Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218690
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
2º AEM ( )
Foi em Lisboa — não me lembro quem nem onde terá sido —, mas alguém questionou-me sobre o motivo do meu interesse pela escrita, o motivo de escolher a escrita como profissão. A minha resposta: Quando aqui cheguei, na segunda metade dos anos 1990, o choque cultural não foi significativo. Trazia comigo a vantagem da língua e da similaridade de valores culturais e religiosos. Tirando uma ou outra característica comportamental, não havia muito a assinalar que pudesse alimentar um conflito cultural entre nós, africanos, e eles, os brancos, nativos. O único problema residia na pele: quanto mais escura, maiores as dificuldades de integração. A cor tornava palpável a pressão sociocultural sob a qual viviam os pretos, nas periferias dos grandes centros urbanos, entre dois mundos: a África umbilical, da saudade, do sonho e do orgulho de pertença, e Portugal, da adoção, da esperança, do desconhecido e da necessidade.
(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa: Crônicas 2023. Adaptado)
Leia o texto para responder a questão. O trecho “alguém questionou-me sobre o motivo do meu interesse pela escrita, o motivo de escolher a escrita como profissão.” está reescrito conforme a norma-padrão, estabelecendo coesão adequada em:
Aalguém me questionou sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de escolhê-la como profissão.
Balguém questionou-me sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de escolhê-lo como profissão.
Calguém me questionou sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de escolher ela como profissão.
Dalguém questionou-me sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de a escolher como profissão.
Ealguém me questionou sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de o escolher como profissão.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — alguém me questionou sobre o motivo do meu interesse pela escrita, de escolhê-la como profissão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita com coesão e colocação pronominal: o pronome que retoma "a escrita"
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que, além de respeitar a norma-padrão na colocação do pronome oblíquo (me antes do verbo, por atração do pronome relativo "quem"), estabelece coesão referencial correta ao retomar "a escrita" com o pronome a — feminino singular — na forma escolhê-la. As demais ou trocam o gênero do pronome (B, E), ou usam forma proclítica inadequada (D), ou empregam pronome reto "ela" como objeto (C), o que viola a regência do verbo "escolher".
O comando pede uma reescrita conforme a norma-padrão que mantenha a coesão adequada. Isso significa que devemos avaliar dois aspectos: (1) a colocação pronominal — onde encaixar o pronome oblíquo átono em relação ao verbo — e (2) a referência — qual pronome retoma corretamente o termo "a escrita". A banca mistura as duas armadilhas para testar se você domina a regra de atração de próclise e a concordância do pronome com seu antecedente.
No trecho original, temos: "alguém questionou-me sobre o motivo do meu interesse pela escrita, o motivo de escolher a escrita como profissão." A reescrita ideal elimina a repetição de "o motivo" e de "a escrita", usando um pronome que a retome. O verbo escolher é transitivo direto — exige objeto direto sem preposição —, portanto o pronome correto é o oblíquo átono a (e não "lhe", que seria objeto indireto). Além disso, a forma "escolhê-la" é a combinação do infinitivo "escolher" com o pronome "a", com a devida supressão do -r e acréscimo de -l- (escolher + a = escolhê-la).
A colocação pronominal também é decisiva. Na alternativa A, temos "alguém me questionou" — próclise. Isso é obrigatório porque o pronome relativo "quem" (em "alguém que me questionou"? Não, aqui é "alguém me questionou", mas a atração vem do pronome relativo "que" implícito? Na verdade, a frase é "alguém me questionou" — não há palavra atrativa explícita, mas a norma culta, em início de frase, prefere a ênclise? Cuidado: a banca considera a próclise correta porque há um pronome relativo "que" subentendido? Não, a frase é "alguém me questionou" — sem palavra atrativa. Mas a alternativa A é a única que usa "me" antes do verbo, e a banca a considera correta. Por quê? Porque em "alguém me questionou" a próclise é facultativa? Não, a norma padrão, em oração com sujeito expresso e sem palavra atrativa, a ênclise é preferível, mas a próclise é aceita em muitos contextos. Contudo, a banca VUNESP costuma aceitar a próclise com sujeito expresso? Vamos analisar: a alternativa A é a única que usa "me" antes do verbo, e as demais usam "questionou-me" (ênclise). A banca considera A correta, então devemos entender que a próclise é aceita aqui. Na verdade, a regra: com sujeito expresso e sem palavra atrativa, a ênclise é a preferida, mas a próclise é tolerada em linguagem coloquial? Não, a norma culta exige ênclise quando não há palavra atrativa. Mas a banca deu A como correta, então devemos justificar: a próclise é obrigatória quando há palavra atrativa, e aqui há o pronome relativo "que"? Não, a frase é "alguém me questionou" — não há "que". Então por que A é correta? Talvez porque a banca considere que "alguém" é um pronome indefinido que atrai a próclise? Não, pronomes indefinidos atraem próclise quando são sujeito? Sim! Pronomes indefinidos (alguém, ninguém, tudo, nada) atraem a próclise. Exemplo: "Alguém me viu" — próclise obrigatória. Isso mesmo! A regra: palavras de sentido negativo, pronomes relativos, indefinidos, demonstrativos, advérbios, conjunções subordinativas atraem a próclise. "Alguém" é pronome indefinido, portanto atrai o pronome para antes do verbo. Logo, "alguém me questionou" é a forma correta, e "alguém questionou-me" seria inadequada. Isso explica por que A é a única com próclise e as demais com ênclise estão erradas.
Agora, a coesão referencial: o pronome deve retomar "a escrita" (substantivo feminino singular). Portanto, o pronome correto é a (objeto direto). Na alternativa A, "escolhê-la" — perfeito. Na B, "escolhê-lo" — masculino, errado. Na C, "escolher ela" — pronome reto como objeto, errado. Na D, "a escolher" — próclise com infinitivo, mas a forma correta seria "escolhê-la" (ênclise com infinitivo é obrigatória? Na verdade, com infinitivo impessoal, a ênclise é a preferida, mas a próclise é aceita se houver palavra atrativa. Aqui não há, então "a escolher" é inadequado, além de que "a" antes do verbo pode ser lido como artigo ou preposição, gerando ambiguidade. A forma correta é "escolhê-la". Na E, "o escolher" — masculino, errado.
Portanto, a única que cumpre todos os requisitos é a A.
Reescrita: coesão e colocação pronominal
1Colocação pronominal
Próclise com pronome indefinido
"alguém me questionou"
Ênclise inadequada ("questionou-me")
2Coesão referencial (retomar "a escrita")
"escolhê-la" (feminino, objeto direto)
"escolhê-lo" (masculino)
"escolher ela" (pronome reto como objeto)
"a escolher" (próclise ambígua no infinitivo)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A reescreve o trecho com próclise obrigatória ("alguém me questionou") porque "alguém" é pronome indefinido que atrai o pronome para antes do verbo. Além disso, retoma "a escrita" com o pronome a na forma escolhê-la, mantendo a coesão referencial e a regência do verbo "escolher" (transitivo direto). Não há qualquer desvio da norma-padrão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro de troca de gênero: usa "escolhê-lo" (masculino) para retomar "a escrita" (feminino). Além disso, mantém a ênclise "questionou-me", que é inadequada diante do pronome indefinido "alguém".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro de regência e uso do pronome reto: "escolher ela" — pronome reto não pode funcionar como objeto direto; o correto é o oblíquo "a". Também mantém a ênclise inadequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro de colocação pronominal: "a escolher" — com infinitivo impessoal, sem palavra atrativa, a forma correta é "escolhê-la" (ênclise). A próclise "a escolher" é inadequada e ainda gera ambiguidade (pode ser lida como artigo + verbo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de troca de gênero: "escolhê-o" (masculino) para retomar "a escrita" (feminino). Além disso, mantém a ênclise inadequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pronome oblíquo átono de objeto direto (a) e indireto (lhe), além da colocação pronominal (próclise com pronome indefinido). Fique atento ao gênero do antecedente e à palavra atrativa.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, identifique o termo que será retomado (aqui, "a escrita") e escolha o pronome que concorde em gênero e número. Depois, verifique se há palavra atrativa (pronome indefinido, relativo, advérbio, etc.) que exija próclise.
Gabarito: letra A — a única que une próclise correta, pronome feminino "a" e forma "escolhê-la" sem desvio da norma-padrão.