Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — VUNESP 2025

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
vu218666
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
1º AEM ( )

Em algum momento na história, instaurou-se no imaginário popular a ideiaC) de que a inspiração é algo mágico. Mágico e exclusivo dos artistas. Eu discordo.

 

É muito sedutora a possibilidadeB) de parecer um super-herói, que tem como superpoder o dom de trazer grandiosos pensamentos do mundo das ideias e transformá-los em letras de músicaD), que ainda por cima rimam em todos os finais de frases. Que baita herói eu seria...A)

 

Mas logo no início da minha caminhada artística, entendi duas coisas que se tornaram verdades que carrego comigo até hoje. A primeira é que sou um operário da minha arte, estou sempre trabalhando nisso, fazendo hora extra ou de plantão. Esse é um trabalho de 24 horas, depois que se veste o uniforme é difícil tirar. A segunda coisa é que ninguém me perguntou nada.

 

Como assim? Eu vivo de expressar meus pensamentos e opiniões sobre os acontecimentos, por livre e espontânea vontade. Pelo menos no começo, ninguém me perguntou o que eu achava das coisas para que eu saísse por aí dizendo o que penso. Eu sinto um impulso e escrevo, mas toda vez que vou trazer uma questão à tona, preciso entender que eu estou introduzindo um assunto novoE) nessa conversa e isso deve ser feito de uma forma sensível e sensata. Mesmo que a intenção seja chocar, o texto precisa ter um corpo para que aquilo seja um argumento.

 

(Rashid. “Minha vida é um freestyle num beat que não para”, Antologia inspirada no universo da Mixtape: Pra quem já mordeu

um cachorro por comida, até que eu cheguei longe, 2021)

Para responder a questão, leia o trecho de um texto do rapper Rashid.

   

Identifica-se marca de linguagem coloquial em

  1. A“Que baita herói eu seria”. (2º parágrafo)
  2. B“É muito sedutora a possibilidade”. (2º parágrafo)
  3. C“instaurou-se no imaginário popular a ideia”. (1º parágrafo)
  4. D“transformá-los em letras de música”. (2º parágrafo)
  5. E“estou introduzindo um assunto novo”. (4º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “Que baita herói eu seria”. (2º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem coloquial: identificando a marca de informalidade

Gabarito: letra A. A única alternativa que apresenta marca de linguagem coloquial é a A — “Que baita herói eu seria” —, pois a palavra “baita” é um coloquialismo típico da fala cotidiana, usado para intensificar (“baita” = grande, excelente). As demais alternativas trazem construções formais, dentro da norma culta, sem qualquer traço de informalidade.

O comando

A questão pede que você identifique a marca de linguagem coloquial. Isso é uma tarefa de reconhecimento de variação linguística: você deve comparar as expressões e ver qual foge ao registro formal, aproximando-se da fala espontânea. Não se trata de interpretar o texto, mas de classificar o nível de linguagem de cada trecho.

O texto

O autor, Rashid, escreve em um registro predominantemente formal, com frases bem estruturadas e vocabulário culto. No entanto, no 2º parágrafo, ele usa a expressão “Que baita herói eu seria...” — uma construção típica da oralidade, com a gíria “baita” e a exclamação “Que...”. Essa quebra de registro é proposital: o autor ironiza a ideia de ser um super-herói da inspiração, usando uma linguagem mais solta para aproximar o leitor.

A técnica

Para resolver, você deve conhecer as características da linguagem coloquial: vocabulário simples, gírias, expressões populares, contrações (“pra”, “tá”), e construções típicas da fala. Já a linguagem formal segue a norma culta, com vocabulário rebuscado e sintaxe completa. No trecho, a palavra “baita” é o único vocábulo que não pertence ao registro formal — é uma gíria brasileira, usada para dar ênfase. As outras opções usam estruturas como “instaurou-se”, “transformá-los”, “estou introduzindo”, que são perfeitamente formais.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Que baita herói eu seria...” (2º parágrafo)

A palavra “baita” é um coloquialismo: significa “grande”, “excelente”, e é típica da fala informal. Além disso, a estrutura exclamativa “Que...!” é comum na oralidade. Portanto, há clara marca de linguagem coloquial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“É muito sedutora a possibilidade” (2º parágrafo)

A expressão é formal: o adjetivo “sedutora” é culto, e a construção “é muito sedutora a possibilidade” segue a ordem canônica da norma padrão. Não há gíria ou traço de oralidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“instaurou-se no imaginário popular a ideia” (1º parágrafo)

O verbo pronominal “instaurou-se” e a estrutura “no imaginário popular” são típicos da norma culta. Não há nenhum elemento coloquial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“transformá-los em letras de música” (2º parágrafo)

O uso do pronome oblíquo “los” (em ênclise) é característico da linguagem formal. A expressão é correta e culta, sem informalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“estou introduzindo um assunto novo” (4º parágrafo)

A locução verbal “estou introduzindo” (presente contínuo) é formal e correta. Não há gíria ou coloquialismo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca expressões que parecem informais (como “muito sedutora” ou “estou introduzindo”), mas que são perfeitamente formais. A única que realmente foge à norma culta é “baita”.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar coloquialismo, procure por gírias, expressões populares ou contrações. Palavras como “baita”, “legal”, “pra”, “tá” são marcas claras de informalidade.

Conclusão: a resposta é a letra A, pois “baita” é um coloquialismo, enquanto as demais alternativas usam construções formais. Lembre-se: coloquialismo é a linguagem do dia a dia, despreocupada com a norma culta.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu218666