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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218698
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
2º AEM ( )

A fome sabe

onde o pobre mora,

e a felicidade não sabe andar

nos becos e vielas.

A Geografia da dor

registra no mapa

gente viva

com a barriga morta.

O arroz e o feijão

alegam não ter nada a ver com isso.

Quem se importa?

No vazio do garfo e da faca,

o tempero da revolta.

 

(Sérgio Vaz. Flores da batalha, 2022)

Leia o poema de Sérgio Vaz, pertencente à literatura periférica.     No poema, o eu lírico critica
  1. Aa indiferença diante da fome dos pobres, conforme se pode observar em “Quem se importa?”.
  2. Bo desperdício de alimentos como causa da fome entre os mais pobres, conforme se observa em “No vazio do garfo e da faca”.
  3. Ca falta de informações oficiais sobre as pessoas em situação de rua, conforme se pode observar em “gente viva”.
  4. Da ausência da fome nos espaços considerados nobres da cidade, conforme se observa em “nos becos e vielas”.
  5. Ea aceitação da falta de alimentos como algo natural da existência, conforme se pode observar em “o tempero da revolta”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a indiferença diante da fome dos pobres, conforme se pode observar em “Quem se importa?”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crítica social no poema de Sérgio Vaz

Gabarito: letra A. O eu lírico critica a indiferença diante da fome dos pobres, e a passagem que sustenta essa leitura é a pergunta retórica “Quem se importa?”, que expressa justamente o descaso da sociedade com a miséria. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou restringem seu alcance, ou contradizem o que está escrito.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o que o eu lírico critica no poema. Isso é uma questão de compreensão/interpretação global: não se trata de localizar uma informação isolada, mas de captar a tese do texto — a crítica central que o autor constrói. Para resolvê-la, é preciso ler o poema como um todo e perceber o movimento argumentativo: a fome é localizada nos becos e vielas, a felicidade não chega lá, e ninguém se importa. A crítica não é sobre a fome em si, mas sobre a reação (ou falta dela) da sociedade.

O texto: tema, tese e argumentos

O poema de Sérgio Vaz, da literatura periférica, tem como tema a fome que atinge os pobres. A tese — o que o eu lírico pensa — é que há uma indiferença social diante dessa fome. Os argumentos são construídos em camadas:

  • “A fome sabe onde o pobre mora” — a fome é certeira, conhece o endereço da pobreza.

  • “a felicidade não sabe andar nos becos e vielas” — a felicidade (privilégio) não alcança os pobres.

  • “A Geografia da dor registra no mapa gente viva com a barriga morta” — a dor é mapeada, mas as pessoas continuam vivas com fome.

  • “O arroz e o feijão alegam não ter nada a ver com isso” — ironia: os alimentos básicos “se eximem” da culpa.

  • “Quem se importa?” — a pergunta retórica que sintetiza a crítica: ninguém se importa.

  • “No vazio do garfo e da faca, o tempero da revolta” — a ausência de comida gera revolta.

A pergunta “Quem se importa?” é o ápice da crítica: ela não espera resposta, mas denuncia o descaso. É exatamente isso que a alternativa A aponta.

A técnica que decide

A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas pegam um trecho real do poema e acrescentam uma ideia que o texto não autoriza. O método é testar cada alternativa perguntando: o texto diz isso, ou eu estou completando com o que acho que ele diz?

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um verso verdadeiro e embutir uma opinião/causa que o autor não externou. A letra B, por exemplo, usa “No vazio do garfo e da faca” (trecho real) mas inventa a causa “desperdício de alimentos” — que não está no poema. O mesmo ocorre em C, D e E.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o eu lírico critica “a indiferença diante da fome dos pobres”, e a prova está na pergunta retórica:

“Quem se importa?”

Essa pergunta não busca informação; ela denuncia que ninguém se importa com a fome dos pobres. É a expressão máxima da indiferença social. A alternativa parafraseia fielmente a crítica central do poema, sem acrescentar nada de fora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que o eu lírico critica “o desperdício de alimentos como causa da fome”. O trecho citado, “No vazio do garfo e da faca”, existe no poema, mas ele significa ausência de comida (o garfo e a faca vazios), não desperdício. A alternativa extrapola: acrescenta uma causa (desperdício) que o texto não menciona em nenhum momento. O poema fala da fome que já existe, não de comida sendo jogada fora.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o eu lírico critica “a falta de informações oficiais sobre as pessoas em situação de rua”, citando “gente viva”. O trecho existe, mas o poema não fala de dados oficiais nem de pessoas em situação de rua especificamente — fala de pobres em geral, nos becos e vielas. A alternativa tangencia o tema: pega uma palavra (“gente”) e a conecta a um assunto que o texto não aborda. É uma fuga ao tema.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o eu lírico critica “a ausência da fome nos espaços considerados nobres da cidade”, citando “nos becos e vielas”. O poema diz que a fome sabe onde o pobre mora e que a felicidade não sabe andar nos becos e vielas. Ou seja, a fome está presente nos becos e vielas — não está ausente. A alternativa contradiz o texto: inverte o sentido, afirmando que a fome não está onde, na verdade, ela está. O texto critica a fome presente na periferia, não a ausência dela em áreas nobres.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o eu lírico critica “a aceitação da falta de alimentos como algo natural da existência”, citando “o tempero da revolta”. O trecho existe, mas o sentido é oposto: “o tempero da revolta” indica que a fome gera revolta, inconformismo — não aceitação. A alternativa contradiz o texto: troca o sentimento de revolta por um de conformismo. O poema não diz que a fome é aceita como natural; diz que ela é o tempero da revolta, ou seja, o combustível da indignação.

Conclusão

A questão se resolve pelo teste da autorização: a alternativa correta é a única que o texto sustenta integralmente, sem exigir que o leitor acrescente causas, temas ou sentimentos de fora. A letra A é a única que traduz a crítica central do poema — a indiferença diante da fome — ancorada na pergunta retórica “Quem se importa?”.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de “o que o texto critica”, procure a tese (a ideia central), não um detalhe isolado. A pergunta retórica costuma ser o ápice da crítica — grife-a antes de ler as alternativas.

Gabarito: letra A

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