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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218757
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
SEns ( )

O tamanho do abismo da educação

 

O recente Panorama da Educação da OCDE (um fórum de democracias desenvolvidas), particularmente focado no ensino superior, expõe com desconfortável clareza o abismo que separa o Brasil não só dos países ricos, mas de economias emergentes mais bem-sucedidas. Não basta investir uma fatia elevada do PIB em educação – 4,3%, acima da média da OCDE de 3,6% – se o sistema distribui mal os recursos e gasta pior ainda.

 

A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino. Na educação básica – a principal alavanca de mobilidade social –, o País investe só um terço da média internacional. Ao mesmo tempo, mantém universidades públicas de alto custo – comparáveis em despesa por aluno à média da OCDE –, mas que formam relativamente poucos diplomados. É uma transferência de renda às avessas: a massa de pobres, presos a escolas precárias, financia a gratuidade acadêmica para poucos jovens das classes altas.

 

O retrato do ensino superior é desanimador. Apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem diploma, ante 49% na média da OCDE. E metade dos que ingressam na graduação não conclui o curso. Muitos diplomas concentram-se em áreas de baixo impacto inovador, e apenas 16% em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – indispensáveis para competir na economia digital –, em contraste com a média de 23% dos países avançados.

 

Cerca de 24% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estuda nem trabalha, ante 14% na média da OCDE. É desperdício de capital humano e uma bomba-relógio social. Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda entre diplomados e não diplomados é desproporcional: no Brasil, os primeiros ganham 148% a mais do que os segundos; na OCDE, a diferença é só de 54%. O diploma aqui é ao mesmo tempo escasso e sobrevalorizado – refletindo a baixa qualificação geral da força de trabalho.

 

O caminho da correção é claro. Primeiro, reequilibrar prioridades: fortalecer a educação básica, hoje subfinanciada, e a técnica, estigmatizada, sem abandonar a excelência necessária no ensino superior. O ensino técnico poderia reduzir a evasão e o contingente dos “nem-nem”, aproximando escola e trabalho, dando ao País a mão de obra que a indústria da inovação demanda e impulsionando a mobilidade social. Mas só 13% dos estudantes do ensino médio estão nessa modalidade de formação, ante 40% na OCDE. No mesmo sentido, é preciso diversificar o modelo acadêmico: universidades voltadas à pesquisa de excelência devem coexistir com instituições voltadas à formação regional, técnica e profissionalizante.

 

O Brasil conquistou avanços quantitativos – mais vagas, mais matrículas, mais diplomas. O desafio não é apenas expandir o acesso, e sim transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. O futuro não se constrói com títulos de papel, mas com instituições capazes de formar capital humano, reduzir desigualdades e inovar. Sem isso, o Brasil continuará preso ao paradoxo de investir muito e colher pouco – um país de diplomas caros, mas de conhecimento barato.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 22.09.2025. Adaptado)

No título do texto, o termo “abismo” refere-se à
  1. Afalta de investimento vultoso em educação no mundo.
  2. Bdistorção existente nos níveis de ensino no Brasil.
  3. Cposição vantajosa do Brasil entre as nações emergentes.
  4. Dfalta de financiamento educacional em nações ricas.
  5. Edescrença na educação em países emergentes e ricos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — distorção existente nos níveis de ensino no Brasil.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O "abismo" da educação: sentido figurado e ancoragem no texto

Gabarito: letra B. O termo "abismo", no título, refere-se à distorção existente nos níveis de ensino no Brasil, como se lê no 2º parágrafo: "A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino". A alternativa B é a única que parafraseia essa ideia central, enquanto as demais ou extrapolam o texto ou contradizem o que ele afirma.

O comando pede uma compreensão ("refere-se a"), ou seja, exige localizar a que exatamente o autor atribui a metáfora do "abismo". Não se trata de inferir algo além do texto, mas de identificar o referente explícito da palavra. O título anuncia o tema; o desenvolvimento do texto o explica. A resposta, portanto, mora na passagem que define o problema central.

O texto é um editorial dissertativo-argumentativo. A tese é a de que o Brasil investe muito em educação, mas colhe pouco, devido a uma má distribuição de recursos e a uma distorção nos níveis de ensino. O autor desenvolve essa tese comparando o Brasil com a OCDE e com outras economias emergentes. O "abismo" não é a falta de investimento (o texto diz que o Brasil investe 4,3% do PIB, acima da média da OCDE), mas sim a desigualdade interna entre a educação básica (subfinanciada) e o ensino superior (de alto custo e que forma poucos). É essa distorção que cria o fosso entre o que se investe e o que se colhe.

A técnica para resolver é a ancoragem referencial: identificar a que o termo "abismo" se refere no contexto. O autor usa a metáfora para nomear o problema central que vai desenvolver: a distorção entre os níveis de ensino. No 2º parágrafo, ele explicita: "A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino". Essa é a chave. As demais alternativas ou apontam para causas que o texto não afirma (como a falta de investimento) ou para consequências que não são o foco (como a posição do Brasil entre emergentes).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a metáfora do "abismo" e oferece alternativas que extrapolam o texto, como a falta de investimento (que o texto nega) ou a posição vantajosa (que contradiz a tese).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de uma metáfora, procure no texto a passagem que a explica. O autor costuma definir o termo figurado logo após usá-lo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o "abismo" refere-se à falta de investimento vultoso em educação no mundo. O texto, porém, diz o contrário: "Não basta investir uma fatia elevada do PIB em educação – 4,3%, acima da média da OCDE de 3,6% – se o sistema distribui mal os recursos e gasta pior ainda". Ou seja, o problema não é a falta de investimento, mas a má distribuição e o mau gasto. A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola ao generalizar para "o mundo", quando o texto foca no Brasil.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a única que se ancora diretamente no texto. No 2º parágrafo, o autor escreve: "A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino". Essa é a definição do "abismo": a distorção entre a educação básica (subfinanciada) e o ensino superior (de alto custo e que forma poucos). O título anuncia o problema; o desenvolvimento o explica. A alternativa B é uma paráfrase fiel dessa ideia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o "abismo" refere-se à posição vantajosa do Brasil entre as nações emergentes. O texto, porém, mostra o oposto: o Brasil está atrás de economias emergentes mais bem-sucedidas. No 1º parágrafo, lê-se: "expõe com desconfortável clareza o abismo que separa o Brasil não só dos países ricos, mas de economias emergentes mais bem-sucedidas". A palavra "abismo" indica desvantagem, não vantagem. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o "abismo" refere-se à falta de financiamento educacional em nações ricas. O texto não trata disso; ele compara o Brasil com a OCDE, mas o foco é o Brasil. Além disso, o texto diz que o Brasil investe acima da média da OCDE, ou seja, não há falta de financiamento no Brasil. A alternativa extrapola ao inventar um problema das nações ricas que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o "abismo" refere-se à descrença na educação em países emergentes e ricos. O texto não menciona descrença; ele fala de problemas estruturais, como a distorção nos níveis de ensino e a má distribuição de recursos. A alternativa extrapola ao introduzir um sentimento (descrença) que não está no texto.

Conclusão: a resposta correta é a letra B, pois é a única que se ancora na passagem que define o "abismo" como a distorção nos níveis de ensino no Brasil. As demais ou contradizem o texto (A, C) ou extrapolam (D, E).

Gabarito: letra B

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