Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu218762
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
SEns ( )

O tamanho do abismo da educação

 

O recente Panorama da Educação da OCDE (um fórum de democracias desenvolvidas), particularmente focado no ensino superior, expõe com desconfortável clareza o abismo que separa o Brasil não só dos países ricos, mas de economias emergentes mais bem-sucedidas. Não basta investir uma fatia elevada do PIB em educação – 4,3%, acima da média da OCDE de 3,6% – se o sistema distribui mal os recursos e gasta pior ainda.

 

A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino. Na educação básica – a principal alavanca de mobilidade social –, o País investe só um terço da média internacional. Ao mesmo tempo, mantém universidades públicas de alto custo – comparáveis em despesa por aluno à média da OCDE –, mas que formam relativamente poucos diplomados. É uma transferência de renda às avessas: a massa de pobres, presos a escolas precárias, financia a gratuidade acadêmica para poucos jovens das classes altas.

 

O retrato do ensino superior é desanimador. Apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem diploma, ante 49% na média da OCDE. E metade dos que ingressam na graduação não conclui o curso. Muitos diplomas concentram-se em áreas de baixo impacto inovador, e apenas 16% em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – indispensáveis para competir na economia digital –, em contraste com a média de 23% dos países avançados.

 

Cerca de 24% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estuda nem trabalha, ante 14% na média da OCDE. É desperdício de capital humano e uma bomba-relógio social. Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda entre diplomados e não diplomados é desproporcional: no Brasil, os primeiros ganham 148% a mais do que os segundos; na OCDE, a diferença é só de 54%. O diploma aqui é ao mesmo tempo escasso e sobrevalorizado – refletindo a baixa qualificação geral da força de trabalho.

 

O caminho da correção é claro. Primeiro, reequilibrar prioridades: fortalecer a educação básica, hoje subfinanciada, e a técnica, estigmatizada, sem abandonar a excelência necessária no ensino superior. O ensino técnico poderia reduzir a evasão e o contingente dos “nem-nem”, aproximando escola e trabalho, dando ao País a mão de obra que a indústria da inovação demanda e impulsionando a mobilidade social. Mas só 13% dos estudantes do ensino médio estão nessa modalidade de formação, ante 40% na OCDE. No mesmo sentido, é preciso diversificar o modelo acadêmico: universidades voltadas à pesquisa de excelência devem coexistir com instituições voltadas à formação regional, técnica e profissionalizante.

 

O Brasil conquistou avanços quantitativos – mais vagas, mais matrículas, mais diplomas. O desafio não é apenas expandir o acesso, e sim transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. O futuro não se constrói com títulos de papel, mas com instituições capazes de formar capital humano, reduzir desigualdades e inovar. Sem isso, o Brasil continuará preso ao paradoxo de investir muito e colher pouco – um país de diplomas caros, mas de conhecimento barato.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 22.09.2025. Adaptado)

A colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão em:
  1. ANo Brasil, tem investido-se na educação básica apenas um terço da média internacional.
  2. BO país vem esforçando-se para melhorar a educação, tendo havido avanços significativos.
  3. CUm desafio educacional que vive-se no Brasil é reverter a transferência de renda às avessas.
  4. DParece que não tem-se feito nada para que as instituições formem capital humano.
  5. EPoderia-se reduzir a evasão educacional no Brasil com a aproximação entre escola e trabalho.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O país vem esforçando-se para melhorar a educação, tendo havido avanços significativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a posição do pronome oblíquo átono

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que respeita a norma-padrão ao empregar a ênclise com o verbo principal no gerúndio dentro de uma locução verbal: "vem esforçando-se". Nas demais, há erro de colocação: ou o pronome deveria estar em próclise (por atração de palavra negativa, advérbio ou conjunção subordinativa), ou a ênclise foi usada indevidamente com verbo no particípio. A regra que decide: em locuções verbais, o pronome pode ficar após o verbo auxiliar ou após o verbo principal, desde que não haja fator de próclise; com particípio, a ênclise é vedada.

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa em que a colocação pronominal está em conformidade com a norma-padrão. Isso significa que devemos analisar cada frase e verificar se a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as) está correta segundo as regras de próclise, ênclise e mesóclise. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada a frases isoladas — embora o texto-base sirva de contexto, a resposta depende exclusivamente da correção sintática de cada alternativa.

A regra que decide: colocação do pronome em locuções verbais

Em uma locução verbal (verbo auxiliar + verbo principal no infinitivo, gerúndio ou particípio), o pronome oblíquo átono pode ocupar três posições, conforme a norma culta:

  1. Após o verbo auxiliar (ênclise ao auxiliar): "O país vem-se esforçando" — também correto.

  2. Após o verbo principal no infinitivo ou gerúndio (ênclise ao principal): "O país vem esforçando-se" — correto, como na alternativa B.

  3. Antes do verbo auxiliar (próclise), se houver palavra atrativa: "O país não se esforça" — obrigatório com negação.

Importante: com o verbo principal no particípio, a ênclise é vedada — o pronome deve ficar antes do auxiliar ou após o auxiliar, nunca depois do particípio. Ex.: "tinha-se esforçado" (correto), "tinha esforçado-se" (errado).

A pegadinha da banca

A banca explora três armadilhas clássicas:

  • Palavra atrativa (advérbio, conjunção subordinativa, pronome relativo, palavra negativa) que obriga a próclise — presente nas alternativas A, C e D.

  • Ênclise com particípio — proibida, presente na alternativa E.

  • Mesóclise mal aplicada — usada com futuro do pretérito, quando deveria ser próclise por atração de conjunção, presente na alternativa D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora colocar uma palavra atrativa (como "não", "que", "se") e usar ênclise, ou usar ênclise com particípio. Desconfie sempre de pronome depois de particípio e de ênclise após palavra atrativa.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar colocação pronominal, primeiro identifique se há palavra atrativa antes do verbo. Se houver, a próclise é obrigatória. Depois, verifique se o verbo principal está no particípio — se estiver, a ênclise é proibida.

Análise das alternativas

1Posições do pronome
Próclise (antes do auxiliar)
Ênclise ao auxiliar
Ênclise ao principal (infinitivo/gerúndio)
2Fatores de próclise obrigatória
Palavra negativa (não)
Advérbio
Pronome relativo (que)
Conjunção subordinativa
3Ênclise vedada
Com particípio
4Futuro do pretérito sem atrativo
Mesóclise (poder-se-ia)
Colocação pronominal em locuções verbais
LEVELsoulevel.com.br
Colocação pronominal em locuções verbais: Posições do pronome (Próclise (antes do auxiliar), Ênclise ao auxiliar, Ênclise ao principal (infinitivo/gerúndio)); Fatores de próclise obrigatória (Palavra negativa (não), Advérbio, Pronome relativo (que), Conjunção subordinativa); Ênclise vedada (Com particípio); Futuro do pretérito sem atrativo (Mesóclise (poder-se-ia))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: próclise obrigatória por advérbio. A frase "No Brasil, tem investido-se na educação básica" está errada porque o advérbio "No Brasil" (adjunto adverbial) atrai o pronome para antes do verbo auxiliar. O correto seria: "No Brasil, tem-se investido na educação básica" (próclise ao auxiliar) ou "No Brasil, investe-se na educação básica" (ênclise ao verbo principal, se não houvesse locução). A presença do adjunto adverbial deslocado exige próclise.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: ênclise ao gerúndio em locução verbal. A frase "O país vem esforçando-se para melhorar a educação" está perfeita. O verbo auxiliar "vem" + gerúndio "esforçando" forma locução verbal; o pronome "se" pode ficar após o gerúndio (ênclise ao principal) ou após o auxiliar ("vem-se esforçando"). Não há palavra atrativa, então a ênclise é facultativa e correta. A norma-padrão aceita ambas as posições.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: próclise obrigatória por pronome relativo. A frase "Um desafio educacional que vive-se no Brasil" está errada porque o pronome relativo "que" atrai o pronome "se" para antes do verbo. O correto seria: "Um desafio educacional que se vive no Brasil" (próclise). A presença do relativo "que" é fator de próclise obrigatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: próclise obrigatória por conjunção subordinativa e palavra negativa. A frase "Parece que não tem-se feito nada" contém dois fatores de próclise: a conjunção subordinativa "que" e a palavra negativa "não". O correto seria: "Parece que não se tem feito nada" (próclise ao auxiliar). Além disso, "tem-se feito" com particípio "feito" — a ênclise ao particípio seria vedada mesmo sem atrativos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: ênclise vedada com particípio. A frase "Poderia-se reduzir a evasão educacional" está errada por dois motivos: primeiro, o verbo "poderia" está no futuro do pretérito, e a mesóclise seria a forma correta se não houvesse atrativo ("poderia-se" é forma incorreta; o certo seria "poder-se-ia"); segundo, mesmo que fosse "poderia", a ênclise com particípio "reduzir" não se aplica — na verdade, "reduzir" é infinitivo, mas a locução "poderia reduzir" exige próclise ou mesóclise. O correto seria: "Poder-se-ia reduzir a evasão educacional" (mesóclise) ou "Poderia reduzir-se a evasão educacional" (ênclise ao infinitivo, se não houvesse atrativo). A forma "Poderia-se" é incorreta porque o futuro do pretérito exige mesóclise quando não há palavra atrativa.

Conclusão

A única alternativa que respeita integralmente a norma-padrão é a letra B, pois emprega a ênclise ao gerúndio em locução verbal sem qualquer fator de próclise. As demais erram ao usar ênclise após palavra atrativa (A, C, D) ou ao empregar forma verbal inadequada (E).

PEGA ESSA DICA!

"Não, que, se" — as três palavras que mais atraem próclise em provas. Se aparecerem antes do verbo, o pronome vai para antes.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu218762