Para responder a questão, examine a tirinha do cartunista Richard Bittencourt, o Fí.
(Richard Bittencourt. As lágrimas sinceras de Júlio Gilson, 2023)
Para obter seu efeito humorístico, a tirinha explora o recurso expressivo
Ada ambiguidade: a presença, num texto, de palavra que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura.
Bdo pleonasmo: a repetição desnecessária de palavras ou expressões na enunciação de uma ideia.
Cdo eufemismo: o emprego de palavra ou expressão no lugar de outra palavra ou expressão considerada desagradável ou grosseira.
Dda antítese: a oposição, em uma mesma expressão ou frase, de duas palavras de sentido contrário.
Eda intertextualidade: a referência que um texto faz a outro texto já existente, tomando-o como modelo ou ponto de partida.
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GabaritoA — da ambiguidade: a presença, num texto, de palavra que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura.
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Ambiguidade e polissemia na tirinha: o duplo sentido como recurso humorístico
Gabarito: letra A. A tirinha explora a ambiguidade, pois uma mesma palavra ou expressão admite mais de uma leitura no contexto, e é exatamente essa dupla interpretação que gera o efeito cômico. O recurso está ancorado na polissemia — a capacidade de um vocábulo apresentar múltiplos sentidos —, que, quando propositalmente explorada em um texto, produz a ambiguidade. A alternativa A define com precisão esse fenômeno: "a presença, num texto, de palavra que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura".
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o recurso expressivo responsável pelo efeito humorístico da tirinha. Isso significa que a resposta deve nomear o fenômeno linguístico que, na prática, faz o leitor rir. Não se trata de uma questão de compreensão literal do conteúdo, mas de reconhecimento de um mecanismo de construção de sentido — um conceito de semântica e estilística aplicado ao texto.
O texto e o efeito humorístico
A tirinha do cartunista Richard Bittencourt, intitulada "As lágrimas sinceras de Júlio Gilson", constrói sua graça a partir de uma palavra ou expressão que pode ser entendida de duas maneiras diferentes. O leitor é levado a interpretar a fala de um personagem em um sentido, mas o contexto (a imagem ou a fala seguinte) revela que outro sentido era o pretendido — ou ambos os sentidos coexistem. É essa quebra de expectativa gerada pela dupla leitura que provoca o riso.
A técnica que decide: ambiguidade × polissemia
A polissemia é a propriedade que uma palavra tem de apresentar vários significados (ex.: "manga" pode ser fruta ou parte da camisa). A ambiguidade é o efeito de sentido que ocorre quando, em um enunciado concreto, essa multiplicidade de significados gera mais de uma interpretação possível. Na tirinha, o humor nasce exatamente disso: o leitor percebe que a palavra poderia ser entendida de um jeito, mas o contexto sugere outro — ou os dois ao mesmo tempo. A alternativa A captura esse fenômeno ao falar em "palavra que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura".
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece outras figuras de linguagem (pleonasmo, eufemismo, antítese, intertextualidade) que são conceitos válidos em português, mas que não correspondem ao que a tirinha faz. A armadilha é o candidato confundir o nome do recurso com o efeito que ele produz.
Análise das alternativas
Recursos expressivos: Ambiguidade (gabarito) (Palavra com mais de uma leitura, Humor pela quebra de expectativa, Base: polissemia); Pleonasmo (Repetição desnecessária de ideia); Eufemismo (Suaviza expressão desagradável); Antítese (Oposição de sentidos contrários); Intertextualidade (Referência a outro texto)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa define corretamente a ambiguidade: a possibilidade de um mesmo trecho admitir mais de uma leitura. Na tirinha, o humor decorre exatamente dessa dupla interpretação de uma palavra ou expressão. O texto explora a polissemia (múltiplos sentidos de um vocábulo) para gerar o efeito cômico, que é a marca da ambiguidade proposital.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O pleonasmo é a repetição desnecessária de uma ideia já expressa (ex.: "subir para cima"). Na tirinha, não há repetição de sentido; há duplicidade de interpretação. A alternativa confunde o recurso da redundância com o da ambiguidade. Erro: troca de conceito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O eufemismo é o emprego de uma expressão suave para substituir outra considerada desagradável (ex.: "partiu" por "morreu"). A tirinha não suaviza nenhuma palavra; ela explora a dupla leitura. Erro: troca de conceito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A antítese é a oposição de palavras de sentido contrário em uma mesma expressão (ex.: "amor e ódio"). Na tirinha, não há contraposição de ideias; há multiplicidade de sentidos de uma mesma palavra. Erro: troca de conceito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A intertextualidade é a referência a outro texto já existente. A tirinha não dialoga com outra obra; ela constrói seu humor internamente, a partir da ambiguidade de uma palavra. Erro: troca de conceito.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o recurso expressivo de um texto, pergunte-se: "o que exatamente gera o efeito?" Se for a dupla interpretação, é ambiguidade; se for a repetição, pleonasmo; se for a suavização, eufemismo; se for a oposição, antítese; se for a referência a outro texto, intertextualidade.
Gabarito: letra A. A tirinha explora a ambiguidade, pois uma palavra admite mais de uma leitura, e é essa duplicidade de sentidos que produz o humor. As demais alternativas nomeiam figuras que não correspondem ao recurso utilizado no texto.