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Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu218724
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2025
Cargo
3º AEM ( )

Leia a estrofe inicial de um soneto do poeta barroco Gregório de Matos (1633-1696).

 

Ardor em coração firme nascido!

Pranto por belos olhos derramado!

Incêndio em mares de água disfarçado!

Rio de neve em fogo convertido!

 

(Poemas satíricos. São Paulo: Martin Claret, 2005, p. 93)

 

As contradições e angústias que permeiam o homem da época são aqui materializadas por meio, sobretudo,

  1. Ade eufemismos.
  2. Bde pleonasmos.
  3. Cda ironia.
  4. Dda personificação.
  5. Ede paradoxos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — de paradoxos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem: o paradoxo na poesia barroca

Gabarito: letra E. A estrofe de Gregório de Matos materializa as contradições do homem barroco por meio de paradoxos — expressões que reúnem ideias contraditórias num mesmo enunciado, como se lê em "Incêndio em mares de água disfarçado" e "Rio de neve em fogo convertido". O paradoxo é a figura de pensamento que afirma uma contradição lógica, e é exatamente isso que o texto apresenta: fogo disfarçado em água, neve convertida em fogo.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique o recurso expressivo predominante na estrofe. Não se trata de compreensão literal, mas de reconhecimento de figura de linguagem — uma questão de conceito aplicado ao texto. A banca quer que você distinga, entre as figuras listadas, aquela que melhor explica o efeito de sentido criado pelos versos.

O texto e o movimento argumentativo

A estrofe é construída por quatro versos que descrevem estados emocionais (ardor, pranto, incêndio, rio) em situações impossíveis ou contraditórias:

"Ardor em coração firme nascido!" "Pranto por belos olhos derramado!" "Incêndio em mares de água disfarçado!" "Rio de neve em fogo convertido!"

Cada verso apresenta uma oposição interna: o ardor (calor) nasce em coração firme (que deveria ser frio?); o pranto (choro) é derramado por olhos belos; o incêndio (fogo) está disfarçado em mares de água; o rio de neve (frio) se converte em fogo (calor). Essas não são meras oposições entre palavras — são contradições lógicas que desafiam a razão. É o traço típico do Barroco, marcado pelo conflito entre matéria e espírito, razão e fé, vida e morte.

A técnica que decide: paradoxo × antítese

A pegadinha central está na diferença entre antítese e paradoxo. Veja a distinção:

Critério

Antítese

Paradoxo

O que faz

Aproxima palavras ou ideias de sentido oposto

Afirma uma contradição lógica, impossível

Efeito

Contraste

Absurdo aparente

Exemplo

"Tristeza não tem fim, felicidade sim"

"Incêndio em mares de água disfarçado"

Na antítese, os termos opostos coexistem sem se anularem; no paradoxo, a própria combinação é logicamente impossível — fogo não pode estar disfarçado em água, neve não pode virar fogo. O texto trabalha com impossibilidades, portanto é paradoxo.

Análise das alternativas

1Conceito
ideias contraditórias
combinação logicamente impossível
2No texto
"Incêndio em mares de água"
"Rio de neve em fogo"
3Barroco
conflito interior
angústia existencial
Paradoxo
LEVELsoulevel.com.br
Paradoxo: Conceito (ideias contraditórias, combinação logicamente impossível); No texto ("Incêndio em mares de água", "Rio de neve em fogo"); Barroco (conflito interior, angústia existencial)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Eufemismo é a figura que suaviza uma expressão desagradável (ex.: "perder a vida" por "morrer"). A estrofe não atenua nada — ela intensifica o conflito. A alternativa tangencia o tema: fala de uma figura de linguagem, mas não corresponde ao efeito do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pleonasmo é a repetição de uma ideia já contida na expressão (ex.: "subir para cima"). Não há repetição de sentido nos versos; há oposição e contradição. A alternativa troca o conceito: confunde redundância com conflito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ironia consiste em dizer o contrário do que se pretende, geralmente com intenção crítica ou humorística. A estrofe não tem tom irônico — é séria e dramática, expressando angústia. A alternativa acrescenta opinião: atribui ao texto uma intenção que ele não manifesta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Personificação (ou prosopopeia) atribui qualidades humanas a seres inanimados ou abstratos. Nos versos, não há atribuição de ações humanas a elementos não humanos — há combinação de elementos da natureza em situações impossíveis. A alternativa foge ao tema: fala de um recurso que não aparece no texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O paradoxo é a figura que reúne ideias contraditórias num mesmo enunciado, criando uma contradição lógica. Os versos "Incêndio em mares de água disfarçado" e "Rio de neve em fogo convertido" são exemplos perfeitos: fogo e água, neve e fogo são inconciliáveis pela razão, mas o poeta os funde para expressar o conflito interior do homem barroco. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de linguagem, pergunte: há oposição (antítese) ou contradição impossível (paradoxo)? Se a combinação é logicamente absurda, é paradoxo.

Gabarito: letra E.

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