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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — VUNESP 2025

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
vu218675
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
2º AEM ( )

Assalto

 

Na feira, a senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:

 

— Isto é um assalto!

 

Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?

 

— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.

 

(Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas. 2016. Adaptado)

Leia o texto para responder a questão.     Na passagem do 3º parágrafo “Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?”, identifica-se
  1. Ao discurso indireto, indicando-se o reconhecimento dos personagens de que não havia banco na rua da feira.
  2. Bo discurso indireto, evidenciando-se a perspectiva de dúvida da senhora sobre o assalto na rua da feira.
  3. Co discurso indireto livre, misturando-se a voz do narrador às vozes com dúvidas sobre o banco na rua da feira.
  4. Do discurso direto, enfatizando-se a certeza dos personagens sobre o assalto ao banco ocorrido na rua da feira.
  5. Eo discurso direto, reproduzindo-se a certeza do narrador sobre a existência de um banco na rua da feira.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — o discurso indireto livre, misturando-se a voz do narrador às vozes com dúvidas sobre o banco na rua da feira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Discurso indireto livre: a fusão entre narrador e personagem

Gabarito: letra C. O trecho “Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?” é um exemplo clássico de discurso indireto livre, pois as perguntas expressam a dúvida dos personagens (a multidão que ouviu o grito de “assalto”) e, ao mesmo tempo, estão embutidas na narração em 3ª pessoa, sem aspas, travessão ou verbo de elocução. A passagem que comprova a fusão de vozes é a pergunta retórica “Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?”, que mistura o raciocínio dos personagens com a condução do narrador.

O comando: identificar o tipo de discurso

A questão pede que você identifique o tipo de discurso presente no trecho destacado. Isso é uma tarefa de conceito (gramática textual), não de interpretação de conteúdo. Você precisa saber as características de cada tipo de discurso e aplicá-las ao trecho, verificando marcas linguísticas (verbos de elocução, aspas, travessão, conjunções) e a voz que predomina (1ª ou 3ª pessoa).

O texto: a confusão do “assalto”

O texto narra uma confusão na feira: uma senhora reclama do preço do chuchu dizendo “Isto é um assalto!”, e a notícia se espalha distorcida, virando um suposto assalto a banco. No 3º parágrafo, o narrador apresenta as dúvidas que surgem na multidão: “Mas que banco? Havia banco naquela rua?”. Essas perguntas não são atribuídas a um personagem específico com aspas ou travessão; elas surgem dentro da narração, como se fossem o pensamento coletivo dos personagens, mas conduzidas pela voz do narrador.

A técnica: o que caracteriza o discurso indireto livre

O discurso indireto livre é aquele em que a fala ou o pensamento da personagem aparece inserido no discurso do narrador, sem marcas formais de separação (aspas, travessão, dois-pontos, verbos de elocução). As principais características são:

  • A fala da personagem (em 1ª pessoa) surge espontaneamente dentro da narração (em 3ª pessoa);

  • Não há verbos como “disse”, “perguntou”, nem pontuação de citação;

  • O narrador é onisciente e transmite o pensamento da personagem como se fosse seu;

  • Costuma vir marcado por pontos de exclamação ou interrogação, como no trecho.

No trecho, as perguntas “Mas que banco? Havia banco naquela rua?” são as dúvidas dos personagens (a multidão), mas estão sem aspas e sem verbo de elocução, fundidas à narração. A resposta “Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?” é uma pergunta retórica que mistura a lógica dos personagens com a ironia do narrador — é exatamente essa fusão de vozes que caracteriza o discurso indireto livre.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o discurso indireto livre, procure por perguntas ou exclamações sem aspas/travessão dentro de um parágrafo narrado em 3ª pessoa. Se a pergunta expressa o pensamento de um personagem, mas está “solta” na narração, é indireto livre.

Análise das alternativas

1Fusão de vozes
Narrador (3ª pessoa)
Personagem (pensamento/fala)
2Sem marcas formais
Sem aspas
Sem travessão
Sem verbo de elocução
3Marcas típicas
Perguntas
Exclamações
Interjeições
Discurso indireto livre
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Discurso indireto livre: Fusão de vozes (Narrador (3ª pessoa), Personagem (pensamento/fala)); Sem marcas formais (Sem aspas, Sem travessão, Sem verbo de elocução); Marcas típicas (Perguntas, Exclamações, Interjeições)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o discurso é indireto e que os personagens reconhecem que não havia banco na rua. O texto mostra o contrário: a pergunta “Havia banco naquela rua?” é uma dúvida, e a resposta “Evidente que sim” afirma a existência do banco (pelo menos na lógica dos personagens). Além disso, não há discurso indireto, pois não há verbo de elocução + conjunção “que” (ex.: “perguntou se havia banco”).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. A alternativa diz que é discurso indireto e que expressa a dúvida da senhora. A dúvida não é da senhora (que grita “Isto é um assalto!” com certeza), mas da multidão que ouviu o grito. Além disso, o trecho não é discurso indireto, pois não há a mediação explícita do narrador com verbo de elocução.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Discurso indireto livre, pois as perguntas “Mas que banco? Havia banco naquela rua?” expressam as dúvidas dos personagens (a multidão), mas estão embutidas na narração em 3ª pessoa, sem aspas, travessão ou verbo de elocução. A pergunta retórica “Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?” reforça a fusão entre a voz do narrador e a voz dos personagens, característica central do discurso indireto livre.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. A alternativa afirma que é discurso direto e que os personagens têm certeza do assalto ao banco. O trecho não é discurso direto (não há aspas, travessão ou verbo de elocução), e os personagens estão em dúvida (“Mas que banco? Havia banco naquela rua?”), não com certeza.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e classifica errado. A alternativa afirma que é discurso direto e que o narrador tem certeza da existência do banco. O trecho não é discurso direto, e a “certeza” expressa em “Evidente que sim” é uma pergunta retórica irônica que mistura a voz dos personagens com a do narrador — não uma afirmação categórica do narrador sobre a existência real de um banco.

Conclusão

A questão testa a capacidade de reconhecer o discurso indireto livre pela ausência de marcas formais e pela fusão de vozes. A alternativa C é a única que identifica corretamente o tipo de discurso e o efeito de sentido (dúvida dos personagens misturada à narração).

Gabarito: letra C

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