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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218647
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )

De repente, me vi na estação central com roupa limpa e passada e uma maleta. Estava sendo enviado a um colégio interno em Rio Novo, uma pequena cidade que ficava a cerca de três horas de Juiz de Fora. Meu problema era indisciplina, incapacidade de obedecer a ordens, cumprir horários. E um pouco de atrevimento, pois escrevia frases sem nexo nas composições, como uma espécie de protesto contra os temas que me pareciam muito formais.

 

Não tinha um guarda-pó para me proteger da fuligem, mas era o de menos. Não havia proteção contra a saudade antecipada das ruas da infância, dos amigos que ainda restavam ali. O trem passava pelo nosso bairro, eu corria de um lado para outro para ver a paisagem: de um lado os trilhos do bonde, de outro o curso do rio, na sua decantada missão de banhar a cidade. “Eu tenho uma pena do rio Paraibuna, não pode deixar de passar em Juiz de Fora”, disse, certa vez, um grande poeta nascido na cidade, Murilo Mendes. Pois, naquele momento, eu invejava o Paraibuna porque não só passava pela cidade, como avançava rumo ao Rio de Janeiro, lugar do meu sonho.

 

(Fernando Gabeira. Onde está tudo aquilo agora?, 2012)

Leia o texto para responder a questão.

   

Mantendo-se o sentido do texto, o trecho do 2º parágrafo “Eu tenho uma pena do rio Paraibuna, não pode deixar de passar em Juiz de Fora” está corretamente reescrito em:

  1. AEnquanto o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.
  2. BComo o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.
  3. CConforme o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.
  4. DEmbora o rio Paraibuna não possa deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.
  5. ELogo o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Como o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com manutenção de sentido: a relação de causa no trecho de Gabeira

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que preserva a relação lógica de causa entre as duas orações do trecho original: o fato de o rio Paraibuna não poder deixar de passar por Juiz de Fora é a razão pela qual o poeta Murilo Mendes tem pena dele. A reescrita com o conectivo Como (causal) mantém exatamente esse sentido, como se lê no 2º parágrafo do texto: “Eu tenho uma pena do rio Paraibuna, não pode deixar de passar em Juiz de Fora”.

O comando pede uma reescrita que mantenha o sentido do trecho. Isso significa que a nova redação deve preservar a relação semântica entre as orações, mesmo que mude a ordem ou a forma de expressão. Aqui, a relação é de causa e consequência: a impossibilidade de o rio não passar pela cidade (causa) gera a pena do poeta (consequência). O conectivo que expressa essa relação é o causal — e é exatamente isso que a letra B faz com o Como.

A técnica para resolver é simples: identifique a relação lógica entre as orações no trecho original e, em seguida, teste cada alternativa perguntando: o conectivo usado mantém essa relação? Conectivos têm valores semânticos próprios — Como (causa), Enquanto (tempo), Conforme (conformidade), Embora (concessão), Logo (conclusão). Trocar um por outro altera o sentido, ainda que a frase continue gramaticalmente correta.

PEGA ESSA DICA!

Antes de ler as alternativas, sublinhe o conectivo ou a relação implícita entre as orações do trecho. Pergunte: “por que o poeta tem pena do rio?” — a resposta é a causa, e o conectivo correto será o que expressa causa.

1Causa (porque, já que)
Como
2Tempo (simultaneidade)
Enquanto
3Conformidade (acordo, modo)
Conforme
4Concessão (oposição, ressalva)
Embora
5Conclusão (dedução)
Logo
Conectivos e seus valores semânticos
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Conectivos e seus valores semânticos: Causa (porque, já que) (Como); Tempo (simultaneidade) (Enquanto); Conformidade (acordo, modo) (Conforme); Concessão (oposição, ressalva) (Embora); Conclusão (dedução) (Logo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Enquanto é um conectivo temporal (ou, em alguns contextos, proporcional). Ele indica simultaneidade ou duração, não causa. A frase “Enquanto o rio não pode deixar de passar, eu tenho pena” sugere que as duas ações ocorrem ao mesmo tempo, mas não que uma é a razão da outra. O texto, porém, estabelece uma relação de causa: a pena decorre do fato de o rio passar pela cidade. A alternativa troca o valor semântico do conectivo, alterando o sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como é um conectivo causal — equivale a “porque”, “já que”, “uma vez que”. Na reescrita, “Como o rio Paraibuna não pode deixar de passar em Juiz de Fora, eu tenho uma pena dele” expressa exatamente a mesma relação do original: a impossibilidade de o rio não passar é a causa da pena. A ordem das orações foi invertida (causa antes da consequência), mas o sentido permanece idêntico. É a única alternativa que preserva a relação de causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conforme é um conectivo conformativo — indica conformidade, acordo, modo (“conforme o combinado”, “conforme o relatório”). Não expressa causa. A frase “Conforme o rio não pode deixar de passar, eu tenho pena” sugere que a pena está de acordo com o fato de o rio passar, o que não é o sentido original. A alternativa troca o valor semântico do conectivo, alterando a relação lógica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora é um conectivo concessivo — indica oposição, ressalva, quebra de expectativa (“embora chova, vou sair”). Na reescrita, “Embora o rio não possa deixar de passar, eu tenho pena” estabelece uma relação de contraste: a pena ocorre apesar de o rio passar. Isso contradiz o texto, que apresenta a pena como consequência do fato de o rio passar. A alternativa inverte a relação lógica, transformando causa em concessão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Logo é um conectivo conclusivo — indica conclusão, dedução (“estudou, logo passou”). Na reescrita, “Logo o rio não pode deixar de passar, eu tenho pena” inverte a relação: o fato de o rio passar seria a conclusão tirada da pena, quando no texto é a causa dela. A alternativa inverte a relação de causa e consequência, alterando o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conectivos com valores semânticos diferentes. A armadilha está em escolher um conectivo que pareça “fazer sentido” na frase, mas que mude a relação lógica. O teste decisivo é perguntar: qual conectivo expressa causa? — e a resposta é Como.

Gabarito: letra B.

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