Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218745
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
DEsc ( )
Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma nação desenvolvida, decente e sustentável. Sendo assim, é possível imaginar o que significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a escola como um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se, agora, graças a uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro na escola. Apenas 45% desses alunos afirmam se sentir acolhidos pelos adultos dentro da escola, 56% consideram que os profissionais da escola respeitam e valorizam os alunos.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu, visão marcada por contextos de violência, bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde; segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos oferecendo aos nossos adolescentes. São dois longevos e mal resolvidos problemas da educação básica. No primeiro caso, registrem-se os relatos negativos apontados num estudo com base em dados do Atlas da Violência 2024. No segundo, há a flagrante dificuldade de conter o abandono escolar entre os adolescentes, motivado também pela falta de interesse.
O Brasil ainda está a anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para os alunos. Convém sublinhar que a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos, mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência, inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento do papel das disciplinas tradicionais para ajudar-lhes no desenvolvimento para a vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência.
(Estadão, “Um país de escolas inseguras não tem futuro”. 15.09.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)
O texto defende a ideia de que
Ao MEC deve privilegiar a garantia da segurança escolar estrita em detrimento da adequação de um currículo condizente com tendências contemporâneas.
Bos adolescentes, por viverem uma fase de incertezas, tendem a demonstrar uma personalidade difícil, que resulta em bullying e casos de violência.
Cfalta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde são aspectos alheios à esfera educacional, cuja solução exige uma conjunção de esforços.
Dpreservar a segurança escolar passa por demonstrar aos alunos uma aproximação a seus interesses, mesmo que por meio de práticas efêmeras.
Eos anos finais do Ensino Fundamental representam um momento desafiador, que requer ajustes concretos da escola a fim de transmitir segurança aos alunos.
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GabaritoE — os anos finais do Ensino Fundamental representam um momento desafiador, que requer ajustes concretos da escola a fim de transmitir segurança aos alunos.
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A tese do texto: escola segura e ajustada aos jovens
Gabarito: letra E. O texto defende que os anos finais do Ensino Fundamental são um momento desafiador que exige ajustes concretos da escola para transmitir segurança aos alunos — exatamente o que a alternativa E afirma. A passagem que ancora essa leitura está no último parágrafo: "é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência". A alternativa E é a única que sintetiza a tese central sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto.
O comando: o que a questão pede
O enunciado "O texto defende a ideia de que" é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel da tese defendida pelo autor, não uma inferência livre nem uma opinião externa. Isso significa que a alternativa correta precisa estar ancorada em passagens explícitas do texto, sem acrescentar informações que não estão lá. As distratoras, por sua vez, cometem erros típicos: extrapolam, restringem, contradizem ou tangenciam o que o autor realmente disse.
O texto: tema, tese e movimento argumentativo
O texto é um editorial do Estadão sobre a insegurança nas escolas públicas brasileiras. A tese aparece logo no primeiro parágrafo: a escola, se boa e bem estruturada, é a garantia de acesso a chances reais — e quando os jovens a enxergam como lugar de incerteza, isso é "uma tragédia silenciosa e inconcebível". O autor então apresenta dados do MEC (quase metade dos alunos do 8º e 9º ano não se sente segura) e aponta duas frentes de preocupação: a segurança estrita (violência, bullying, discriminação) e o tipo de escola pública "por vezes desinteressante". No quarto parágrafo, ele defende que adequar a escola aos novos contextos "não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos". O último parágrafo reforça o convite à ação, destacando a transição da infância para a adolescência como momento difícil.
A alternativa E captura exatamente essa síntese: os anos finais do Ensino Fundamental (8º e 9º ano, mencionados no texto) são um momento desafiador ("transição da infância para a adolescência") que requer ajustes concretos da escola ("ajustar currículos e práticas escolares") para transmitir segurança aos alunos (a tese central sobre a escola como locus de formação e segurança).
A técnica que decide: paráfrase fiel vs. extrapolação
A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas pegam elementos reais do texto e os distorcem, acrescentando opiniões ou relações de causa que o autor não estabeleceu. A técnica para resolver é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?" e "isto é exatamente o que o autor disse, ou é uma versão deformada?". A alternativa correta é a única que pode ser provada com citações diretas, sem precisar de nenhum salto lógico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora pegar um elemento real do texto (segurança, currículo, violência, falta de vagas) e embuti-lo numa afirmação que o autor não fez — seja invertendo prioridades, atribuindo causas, ou usando palavras absolutas como "alheios" e "efêmeras". A letra E escapa disso porque é uma síntese literal da tese.
Tese do texto
1Escola boa e estruturada
Garante acesso a chances reais
Deve transmitir segurança
2Duas frentes de preocupação
Segurança estrita
Violência, bullying, discriminação
Falta de vagas, transporte, saúde
Escola desinteressante
Ajustar currículos e práticas
Sem modismos ou demagogia
3Anos finais do Ensino Fundamental
Momento difícil de transição
Convite à ação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o MEC deve privilegiar a segurança escolar em detrimento da adequação curricular. O texto, porém, apresenta as duas frentes como complementares, não excludentes: "Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas pelos números: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto sensu... segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante". O autor não diz que uma deve prevalecer sobre a outra; pelo contrário, defende ajustes curriculares sem abrir mão da segurança. A alternativa contradiz o texto ao criar uma oposição que não existe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa atribui o bullying e a violência a uma "personalidade difícil" dos adolescentes, resultado de "incertezas". O texto não faz essa relação de causa e efeito. Ele menciona bullying e violência como parte da "escola segura stricto sensu" (contextos de violência), mas não diz que os adolescentes são os causadores por serem difíceis. Isso é uma extrapolação — o texto aponta problemas estruturais da escola, não um defeito de caráter dos alunos. Além disso, a alternativa tangencia o tema ao focar na personalidade dos jovens, quando o texto foca na inadequação da escola.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa diz que falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde são "aspectos alheios à esfera educacional". O texto, porém, os lista dentro da primeira frente de preocupação sobre a escola segura: "visão marcada por contextos de violência, bullying, discriminação, gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde". Ou seja, o autor os considera parte do problema educacional, não algo alheio. A alternativa contradiz o texto ao excluir esses aspectos da esfera educacional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que preservar a segurança escolar passa por demonstrar aproximação aos interesses dos alunos "mesmo que por meio de práticas efêmeras". O texto diz exatamente o oposto: "a necessidade de adequar melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar currículos e práticas escolares". "Práticas efêmeras" é sinônimo de modismos — e o autor os rejeita explicitamente. A alternativa contradiz o texto ao inverter a posição do autor.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela afirma que os anos finais do Ensino Fundamental representam um momento desafiador que requer ajustes concretos da escola para transmitir segurança aos alunos. Isso é uma paráfrase fiel de duas passagens centrais:
"é um convite à ação, num país onde um a cada cinco jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento tão difícil de transição da infância para a adolescência"
"ajustar currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos"
A primeira passagem confirma o "momento desafiador" (transição difícil) e o "requer ajustes" (convite à ação); a segunda confirma os "ajustes concretos" (currículos e práticas). A "transmissão de segurança" é a tese central do texto, expressa na ideia de que a escola deve ser um lugar de segurança e formação. Nenhuma outra alternativa consegue reunir esses três elementos — momento desafiador, ajustes concretos e segurança — com base em passagens explícitas.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "o texto defende", grife a tese no primeiro e no último parágrafo — é lá que o autor sintetiza sua posição. Depois, teste cada alternativa perguntando: "isto está escrito, ou é uma dedução minha?". Se precisar acrescentar algo de fora, está errada.
Gabarito: letra E — a única que parafraseia a tese sem extrapolar, restringir ou contradizer o texto.