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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218694
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
2º AEM ( )

Texto 1

 

Rosa de Hiroshima

 

Pensem nas crianças mudas, telepáticas

Pensem nas meninas cegas, inexatas

Pensem nas mulheres, rotas alteradas

Pensem nas feridas como rosas cálidas

 

Mas, ó, não se esqueçam da rosa, da rosa

Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária

A rosa radioativa, estúpida e inválida

A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica

Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada

 

(Gerson Conrad e Vinícius de Moraes. https://www.letras.mus.br. Acesso em 12.08.2025)

 

Texto 2

Imagem associada para resolução da questão

Leia os textos para responder a questão.     Na letra da canção e na postagem da rede social, a forma verbal “Pensem” sugere aos interlocutores que
  1. Ase conscientizem do sofrimento vivido por muitas pessoas.
  2. Bse empenhem em livrar as pessoas de seus maiores sofrimentos.
  3. Cse responsabilizem pelo sofrimento vivido por muitas pessoas.
  4. Dse desculpem com as pessoas expostas aos problemas e tristezas.
  5. Ese distanciem paulatinamente das pessoas e de seus sofrimentos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — se conscientizem do sofrimento vivido por muitas pessoas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O efeito de sentido do imperativo “Pensem” na canção e na postagem

Gabarito: letra A. A forma verbal “Pensem” está no modo imperativo, que expressa um pedido, um conselho ou uma ordem — aqui, um apelo à reflexão. O texto pede que os interlocutores se conscientizem do sofrimento retratado, e não que ajam diretamente sobre ele, como se vê na alternativa A. A passagem que ancora essa leitura é a sequência de imagens de dor: “Pensem nas crianças mudas, telepáticas / Pensem nas meninas cegas, inexatas / Pensem nas mulheres, rotas alteradas / Pensem nas feridas como rosas cálidas”. O imperativo “Pensem” convida a tomar consciência dessas realidades, e não a executar uma ação prática de socorro.

O comando da questão

O enunciado pergunta o que a forma verbal “Pensem” sugere aos interlocutores. Isso é uma questão de compreensão e inferência: não se trata de localizar uma informação explícita, mas de depreender o efeito de sentido do modo verbal no contexto. O verbo “pensar” no imperativo não ordena uma ação física, mas um ato mental: refletir, considerar, ter em mente. A banca quer que você perceba que o apelo é para sensibilizar-se, e não para agir ou culpar-se.

O texto: tema e movimento argumentativo

O poema “Rosa de Hiroshima”, de Vinícius de Moraes e Gerson Conrad, é uma denúncia dos efeitos da bomba atômica. As imagens são de sofrimento e mutilação: crianças mudas, meninas cegas, mulheres rotas, feridas. O eu lírico não pede que se resolva o problema, mas que se lembre e reflita sobre ele. A repetição do imperativo “Pensem” reforça o convite à conscientização. A postagem da rede social (Texto 2) provavelmente complementa essa ideia, mas a base é o poema.

A técnica que decide

A chave é distinguir conscientizar-se de agir. O imperativo “Pensem” não é um chamado à ação prática (como “socorram” ou “ajudem”), mas um chamado à reflexão. As alternativas B, C, D e E introduzem ações ou atitudes que o texto não pede: empenhar-se, responsabilizar-se, desculpar-se, distanciar-se. A única que se limita ao ato de tomar consciência é a A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única que traduz o efeito do imperativo “Pensem”. O texto apresenta uma série de sofrimentos (“crianças mudas”, “meninas cegas”, “mulheres rotas”, “feridas”) e pede que o interlocutor pense neles. Pensar, aqui, é conscientizar-se da dor alheia. Não há nenhuma ação prática sugerida, apenas a reflexão. A passagem “Pensem nas feridas como rosas cálidas” mostra que o foco é a percepção do sofrimento, não a intervenção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B extrapola o texto ao sugerir que o interlocutor deve “se empenhar em livrar as pessoas de seus maiores sofrimentos”. O texto não pede nenhuma ação de socorro ou intervenção; pede apenas que se pense. O verbo “pensar” não implica agir. A banca tenta confundir o leitor com uma ideia de solidariedade ativa que não está no poema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C acrescenta opinião ao afirmar que o interlocutor deve “se responsabilizar pelo sofrimento vivido por muitas pessoas”. O texto não atribui culpa ou responsabilidade ao interlocutor; apenas o convida a refletir sobre o sofrimento. A ideia de responsabilização é uma interpretação subjetiva que não encontra respaldo no poema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D tangencia o tema ao sugerir que o interlocutor deve “se desculpar com as pessoas expostas aos problemas e tristezas”. O texto não menciona pedido de desculpas nem culpa do interlocutor. A ideia de desculpa é completamente estranha ao poema, que apenas pede reflexão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E contradiz o texto ao afirmar que o interlocutor deve “se distanciar paulatinamente das pessoas e de seus sofrimentos”. O poema faz o oposto: pede que se aproxime do sofrimento, que se lembre dele. A ideia de distanciamento é inversa ao apelo do eu lírico, que quer sensibilizar, não afastar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conscientizar-se (reflexão) e agir (ação prática). As alternativas B, C e D inserem ações que o texto não pede; a E inverte o sentido. A correta é a que se limita ao ato de pensar.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre o efeito do imperativo, pergunte: o verbo pede uma ação física ou um ato mental? “Pensem” é ato mental. Desconfie de alternativas que tragam verbos de ação (empenhar, responsabilizar, desculpar) quando o texto só pede reflexão.

Gabarito: letra A — a única que traduz o apelo à conscientização presente no poema.

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