
A“As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadasa parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes.” (3º parágrafo).
B“Para escapar dos escorchantes tributos, os donos de minas e os grandes senhores de terras colocavam ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas no interior de imagens ocas de santos, feitas de madeira.” (2º parágrafo).
C“Naquela época, auge da mineração, eramelevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...” (1º parágrafo).
D“Muitas vezes, desse hábito insólito nasciao contrabando entre Brasil e Portugal.” (3º parágrafo).
E“A expressão, que designa o sujeito falso, fingido, surgiu em Minas Gerais nos tempos do Brasil colonial.” (1º parágrafo).
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GabaritoD — “Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal.” (3º parágrafo).
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Sujeito em ordem inversa: a técnica de perguntar "quem?" antes do verbo
Gabarito: letra D. O segmento sublinhado "o contrabando entre Brasil e Portugal" é o sujeito do verbo "nascia", pois responde à pergunta "o que nascia?" — e o verbo nascer é intransitivo, não exige complemento. A oração está em ordem inversa (verbo antes do sujeito), o que faz o candidato desavisado confundir o adjunto adverbial "desse hábito insólito" com o sujeito. Como se lê no 3º parágrafo: "Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal."
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique, entre os trechos sublinhados, aquele que exerce a função de sujeito da forma verbal destacada. Isso é uma questão de análise sintática — você precisa reconhecer a função de cada termo na oração, não apenas o sentido. A banca não quer que você interprete o texto, mas que aplique a técnica de identificação do sujeito: perguntar "quem?" ou "o quê?" antes do verbo. Se a resposta for um termo da oração, ele é o sujeito; se não houver resposta, o sujeito é indeterminado ou inexistente.
O texto e a técnica
O texto de Márcio Cotrim explica a origem da expressão "santo do pau oco". Cada alternativa traz um trecho com um termo sublinhado e um verbo destacado. Para resolver, você deve isolar a oração e aplicar a pergunta ao verbo. Veja o exemplo da alternativa D:
"Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal."
Pergunte: o que nascia? Resposta: o contrabando entre Brasil e Portugal. Logo, esse é o sujeito. O termo "desse hábito insólito" indica origem (de onde nasce algo), funcionando como adjunto adverbial — não é sujeito. O verbo nascer é intransitivo: não pede objeto direto nem indireto, apenas admite adjuntos adverbiais.
A ordem inversa (verbo antes do sujeito) é comum em construções com verbos intransitivos e em textos literários. Para não se perder, inverta a ordem mentalmente: "o contrabando entre Brasil e Portugal nascia desse hábito insólito" — agora o sujeito aparece antes do verbo, e a função fica clara.
A armadilha central
A banca explora a confusão entre sujeito e adjunto adverbial. Em "desse hábito insólito", a preposição "de" indica que o termo não pode ser sujeito (sujeito não vem preposicionado). Além disso, as distratoras usam verbos transitivos (enviar, colocar, designar) que exigem objeto direto — o que desloca a atenção para o complemento, não para o sujeito. A única alternativa em que o termo sublinhado é realmente o sujeito é a D.
Análise das alternativas
Sujeito: pergunta "quem?"/"o quê?" antes do verbo: Ordem direta (Sujeito antes do verbo); Ordem inversa (Verbo antes do sujeito, Ex.: "nascia o contrabando"); Termos que NÃO são sujeito (Objeto direto (sem preposição), Objeto indireto (com preposição), Predicativo do sujeito, Adjunto adverbial (com preposição), Oração adjetiva (pronome relativo))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"As imagens maiores, devidamente recheadas, eram enviadas a parentes distantes, inclusive de além-mar, como se fossem presentes."
O verbo "eram enviadas" está na voz passiva analítica. O sujeito é "As imagens maiores" (quem eram enviadas? As imagens maiores). O termo sublinhado "a parentes distantes" é objeto indireto (complemento do verbo enviar: envia-se algo a alguém). A alternativa troca o sujeito pelo objeto indireto — erro clássico de análise sintática.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Para escapar dos escorchantes tributos, os donos de minas e os grandes senhores de terras colocavam ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas no interior de imagens ocas de santos, feitas de madeira."
O verbo "colocavam" é transitivo direto e indireto. O sujeito é "os donos de minas e os grandes senhores de terras" (quem colocavam? Eles). O termo sublinhado "ouro em pó, pedras preciosas e outras riquezas" é objeto direto (o que colocavam?). A alternativa confunde objeto direto com sujeito — o verbo transitivo exige complemento, e o candidato pode achar que o complemento é o sujeito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Naquela época, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho..."
O verbo "eram" é de ligação (predicativo do sujeito). O sujeito é "os impostos cobrados pelo rei de Portugal" (o que eram elevadíssimos? Os impostos). O termo sublinhado "elevadíssimos" é predicativo do sujeito — atribui qualidade ao sujeito, não é o sujeito. A alternativa troca sujeito por predicativo — erro comum em orações com verbo de ligação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Muitas vezes, desse hábito insólito nascia o contrabando entre Brasil e Portugal."
Como já explicado, o verbo "nascia" é intransitivo e está em ordem inversa. O sujeito é "o contrabando entre Brasil e Portugal" — responde à pergunta "o que nascia?". O termo "desse hábito insólito" é adjunto adverbial de origem (preposição "de" + substantivo). A alternativa está correta porque o termo sublinhado exerce, de fato, a função de sujeito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"A expressão, que designa o sujeito falso, fingido, surgiu em Minas Gerais nos tempos do Brasil colonial."
O verbo "surgiu" é intransitivo. O sujeito é "A expressão" (o que surgiu? A expressão). O termo sublinhado "que designa o sujeito falso, fingido" é uma oração subordinada adjetiva explicativa — funciona como adjunto adnominal do núcleo "expressão", não como sujeito. A alternativa confunde oração adjetiva com sujeito — o pronome relativo "que" retoma o antecedente, mas não é o sujeito da oração principal.
Conclusão
A técnica que resolve esta questão é perguntar "quem?" ou "o quê?" antes do verbo e verificar se o termo responde. Na alternativa D, "o contrabando entre Brasil e Portugal" responde — é o sujeito. Nas demais, o termo sublinhado é objeto indireto, objeto direto, predicativo ou oração adjetiva. Gabarito: letra D.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de sujeito, desconfie de termos preposicionados ("de", "para", "a") — sujeito nunca vem precedido de preposição. E lembre: verbo intransitivo + ordem inversa = sujeito depois do verbo.