Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2025
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu218644
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora1,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia;
Enquanto com gentil descortesia2
O ar, que fresco Adônis3 te namora,
Te espalha a rica trança voadora,C)
Quando vem passear-te pela fria4;A)
Goza, goza da flor da mocidade,E)
Que o tempo trota5 a toda a ligeireza
E imprime em toda a flor sua pisada.B)
Oh, não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza,D)
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010. Adaptado)
GLOSSÁRIO:
1 Aurora: personificação do nascer do dia, ou seja, do início da manhã.
2 descortesia: falta de cortesia, de polidez; incivilidade, grosseria.
3 Adônis: divindade mitológica, protótipo da beleza masculina.
4 pela fria: pela madrugada
5 trotar: andar a trote.
Para responder a questão, leia o soneto do poeta barroco Gregório de Matos (1633-1696). O modo verbal imperativo é utilizado para expressar comandos, conselhos, solicitações ou orientações. Sua finalidade é a de induzir o interlocutor a cumprir a ação indicada pelo verbo. O eu lírico faz uso do modo imperativo no seguinte verso:
A“Quando vem passear-te pela fria;” (2ª estrofe)
B“E imprime em toda a flor sua pisada.” (3ª estrofe)
C“Te espalha a rica trança voadora,” (2ª estrofe)
D“Te converta essa flor, essa beleza,” (4ª estrofe)
E“Goza, goza da flor da mocidade,” (3ª estrofe)
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GabaritoE — “Goza, goza da flor da mocidade,” (3ª estrofe)
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Modo imperativo no soneto de Gregório de Matos
Gabarito: letra E. O verso “Goza, goza da flor da mocidade,” é o único em que o verbo está no modo imperativo — forma usada para ordem, conselho, pedido ou orientação, exatamente o que o eu lírico faz ao exortar Maria a aproveitar a juventude. A pista decisiva está na repetição do verbo (“Goza, goza”), recurso típico de ênfase em comandos, e no contexto de exortação que percorre o poema: o eu lírico não descreve um fato (indicativo) nem uma hipótese (subjuntivo), mas induz a interlocutora a agir.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique o verso em que o eu lírico faz uso do modo imperativo. Isso é uma tarefa de reconhecimento de modo verbal — não de interpretação de sentido figurado nem de análise sintática. Você precisa, portanto, olhar para a forma do verbo e, principalmente, para o efeito de sentido que ele produz no contexto: o imperativo é o modo da apelação, do chamado à ação. A banca não quer que você decore a conjugação de “gozar”; quer que você perceba que, no poema, há um apelo direto à Maria — e isso só acontece no verso da alternativa E.
O texto: um convite à fruição da juventude
O soneto de Gregório de Matos é um carpe diem barroco: o eu lírico exorta uma moça (Maria) a gozar a mocidade antes que o tempo a destrua. O movimento argumentativo é claro: nas duas primeiras estrofes, ele descreve a beleza atual dela (as faces rosadas, os olhos, a trança), sempre com verbos no presente do indicativo — “vemos”, “espalha”, “vem” — que constatam a realidade. A virada acontece na terceira estrofe, com o imperativo “Goza, goza”, seguido da justificativa: “Que o tempo trota a toda a ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada.” O eu lírico não está apenas descrevendo; está ordenando/conselhando que Maria aproveite o momento. A quarta estrofe reforça o aviso com o subjuntivo “converta” (desejo/hipótese) e o futuro do presente “aguardes” (que, no contexto, tem valor de conselho, mas não é imperativo).
A técnica: como reconhecer o imperativo
O modo imperativo tem uma característica única: não possui a 1ª pessoa do singular (não se dá ordem a si mesmo) e é usado sempre em frases dirigidas ao interlocutor (2ª pessoa do singular/plural, ou 3ª pessoa com valor de tratamento). No poema, o eu lírico se dirige diretamente a Maria — “Goza, goza” é um comando direto. Para não errar, pergunte-se: o verbo expressa um fato (indicativo), uma hipótese/desejo (subjuntivo) ou uma ordem/conselho (imperativo)? No verso E, a repetição e o contexto de exortação deixam claro o valor imperativo. Nas demais alternativas, os verbos estão no presente do indicativo (A, B, C) ou no presente do subjuntivo (D), como veremos a seguir.
1Verbo expressa ordem/conselho?
2Dirigido a interlocutor?
3Sem 1ª pessoa do singular
4Repetição reforça apelo
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Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Quando vem passear-te pela fria;”
O verbo “vem” está no presente do indicativo (3ª pessoa do singular), descrevendo uma ação habitual ou que ocorre no momento — não expressa ordem, conselho ou pedido. O eu lírico está descrevendo o hábito de Maria de passear pela madrugada, não a exortando a fazê-lo. Erro: contradiz o texto — o verbo não tem valor imperativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“E imprime em toda a flor sua pisada.”
O verbo “imprime” está no presente do indicativo (3ª pessoa do singular), referindo-se ao tempo (personificado) que “imprime sua pisada” nas flores. É uma constatação sobre a ação do tempo, não uma ordem dirigida a alguém. Erro: contradiz o texto — o sujeito é “o tempo”, não a interlocutora; não há apelo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Te espalha a rica trança voadora,”
O verbo “espalha” está no presente do indicativo (3ª pessoa do singular), descrevendo a ação do ar (personificado como Adônis) que espalha a trança de Maria. Novamente, é uma descrição da cena, não um comando. Erro: contradiz o texto — o sujeito é “o ar”, não a interlocutora.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Te converta essa flor, essa beleza,”
O verbo “converta” está no presente do subjuntivo (3ª pessoa do singular), expressando desejo, hipótese ou possibilidade — “que a madura idade te converta essa flor em cinza”. O eu lírico teme essa conversão, não a ordena. O subjuntivo é o modo da incerteza, do que pode ou não acontecer. Erro: contradiz o texto — o modo é subjuntivo, não imperativo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Goza, goza da flor da mocidade,”
O verbo “goza” está no imperativo afirmativo (2ª pessoa do singular), expressando ordem, conselho ou exortação. A repetição (“Goza, goza”) reforça o apelo, e o contexto — “da flor da mocidade” — indica que o eu lírico induz Maria a agir: aproveitar a juventude antes que o tempo a destrua. É o único verso em que o verbo tem valor claramente imperativo, dirigido diretamente à interlocutora.
Conclusão
A questão testa a distinção entre os modos verbais no contexto. O imperativo é o modo da apelação — e só aparece no verso E. As demais alternativas usam o indicativo (fatos) ou o subjuntivo (hipóteses/desejos), que não expressam ordem ou conselho. Dica: ao identificar o imperativo, procure o verbo no início da frase ou repetido, e verifique se há um interlocutor sendo exortado — se o verbo descreve um fato ou uma possibilidade, não é imperativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o imperativo e o presente do subjuntivo/indicativo, especialmente em formas verbais que podem parecer semelhantes. Fique atento ao sujeito e ao valor semântico do verbo no contexto.
PEGA ESSA DICA!
Para reconhecer o imperativo, pergunte: “o verbo expressa uma ordem, conselho ou pedido dirigido a alguém?” Se sim, é imperativo. Se expressa um fato (indicativo) ou uma hipótese/desejo (subjuntivo), não é.