Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2025
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu218730
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Vista A do Alto
Ano
2025
Cargo
ACS ( )
Democracia digital
Nas primeiras duas décadas do século 21, o desenho da sociedade e de suas instituições sofreu grandes alterações com o uso das redes sociais, da inteligência artificial e de outras ferramentas capazes de utilizar um gigantesco volume de dados na internet para os mais diversos fins. Por um lado, abriu-se caminho para vozes historicamente silenciadas, a exemplo de jovens indígenas que passaram a compartilhar sua realidade e reivindicações sem intermediários, nas redes. Por outro, pavimentou-se uma via de disseminação de fake news, polarização ideológica e discursos de ódio. Nesse cenário, de que forma a expansão das novas tecnologias vem afetando a democracia?
Autor de A democracia no mundo digital: histórias, problemas e temas, o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Wilson Gomes chama a atenção, primeiramente, para as maneiras como as novas tecnologias vêm sendo utilizadas em diferentes contextos geopolíticos. “A chamada democracia digital depende de uma escolha: a decisão de usar os recursos digitais – plataformas, redes, dados, algoritmos, automações – para fortalecer valores, práticas e instituições democráticas. Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo. Quando essa convicção vacila e os regimes são atacados, os mesmos recursos podem ser empregados com igual eficácia para solapar os fundamentos da vida democrática”, alerta.
Segundo Gomes, nos encontramos diante de uma encruzilhada. “Há os que acreditam que a guerra pelos usos sociais das tecnologias foi vencida pelos inimigos da democracia – que as plataformas, os algoritmos e os fluxos digitais estão, irremediavelmente, capturados por lógicas autoritárias, mercadológicas ou identitárias intolerantes. Mas há, também, os que veem na resistência institucional, nas pesquisas emergentes, na regulação pública e nos novos experimentos democráticos digitais um caminho viável para reverter o jogo.”
(Revista E, 01.09.2025. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/ editorial/democracia-digital/. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão Considere os trechos. Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas... (2° parágrafo) ... os mesmos recursos podem ser empregados com igual eficácia para solapar os fundamentos da vida democrática. (2° parágrafo) Nos contextos em que foram empregadas, as palavras destacadas expressam, correta e respectivamente, os sentidos de
Aagente e finalidade.
Bmodo e meio.
Cfinalidade e causa.
Dcausa e assunto.
Emeio e agente.
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GabaritoA — agente e finalidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Relações semânticas: agente e finalidade nos conectivos
Gabarito: letra A. No primeiro trecho, a expressão "por sociedades convictas" indica o agente da ação de tomar a decisão (quem pratica a ação); no segundo, "para solapar" expressa finalidade (o objetivo da ação). A alternativa A é a única que capta corretamente esses dois sentidos, como se comprova pela análise do contexto.
O comando da questão
A questão pede que você identifique o sentido das palavras destacadas nos dois trechos. Isso é uma tarefa de interpretação semântica contextual: não basta saber o significado isolado de "por" e "para"; é preciso ver como eles funcionam dentro da frase e qual relação lógica estabelecem. A banca quer que você distinga agente, meio, causa, finalidade e modo — categorias que se confundem facilmente.
O texto e o movimento argumentativo
O texto discute como as novas tecnologias afetam a democracia. No segundo parágrafo, o autor Wilson Gomes afirma que a democracia digital depende de uma escolha: usar os recursos digitais para fortalecer valores democráticos. Ele ressalta que essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas de que a democracia é a melhor forma de governo. Quando essa convicção vacila, os mesmos recursos podem ser usados para solapar a democracia.
Nos trechos destacados, a preposição "por" introduz o agente da passiva — quem pratica a ação de "tomar a decisão". Já a preposição "para" introduz uma oração subordinada adverbial final — indica o propósito, o objetivo de "empregar os recursos".
A técnica que decide
Para resolver, pergunte: quem pratica a ação? e para quê? No primeiro caso, a resposta é "sociedades convictas" — elas são o agente. No segundo, a resposta é "solapar os fundamentos da vida democrática" — esse é o objetivo, a finalidade. Essa distinção é clássica: "por" + agente (voz passiva) versus "para" + finalidade (oração final).
"Mas essa decisão só pode ser tomada por sociedades convictas..."
Aqui, "por" introduz o agente da passiva: quem toma a decisão são as sociedades convictas. Não há ideia de causa (o que provocou a decisão) nem de meio (como a decisão foi tomada).
"... os mesmos recursos podem ser empregados com igual eficácia para solapar os fundamentos da vida democrática."
Aqui, "para" introduz a finalidade: o objetivo de empregar os recursos é solapar a democracia. Não é causa (o que provocou o emprego), nem modo (como foram empregados).
Análise das alternativas
Conectivos e seus sentidos: "por" + agente da passiva (Quem pratica a ação, Ex.: "por sociedades convictas"); "para" + finalidade (Objetivo da ação, Ex.: "para solapar"); Confusões comuns ("por" ≠ causa, "para" ≠ direção)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O primeiro trecho expressa agente (quem pratica a ação de tomar a decisão: "sociedades convictas"). O segundo expressa finalidade (o objetivo de empregar os recursos: "solapar os fundamentos da vida democrática"). A alternativa A é a única que traduz fielmente esses dois sentidos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Incorreta. O primeiro trecho não expressa modo (a maneira como a decisão é tomada), mas sim o agente. O segundo não expressa meio (o instrumento usado), mas sim a finalidade. A banca tenta confundir com a ideia de "por meio de", que não está presente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Incorreta. O primeiro trecho não expressa finalidade (objetivo), mas sim agente. O segundo não expressa causa (o que provoca o emprego), mas sim finalidade. A troca de agente por finalidade e de finalidade por causa inverte completamente o sentido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Incorreta. O primeiro trecho não expressa causa (o motivo da decisão), mas sim agente. O segundo não expressa assunto (sobre o quê), mas sim finalidade. A alternativa foge completamente ao sentido dos conectivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Incorreta. O primeiro trecho não expressa meio (instrumento), mas sim agente. O segundo não expressa agente (quem pratica a ação), mas sim finalidade. A alternativa inverte os dois sentidos.
Fechamento
A regra de ouro: "por" + agente da passiva (quem pratica) e "para" + finalidade (objetivo). Sempre que a banca pedir o sentido de um conectivo, pergunte: quem? (agente), como? (modo), por quê? (causa), para quê? (finalidade). Isso elimina a maioria das pegadinhas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "por" com sentido de agente e "por" com sentido de causa, e entre "para" com sentido de finalidade e "para" com sentido de direção. Fique atento ao contexto.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "expressam os sentidos de" pede análise semântica contextual, não gramática decorada. Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza este sentido?