Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218728
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Vista A do Alto
Ano
2025
Cargo
ACS ( )

Democracia digital

 

Nas primeiras duas décadas do século 21, o desenho da sociedade e de suas instituições sofreu grandes alterações com o uso das redes sociais, da inteligência artificial e de outras ferramentas capazes de utilizar um gigantesco volume de dados na internet para os mais diversos fins. Por um lado, abriu-se caminho para vozes historicamente silenciadas, a exemplo de jovens indígenas que passaram a compartilhar sua realidade e reivindicações sem intermediários, nas redes. Por outro, pavimentou-se uma via de disseminação de fake news, polarização ideológica e discursos de ódio. Nesse cenário, de que forma a expansão das novas tecnologias vem afetando a democracia?

 

Autor de A democracia no mundo digital: histórias, problemas e temas, o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Wilson Gomes chama a atenção, primeiramente, para as maneiras como as novas tecnologias vêm sendo utilizadas em diferentes contextos geopolíticos. “A chamada democracia digital depende de uma escolha: a decisão de usar os recursos digitais – plataformas, redes, dados, algoritmos, automações – para fortalecer valores, práticas e instituições democráticas. Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo. Quando essa convicção vacila e os regimes são atacados, os mesmos recursos podem ser empregados com igual eficácia para solapar os fundamentos da vida democrática”, alerta.

 

Segundo Gomes, nos encontramos diante de uma encruzilhada. “Há os que acreditam que a guerra pelos usos sociais das tecnologias foi vencida pelos inimigos da democracia – que as plataformas, os algoritmos e os fluxos digitais estão, irremediavelmente, capturados por lógicas autoritárias, mercadológicas ou identitárias intolerantes. Mas há, também, os que veem na resistência institucional, nas pesquisas emergentes, na regulação pública e nos novos experimentos democráticos digitais um caminho viável para reverter o jogo.”

 

(Revista E, 01.09.2025. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/ editorial/democracia-digital/. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão     De acordo com o texto, a ideia de uma democracia digital para Wilson Gomes
  1. Aé ilusória, visto que desconsidera os usos que se faz dos recursos digitais para divulgar fake news e discursos de ódio.
  2. Benvolve desafios que não existiam antes em nossa sociedade, como o combate ao autoritarismo e à intolerância.
  3. Cdepende de que, antes de tudo, a própria sociedade faça uma opção pela democracia como forma de governo.
  4. Dé viável com a condição de que sejam eliminados os algoritmos, visto que eles reforçam os discursos de ódio.
  5. Epode motivar algumas pessoas a se questionarem se, apesar das aparências, vivemos de fato em uma democracia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — depende de que, antes de tudo, a própria sociedade faça uma opção pela democracia como forma de governo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Democracia digital: a escolha prévia pela democracia

Gabarito: letra C. Para Wilson Gomes, a democracia digital depende de que, antes de tudo, a própria sociedade faça uma opção pela democracia como forma de governo — é exatamente o que ele afirma no 2º parágrafo: “a decisão de usar os recursos digitais […] para fortalecer valores, práticas e instituições democráticas. Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo”. A alternativa C é uma paráfrase fiel dessa passagem: a condição prévia é a convicção/opção social pela democracia.

O comando pede compreensão (“De acordo com o texto”), ou seja, a resposta deve estar explícita — não se trata de inferir, deduzir ou completar com opinião própria. A tarefa é localizar o que Wilson Gomes diz sobre a ideia de democracia digital e reconhecer a reescritura que preserva o sentido. As distratoras, uma a uma, ou extrapolam (acrescentam o que o texto não diz), ou restringem (trocam o alcance da afirmação), ou tangenciam o tema.

O texto apresenta um panorama: as novas tecnologias têm dois lados (vozes silenciadas × fake news e ódio), e o autor, Wilson Gomes, define a democracia digital como uma escolha — usar os recursos digitais para fortalecer a democracia, mas isso só é possível se a sociedade estiver convicta de que a democracia é a melhor forma de governo. No 3º parágrafo, ele fala de uma “encruzilhada”: uns acham que a guerra foi vencida pelos inimigos da democracia; outros veem caminho viável para reverter o jogo. Nenhuma dessas ideias sustenta as alternativas A, B, D ou E.

A técnica decisiva aqui é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve reescrever com outras palavras exatamente o que o texto afirma, sem acrescentar, suprimir ou inverter nada. Para cada distratora, pergunte: “onde o texto autoriza isto?”. Se a resposta for “em lugar nenhum”, a alternativa está errada — mesmo que soe plausível no mundo real.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, a alternativa D (eliminar algoritmos) é o exemplo clássico: o texto menciona algoritmos, mas nunca propõe eliminá-los. Desconfie de soluções radicais que o autor não defendeu.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: “De acordo com o texto” pede compreensão, não inferência. A resposta certa está escrita, apenas com outras palavras.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a democracia digital é ilusória porque desconsidera os usos para fake news e discursos de ódio. O texto, porém, não diz que a ideia é ilusória; ao contrário, apresenta a democracia digital como uma escolha possível — “a decisão de usar os recursos digitais […] para fortalecer valores, práticas e instituições democráticas”. O texto reconhece os riscos (fake news, ódio), mas não conclui que a ideia seja inviável. A alternativa extrapola ao transformar um risco em uma condenação da ideia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a democracia digital envolve desafios que não existiam antes em nossa sociedade, como combate ao autoritarismo e à intolerância. O texto menciona autoritarismo e intolerância, mas não afirma que esses desafios são novos — diz apenas que as novas tecnologias “pavimentaram uma via de disseminação de fake news, polarização ideológica e discursos de ódio”. A novidade é a via digital, não o desafio em si. A alternativa restringe o alcance do texto ao introduzir a ideia de “não existiam antes”, que não está presente.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa C é uma paráfrase fiel do 2º parágrafo. O texto diz: “essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo”. A alternativa reescreve: “depende de que, antes de tudo, a própria sociedade faça uma opção pela democracia como forma de governo”. A ideia central é a mesma: a condição prévia é a convicção/opção social pela democracia. Nenhuma informação foi acrescentada ou suprimida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa propõe que a democracia digital é viável com a condição de que sejam eliminados os algoritmos, pois eles reforçam discursos de ódio. O texto não propõe eliminar algoritmos; menciona algoritmos como parte dos recursos digitais que podem ser usados para fortalecer ou solapar a democracia, mas não defende sua eliminação. A alternativa extrapola ao inventar uma solução radical que o autor não sugeriu.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a democracia digital pode motivar algumas pessoas a se questionarem se vivemos de fato em uma democracia. O texto não aborda essa possibilidade. Ele discute o uso das tecnologias para fortalecer ou solapar a democracia, mas não menciona questionamentos individuais sobre a realidade democrática. A alternativa tangencia o tema: fala de algo remotamente relacionado, mas que não está no texto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a C, pois parafraseia com fidelidade a condição central apontada por Wilson Gomes: a democracia digital depende da opção prévia da sociedade pela democracia. As demais ou extrapolam, ou restringem, ou tangenciam o que está escrito.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu218728