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Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu218723
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
3º AEM ( )

A palavra obrigado/obrigada é usada em português há mais de trezentos anos como forma de agradecimento. Muitas pessoas alegam que a ideia de “obrigação” é autoritária, indica opressão, subserviência ou coisa assim. No lugar dela, tem gente que agora usa “gratidão”. Mas é uma tentativa inútil de “reformar” a língua: existem fórmulas idiomáticas que estão de tal modo enraizadas na cultura dos povos que a falam, que muito dificilmente deixarão de ser usadas para serem substituídas por outras. E duvido que alguém vá ensinar português a uma pessoa estrangeira dizendo que ela deve dizer “gratidão” em lugar de obrigada.

 

Temos de combater, isso sim, o emprego de palavras e expressões que veiculam posturas racistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas em geral. O que deve, sim, ser posto em xeque e combatido é o hábito de chamar alguma coisa ruim ou malfeita de “trabalho de índio”, é usar “mulherzinha” como termo pejorativo (especialmente para se referir a meninos que não encarnam o estereótipo de “macho”), enfim, devemos denunciar e combater o recurso a toda uma grande quantidade de expressões que deixam transparecer as opressões sofridas por tantas pessoas há tanto tempo. Porque são essas que exercem violência simbólica (muitas vezes acompanhada de violência física) contra os mais diferentes grupos sociais, são essas que têm força discursiva na consciência atual das pessoas que se valem delas para agredir ou que são agredidas por elas.

 

(Marcos Bagno. Falsas elegâncias – como evitar a hipercorreção na escrita formal. São Paulo: Parábola, 2020, p. 41. Adaptado)

Leia o texto para responder a questão.     No texto, um recurso utilizado pelo autor para reforçar sua opinião sobre como agir frente ao uso de certas expressões é a apresentação de termos
  1. Aseparados por barra, como em obrigado/obrigada.
  2. Bentre aspas, como em “macho”.
  3. Ctachados, como em mulherzinha.
  4. Dentre parênteses, como em (muitas vezes acompanhada de violência física).
  5. Erealçados, como em obrigada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — tachados, como em mulherzinha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso de aspas como recurso expressivo: reforçando a opinião do autor

Gabarito: letra B. O autor recorre às aspas para destacar e, ao mesmo tempo, questionar o sentido de certas palavras, como em “macho”, “trabalho de índio” e “mulherzinha”. Esse recurso serve para marcar que o termo é usado de forma pejorativa ou estereotipada, reforçando a tese de que tais expressões devem ser combatidas. A passagem que comprova isso é: “é usar “mulherzinha” como termo pejorativo (especialmente para se referir a meninos que não encarnam o estereótipo de “macho”)”.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique um recurso utilizado pelo autor para reforçar sua opinião. Isso não é uma pergunta de compreensão literal, mas de interpretação dos recursos expressivos do texto. A banca quer que o candidato perceba como o autor constrói seu argumento, não apenas o que ele diz. A palavra-chave é “reforçar sua opinião”, ou seja, precisamos encontrar um mecanismo linguístico que dê ênfase à posição do autor sobre o uso de certas expressões.

O texto e o movimento argumentativo

O texto de Marcos Bagno tem uma tese clara: enquanto a substituição de “obrigado” por “gratidão” é uma “tentativa inútil de reformar a língua”, o combate a expressões preconceituosas é necessário e urgente. No segundo parágrafo, o autor lista exemplos do que deve ser combatido: “trabalho de índio”, “mulherzinha” e “macho”. É exatamente nesses exemplos que o recurso das aspas aparece com função expressiva: não apenas citar, mas marcar distanciamento e denunciar o caráter pejorativo.

A técnica: aspas com valor de estranhamento

As aspas têm vários usos: citar fala de outrem, indicar título de obra, destacar estrangeirismo, mas, no texto, o valor é expressivo — elas sinalizam que a palavra está sendo usada em sentido figurado ou pejorativo, revelando a atitude crítica do autor. Quando Bagno escreve “macho”, ele não está apenas reproduzindo o termo; está questionando o estereótipo que ele carrega. O mesmo ocorre com “mulherzinha” e “trabalho de índio”. Esse uso é típico de textos argumentativos: as aspas funcionam como uma “denúncia” gráfica.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor das aspas, pergunte: o autor está apenas citando ou está marcando distância? Se há juízo de valor, é aspas de estranhamento.

Análise das alternativas

1Função no texto
Marcar distanciamento crítico
Denunciar sentido pejorativo
Reforçar a tese do autor
2Termos destacados
“macho”
“mulherzinha”
“trabalho de índio”
3Outros usos de aspas
Citação de fala
Título de obra
Estrangeirismo
Aspas (recurso expressivo)
LEVELsoulevel.com.br
Aspas (recurso expressivo): Função no texto (Marcar distanciamento crítico, Denunciar sentido pejorativo, Reforçar a tese do autor); Termos destacados (“macho”, “mulherzinha”, “trabalho de índio”); Outros usos de aspas (Citação de fala, Título de obra, Estrangeirismo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A barra em “obrigado/obrigada” apenas indica alternância de gênero (masculino/feminino), sem qualquer valor expressivo. Não reforça opinião; é um recurso gráfico de economia. O texto usa a barra para mostrar as duas formas possíveis, mas isso não contribui para a argumentação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As aspas em “macho” (e também em “mulherzinha” e “trabalho de índio”) têm função expressiva: marcam que o termo é usado de forma pejorativa ou estereotipada, reforçando a tese de que tais expressões devem ser combatidas. O trecho “é usar “mulherzinha” como termo pejorativo (especialmente para se referir a meninos que não encarnam o estereótipo de “macho”)” comprova que as aspas sinalizam o distanciamento crítico do autor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Tachados” não existe como recurso gráfico padrão; o termo correto seria riscado ou tachado (com um traço sobre a palavra). No texto, “mulherzinha” aparece entre aspas, não riscado. A alternativa confunde o nome do sinal com o efeito de sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os parênteses em “(muitas vezes acompanhada de violência física)” têm função explicativa — acrescentam uma informação acessória, não reforçam a opinião sobre as expressões. São um parêntese explicativo, não um recurso de ênfase argumentativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Realçados” é vago e não corresponde a um recurso específico. No texto, “obrigada” aparece sem destaque gráfico; a palavra que recebe aspas é “obrigado/obrigada” no início, mas sem valor expressivo. A alternativa não aponta um recurso real.

Conclusão

A banca testa a função expressiva das aspas, um recurso comum em textos argumentativos. Ao identificar o valor de estranhamento (marcar pejorativo), você acerta a questão. Lembre-se: aspas não são só citação; podem ser denúncia.

Gabarito: letra B.

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