Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218682
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
2º AEM ( )
Na luta diária pela felicidade
que nunca vem,
a ferrugem do cotidiano
adormece nossa navalha.
Para quem ainda não sabe,
em manhãs cinzas
e nas noites sem estrelas,
dentro dos ônibus,
pendurado nos trens
ou doze horas em cima de uma moto
(onde nunca é feriado),
também se travam
grandes batalhas.
(Sérgio Vaz. Flores da batalha, 2022)
Leia o poema “Batalhas”, de Sérgio Vaz, que pertence à literatura periférica. No poema, o eu lírico faz referência à
Arevolta que as situações de injustiça provocam nos mais vulneráveis, conforme se observa em “a ferrugem do cotidiano / adormece nossa navalha”.
Bviolência estatal a que está sujeita a população periférica, conforme se observa em “também se travam / grandes batalhas”.
Cesperança que caracteriza a atitude dos trabalhadores, conforme se observa em “em manhãs cinzas / e nas noites sem estrelas”.
Ddura rotina que trabalhadores enfrentam, conforme se observa em “pendurado nos trens / ou doze horas em cima de uma moto”.
Econquista de direitos que beneficiam os trabalhadores, conforme se observa em “Na luta diária pela felicidade / que nunca vem”.
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GabaritoD — dura rotina que trabalhadores enfrentam, conforme se observa em “pendurado nos trens / ou doze horas em cima de uma moto”.
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Batalhas: a dura rotina do trabalhador periférico
Gabarito: letra D. O poema de Sérgio Vaz não fala de revolta, violência estatal, esperança ou conquista de direitos — fala da dura rotina de quem enfrenta o cotidiano exaustivo do trabalho, como se lê em "pendurado nos trens / ou doze horas em cima de uma moto". A alternativa D é a única que traduz fielmente o que o texto efetivamente diz, sem acrescentar nada de fora.
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede que se identifique "a que o eu lírico faz referência". Isso é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita no texto, basta localizar a passagem que a sustenta. Não se trata de deduzir algo nas entrelinhas, mas de reconhecer a paráfrase correta do que está escrito. A técnica aqui é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?" — se não houver passagem que sustente, a alternativa está errada.
O texto: a batalha invisível do cotidiano
O poema abre com uma imagem de desgaste: "Na luta diária pela felicidade / que nunca vem, / a ferrugem do cotidiano / adormece nossa navalha". A "ferrugem" é metáfora do desgaste; a "navalha" que adormece sugere perda de fôlego, de luta. Em seguida, o eu lírico localiza essas "batalhas" não em campos de guerra, mas no dia a dia do trabalhador: "em manhãs cinzas / e nas noites sem estrelas, / dentro dos ônibus, / pendurado nos trens / ou doze horas em cima de uma moto / (onde nunca é feriado)". O movimento argumentativo é claro: as "grandes batalhas" são as do cotidiano exaustivo — transporte lotado, jornadas longas, ausência de descanso. É exatamente essa a passagem que a alternativa D parafraseia.
A técnica: paráfrase fiel × extrapolação
A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas pegam uma imagem do poema e a levam para um terreno que o texto não percorre. A alternativa A, por exemplo, fala em "revolta" e "injustiça" — o poema menciona "ferrugem" e "navalha", mas não diz que isso provoca revolta. A alternativa B fala em "violência estatal" — o texto fala em "batalhas", mas batalhas do cotidiano, não contra o Estado. A alternativa C fala em "esperança" — "manhãs cinzas" e "noites sem estrelas" são imagens de aridez, não de esperança. A alternativa E fala em "conquista de direitos" — o poema fala em "luta diária pela felicidade / que nunca vem", ou seja, uma luta sem conquista. A única que se limita a parafrasear o que está escrito é a D.
Batalhas (Sérgio Vaz): Tema central (Dura rotina do trabalhador, Transporte lotado, Jornada exaustiva); Imagens do desgaste (Ferrugem do cotidiano, Navalha adormecida, Manhãs cinzas, Noites sem estrelas); Luta sem conquista (Felicidade que nunca vem, Nunca é feriado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"a ferrugem do cotidiano / adormece nossa navalha"
A alternativa extrapola: o texto fala em desgaste ("ferrugem") e perda de ímpeto ("adormece nossa navalha"), mas não diz que isso provoca "revolta" nem que há "situações de injustiça". A palavra "revolta" é um acréscimo do examinador — o eu lírico descreve o desgaste, não a reação a ele.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"também se travam / grandes batalhas"
A alternativa extrapola ao especificar que as batalhas são contra o "Estado" e que envolvem "violência". O texto diz que "grandes batalhas" se travam no cotidiano (ônibus, trens, moto), mas não menciona o Estado nem violência. "Batalha" aqui é metáfora do esforço diário, não de confronto com o poder público.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"em manhãs cinzas / e nas noites sem estrelas"
A alternativa contradiz o texto: "manhãs cinzas" e "noites sem estrelas" são imagens de aridez, cansaço, falta de luz — não de esperança. Atribuir "esperança" a essas imagens inverte o sentido do que está escrito. O eu lírico descreve um cenário desolador, não otimista.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"pendurado nos trens / ou doze horas em cima de uma moto"
A alternativa é uma paráfrase fiel: "pendurado nos trens" e "doze horas em cima de uma moto" descrevem exatamente a dura rotina do trabalhador — transporte lotado e jornada exaustiva. O texto ainda reforça com "(onde nunca é feriado)", ou seja, sem descanso. Não há acréscimo nem supressão: é o que o poema diz.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Na luta diária pela felicidade / que nunca vem"
A alternativa contradiz o texto: a "luta diária" é pela felicidade "que nunca vem" — ou seja, é uma luta sem conquista. Falar em "conquista de direitos" é o oposto do que o verso afirma. O texto diz que a felicidade não chega; a alternativa diz que há conquista. Inversão total de sentido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com um fato que parece verdadeiro no mundo real ("revolta dos vulneráveis", "violência estatal", "esperança dos trabalhadores") mas que o texto não diz. A resposta certa é sempre a que fica colada ao que está escrito.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que cada alternativa cita e pergunte: "o texto diz isso, ou eu estou completando com o que sei do mundo?". Se precisou completar, está errada.
Gabarito: letra D — a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto, sem nada a mais nem a menos.