Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2025
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu218658
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )
À margem de uma fonte¹, que corria,
Lira² doce dos pássaros cantores,
A bela ocasião³ das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.
Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio sobre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia.
Não dão o parabém4 à bela Aurora5
Flores canoras6, pássaros fragrantes7,
Nem seu âmbar8 respira a rica Flora9.
Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, e tudo a adora
Aves cheirosas, flores ressonantes10.
(Gregório de Matos. Poemas atribuídos:
Códice Asencio-Cunha, volume 4, 2013)
Glossário :
1 fonte: nascente, ponto onde nasce um curso de água.
2 lira: música.
3 ocasião: razão, causa.
4 parabém: parabéns.
5 Aurora: personificação do nascer do dia, ou seja, do início da manhã.
6 canoras: que cantam bem.
7 fragrantes: cheirosos, perfumados.
8 âmbar: cor entre o castanho e o amarelo.
9 Flora: personificação da vida vegetal.
10 ressonantes: que ressoam, que produzem sons.
Para responder a questão, leia o soneto do poeta barroco Gregório de Matos (1633-1696). As dores a que eu lírico se refere na primeira estrofe do soneto são motivadas
Apela fonte.
Bpelo despertar do dia.
Cpor Sílvia.
Dpelos pássaros cantores.
Epelo silêncio.
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GabaritoC — por Sílvia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
As dores do eu lírico: a causa está em Sílvia
Gabarito: letra C. As dores a que o eu lírico se refere na primeira estrofe são motivadas por Sílvia, como se comprova pela leitura integral do soneto: na primeira estrofe, ele chama Sílvia de "a bela ocasião das minhas dores" (ocasião = causa, razão, conforme o glossário); nas estrofes seguintes, o poema descreve como a natureza inteira se cala e se entristece enquanto Sílvia dorme e como tudo volta a festejá-la quando ela acorda. A passagem que ancora a resposta é o verso "A bela ocasião das minhas dores", em que "ocasião" tem o sentido de causa.
O comando da questão é de compreensão/recorrência: pede-se o que motiva as dores do eu lírico, ou seja, uma informação que está explícita no texto, ainda que exija o uso do glossário para decodificar o vocábulo "ocasião". Não se trata de inferir algo além do texto, mas de localizar a passagem em que o poeta nomeia a causa de seu sofrimento. A técnica aqui é: identificar o termo-chave no enunciado ("dores") e buscar no poema o trecho que o explica, valendo-se das notas de rodapé quando o vocabulário for arcaico ou figurado.
O soneto de Gregório de Matos apresenta um eu lírico que sofre por amor. Na primeira estrofe, ele descreve a cena: à margem de uma fonte, com a música dos pássaros, Sílvia — "a bela ocasião das minhas dores" — dormia ao amanhecer. O glossário é decisivo: ocasião significa "razão, causa". Portanto, Sílvia é a causa das dores do eu lírico. As demais estrofes reforçam essa leitura: enquanto Sílvia dorme, a natureza inteira se cala ("Dominava o silêncio sobre as flores, / Calava o mar, e rio não se ouvia"); quando ela acorda, tudo a festeja ("Tudo a Sílvia festeja, e tudo a adora"). O poema é uma celebração da amada, e o sofrimento do eu lírico é o amor não correspondido ou a ausência dela.
A armadilha central desta questão é a extrapolação por fixação na cena: o candidato pode se deixar levar pelos elementos descritivos (fonte, pássaros, silêncio) e esquecer que o texto nomeia explicitamente a causa. O glossário não está ali por acaso — ele é a chave para decodificar o vocábulo "ocasião" e apontar diretamente para Sílvia. Sempre que houver glossário, use-o: ele é parte do texto e foi colocado pela banca para resolver exatamente esse tipo de dúvida.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "são motivadas" pede a causa, não o cenário. Procure no texto a palavra que nomeia a causa (aqui, "ocasião") e confira o glossário. Se a alternativa citar um elemento da cena, pergunte: ele é a causa ou apenas o cenário onde a causa aparece?
Alternativa A — ❌ Incorreta
A fonte é apenas o cenário onde Sílvia dorme: "À margem de uma fonte, que corria". O texto não diz que a fonte causa as dores; ela é o local da cena. A alternativa tangencia o texto: usa um elemento presente, mas não o relaciona à causa das dores.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O despertar do dia é o tempo da cena ("ao despertar do dia"), não a causa das dores. O texto descreve o amanhecer como pano de fundo, mas a causa é nomeada no verso "a bela ocasião das minhas dores". A alternativa extrapola ao transformar um elemento circunstancial em causa.
Alternativa C — ✅ Correta
O verso "A bela ocasião das minhas dores" é a prova direta: "ocasião" = "razão, causa" (glossário). Sílvia é a causa das dores do eu lírico. As estrofes seguintes confirmam: a natureza se entristece quando ela dorme e a festeja quando acorda, mostrando que todo o sentimento do eu lírico gira em torno dela.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os pássaros cantores aparecem na cena ("Lira doce dos pássaros cantores"), mas são apenas parte do cenário sonoro. O texto não os aponta como causa das dores. A alternativa tangencia o texto: usa um elemento descritivo, mas não a causa nomeada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O silêncio é descrito como efeito do sono de Sílvia ("Dominava o silêncio sobre as flores"), não como causa das dores. A alternativa inverte a relação: o silêncio é consequência da ausência de Sílvia, não a origem do sofrimento.
Conclusão: a resposta é a letra C, pois o texto nomeia explicitamente Sílvia como "a bela ocasião das minhas dores". As demais alternativas ou tangenciam o texto (fonte, pássaros) ou invertem a relação de causa e efeito (silêncio). A regra de ouro: quando o texto traz um glossário, ele é a chave para decodificar o sentido exato — use-o sempre.