Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218722
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
3º AEM ( )
A palavra obrigado/obrigada é usada em português há mais de trezentos anos como forma de agradecimento. Muitas pessoas alegam que a ideia de “obrigação” é autoritária, indica opressão, subserviência ou coisa assim. No lugar dela, tem gente que agora usa “gratidão”. Mas é uma tentativa inútil de “reformar” a língua: existem fórmulas idiomáticas que estão de tal modo enraizadas na cultura dos povos que a falam, que muito dificilmente deixarão de ser usadas para serem substituídas por outras. E duvido que alguém vá ensinar português a uma pessoa estrangeira dizendo que ela deve dizer “gratidão” em lugar de obrigada.
Temos de combater, isso sim, o emprego de palavras e expressões que veiculam posturas racistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas em geral. O que deve, sim, ser posto em xeque e combatido é o hábito de chamar alguma coisa ruim ou malfeita de “trabalho de índio”, é usar “mulherzinha” como termo pejorativo (especialmente para se referir a meninos que não encarnam o estereótipo de “macho”), enfim, devemos denunciar e combater o recurso a toda uma grande quantidade de expressões que deixam transparecer as opressões sofridas por tantas pessoas há tanto tempo. Porque são essas que exercem violência simbólica (muitas vezes acompanhada de violência física) contra os mais diferentes grupos sociais, são essas que têm força discursiva na consciência atual das pessoas que se valem delas para agredir ou que são agredidas por elas.
(Marcos Bagno. Falsas elegâncias – como evitar a hipercorreção na escrita formal. São Paulo: Parábola, 2020, p. 41. Adaptado)
Leia o texto para responder a questão. O autor do texto defende ser necessário
Aevitar termos que são empregados como formas de discriminação.
Bpreservar fórmulas idiomáticas introduzidas na língua há muito tempo.
Cutilizar expressões de agradecimento apropriadas aos dias atuais.
Ddenunciar tentativas de reformar a língua por meio da exclusão de palavras.
Erecuperar palavras e expressões enraizadas na cultura dos povos.
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GabaritoA — evitar termos que são empregados como formas de discriminação.
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O que o autor defende: combater expressões discriminatórias
Gabarito: letra A. O autor defende que é necessário evitar termos empregados como formas de discriminação — é exatamente o que ele afirma no segundo parágrafo ao dizer que devemos combater o uso de expressões que veiculam posturas racistas, sexistas, homofóbicas e preconceituosas. A passagem que ancora a resposta é:
"Temos de combater, isso sim, o emprego de palavras e expressões que veiculam posturas racistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas em geral."
A alternativa A é uma paráfrase fiel dessa tese: "evitar termos que são empregados como formas de discriminação" reescreve, com outras palavras, a ideia de combater o emprego de expressões preconceituosas. As demais alternativas ou tangenciam o tema (falam de fórmulas idiomáticas, reforma da língua) ou invertem o foco do autor.
O comando
A questão pede que se identifique o que o autor defende ser necessário — ou seja, a tese central do texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, e a alternativa correta é uma paráfrase (reescritura fiel) do que está escrito. Não se trata de inferir nada além do que o autor disse; basta localizar a ideia principal e comparar com as alternativas.
O texto e a tese
O texto tem dois movimentos:
Primeiro parágrafo: o autor rejeita a tentativa de substituir "obrigado/obrigada" por "gratidão", chamando-a de "tentativa inútil de reformar a língua". Ele argumenta que fórmulas idiomáticas enraizadas dificilmente deixarão de ser usadas.
Segundo parágrafo: o autor redireciona o foco: o que deve ser combatido não é a palavra "obrigado", mas sim expressões que veiculam preconceito — como "trabalho de índio" ou "mulherzinha" —, pois essas exercem violência simbólica e têm força discursiva.
A tese do texto, portanto, é dupla: (1) não adianta tentar reformar a língua substituindo fórmulas consagradas; (2) o que realmente importa é combater expressões discriminatórias. A questão pergunta "o autor defende ser necessário" — e a resposta é o segundo ponto, que é o foco argumentativo do texto (o autor dedica o parágrafo inteiro a isso, com exemplos e justificativas).
A técnica que decide
Para resolver, pergunte: qual alternativa traduz a tese central do autor? A tese está no segundo parágrafo, que começa com "Temos de combater, isso sim...". O "isso sim" é um operador argumentativo que marca o que o autor considera realmente importante — em oposição à tentativa de reformar a língua, que ele descarta como inútil. Portanto, a resposta deve refletir o combate a expressões preconceituosas, não a preservação de fórmulas ou a reforma da língua.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Temos de combater, isso sim, o emprego de palavras e expressões que veiculam posturas racistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas em geral."
A alternativa diz "evitar termos que são empregados como formas de discriminação". Isso é uma paráfrase perfeita: "evitar" = "combater o emprego"; "termos empregados como formas de discriminação" = "palavras e expressões que veiculam posturas preconceituosas". A alternativa captura exatamente a tese do autor, sem acrescentar nem restringir nada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar o tema (fuga ao escopo). O autor menciona que fórmulas idiomáticas estão "enraizadas na cultura" e que dificilmente deixarão de ser usadas, mas isso é um argumento para rejeitar a reforma da língua — não é uma defesa de que devemos preservá-las. O autor não diz que é necessário preservar fórmulas; ele apenas constata que elas são resistentes. A alternativa inverte o foco: o autor não defende a preservação, ele defende o combate a expressões discriminatórias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não fala em "expressões de agradecimento apropriadas aos dias atuais". O autor rejeita a substituição de "obrigado" por "gratidão", mas não propõe nenhuma alternativa "apropriada" — ele simplesmente acha a tentativa inútil. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto (a noção de adequação temporal) e ainda contradiz a posição do autor, que não vê necessidade de mudar a forma de agradecer.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradizer o texto. O autor chama a tentativa de reformar a língua de "inútil", mas não defende denunciá-la — ele apenas a descarta como algo que não vai funcionar. A alternativa diz que o autor defende "denunciar tentativas de reformar a língua", o que é o oposto: o autor não quer denunciar ninguém, ele apenas acha a tentativa inútil. Além disso, o foco do autor é o combate a expressões preconceituosas, não a reforma da língua.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: tangenciar o tema (fuga ao escopo). O autor menciona que palavras e expressões estão "enraizadas na cultura dos povos", mas isso é uma constatação para explicar por que a reforma é inútil — não uma defesa de que devemos recuperá-las. A alternativa diz que o autor defende "recuperar palavras e expressões enraizadas", o que não é dito em nenhum momento. O autor não propõe nenhuma ação de recuperação; ele apenas observa que elas são resistentes.
Fechamento
A regra de ouro: a resposta mora no texto. A tese do autor está explícita no segundo parágrafo — combater expressões discriminatórias. As alternativas B e E tangenciam o tema ao focar em fórmulas idiomáticas; C e D extrapolam ou contradizem a posição do autor. A única que parafraseia fielmente a tese é a letra A.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "o autor defende", procure a tese — geralmente na introdução ou na conclusão. Aqui, o "isso sim" do segundo parágrafo é a pista de que o autor está destacando o que realmente importa para ele.