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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218652
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )

Presente de Grego

 

Páris, filho do rei Príamo, de Troia, rapta a belíssima Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta. Para se vingar, Menelau forma um poderoso exército. Explode sangrento conflito, que dura dez anos.

 

Numas das investidas, os gregos, espertos, conseguem enganar os troianos. Como quem não quer nada, deixam à porta dos muros fortificados da cidade inimiga um enorme cavalo de madeira, o chamado Cavalo de Troia, autêntico presente de grego. Assim conta a lenda – e mostra o cinema, em filme de estrondoso sucesso.

 

Os ingênuos troianos, agradecidos pelo presente, abrem as portas e põem o equino para dentro. Na calada da noite, os soldados gregos, escondidos, saem do interior do cavalão e, graças ao efeito surpresa, quase sem resistência arrasam impiedosamente a cidade.

 

Esta é a origem da expressão presente de grego. Até hoje, muita gente também é seduzida por mimos que, na verdade, disfarçam um saco de maldades. É que o homem nunca deixou de ser o lobo do homem...

 

(Márcio Cotrim. O pulo do gato: o berço das palavras, 2005. Adaptado)

Para responder a questão, leia o comentário do escritor Márcio Cotrim sobre a origem da expressão “presente de grego”.     Os ditados populares são frases curtas que condensam experiências de vida e conhecimentos acumulados ao longo do tempo. Um ditado popular brasileiro que teria sido de grande valia para os troianos é:
  1. AA cavalo dado não se olha os dentes.
  2. BEm terra de cego, quem tem olho é rei.
  3. CÁgua mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
  4. DQuando um burro fala, o outro abaixa a orelha.
  5. EQuando a esmola é demais, o santo desconfia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ditados populares e a origem de "presente de grego"

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que traduz a lição central do texto: os troianos aceitaram um presente que, na verdade, escondia uma armadilha, e o ditado "Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha" expressa exatamente essa desconfiança diante de um favor suspeito. O texto narra que os gregos "deixam à porta dos muros fortificados da cidade inimiga um enorme cavalo de madeira" e que os "ingênuos troianos, agradecidos pelo presente, abrem as portas", sendo depois arrasados. A expressão "presente de grego" nasce justamente dessa situação em que um presente aparentemente benigno esconde uma intenção maligna.

O comando da questão pede que se identifique qual ditado popular "teria sido de grande valia para os troianos", ou seja, qual conselho popular, se seguido, teria evitado a tragédia. Isso exige uma inferência: não se trata de localizar uma informação explícita, mas de relacionar o sentido do texto com o sentido de cada ditado. O texto narra a história do Cavalo de Troia, em que um presente aparentemente inofensivo escondia soldados inimigos. Os troianos, por confiarem demais no presente, foram destruídos. O ditado que melhor se aplica é aquele que alerta para a desconfiança diante de ofertas generosas demais.

A técnica para resolver é: primeiro, identificar a tese do texto — a origem da expressão "presente de grego" e a lição de que "muita gente também é seduzida por mimos que, na verdade, disfarçam um saco de maldades". Segundo, entender o que cada ditado significa e verificar qual deles se encaixa na situação dos troianos. O ditado da alternativa D, "Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha", significa que, quando alguém dá um conselho ou faz um alerta, o outro deve prestar atenção e desconfiar. Isso se aplica perfeitamente: se os troianos tivessem desconfiado do presente, não teriam aberto as portas.

As demais alternativas não se aplicam: A fala sobre gratidão, B sobre vantagem em meio a limitações, C sobre persistência, e E sobre desconfiança de esmola demais — esta última até parece próxima, mas o texto não menciona exagero na oferta, apenas um presente suspeito. A alternativa D é a única que captura a essência da desconfiança diante de um presente que esconde uma armadilha.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O ditado "A cavalo dado não se olha os dentes" significa que não se deve criticar ou examinar um presente recebido. Isso é o oposto do que os troianos deveriam ter feito: eles deveriam ter desconfiado e examinado o cavalo. O texto diz que os troianos foram "ingênuos" e "agradecidos pelo presente", abrindo as portas sem suspeitar. A alternativa A, portanto, contradiz a lição do texto, pois sugere aceitar o presente sem questionar, exatamente o erro que levou à destruição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Em terra de cego, quem tem olho é rei" significa que, em um ambiente de limitações, quem tem uma habilidade se destaca. Isso não tem relação com a situação dos troianos, que foram enganados por um presente. O texto não menciona nenhuma vantagem competitiva ou habilidade especial. A alternativa B tangencia o tema, pois fala de superioridade em contexto de limitação, mas não aborda a desconfiança ou a armadilha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" significa que a persistência supera obstáculos. Isso não se aplica aos troianos, que não precisavam de persistência, mas de cautela. O texto narra uma derrota por confiança excessiva, não por falta de esforço. A alternativa C extrapola o tema, pois introduz a ideia de perseverança, que não está presente no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha" significa que, quando alguém dá um conselho ou faz um alerta, o outro deve prestar atenção e desconfiar. Isso se aplica perfeitamente: se os troianos tivessem desconfiado do presente, não teriam aberto as portas. O texto diz que os gregos "deixam à porta dos muros fortificados da cidade inimiga um enorme cavalo de madeira" e que os "ingênuos troianos, agradecidos pelo presente, abrem as portas". A alternativa D é a única que captura a essência da desconfiança diante de um presente que esconde uma armadilha.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Quando a esmola é demais, o santo desconfia" significa que ofertas excessivamente generosas devem ser suspeitas. Embora pareça próxima, o texto não menciona que o presente era "demais" ou exagerado; apenas que era um presente suspeito. A alternativa E restringe o sentido, pois adiciona a ideia de excesso que não está no texto. O ditado D é mais genérico e se aplica melhor à situação de desconfiança diante de um presente inesperado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece ditados que parecem plausíveis, mas apenas um captura a essência da desconfiança diante de um presente suspeito; os demais tangenciam o tema ou expressam ideias não relacionadas.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões com ditados, identifique a tese do texto e o sentido de cada ditado. Pergunte: "qual conselho, se seguido, teria evitado o problema narrado?"

Conclusão: a alternativa D é a única que expressa a desconfiança que teria salvado os troianos. As demais ou contradizem a lição (A), ou tangenciam o tema (B, C), ou restringem o sentido (E).

Gabarito: letra D

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