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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218763
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2025
Cargo
SEns ( )

O tamanho do abismo da educação

 

O recente Panorama da Educação da OCDE (um fórum de democracias desenvolvidas), particularmente focado no ensino superior, expõe com desconfortável clareza o abismo que separa o Brasil não só dos países ricos, mas de economias emergentes mais bem-sucedidas. Não basta investir uma fatia elevada do PIB em educação – 4,3%, acima da média da OCDE de 3,6% – se o sistema distribui mal os recursos e gasta pior ainda.

 

A deficiência começa na distorção perversa nos níveis de ensino. Na educação básica – a principal alavanca de mobilidade social –, o País investe só um terço da média internacional. Ao mesmo tempo, mantém universidades públicas de alto custo – comparáveis em despesa por aluno à média da OCDE –, mas que formam relativamente poucos diplomados. É uma transferência de renda às avessas: a massa de pobres, presos a escolas precárias, financia a gratuidade acadêmica para poucos jovens das classes altas.

 

O retrato do ensino superior é desanimador. Apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem diploma, ante 49% na média da OCDE. E metade dos que ingressam na graduação não conclui o curso. Muitos diplomas concentram-se em áreas de baixo impacto inovador, e apenas 16% em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – indispensáveis para competir na economia digital –, em contraste com a média de 23% dos países avançados.

 

Cerca de 24% dos brasileiros de 18 a 24 anos não estuda nem trabalha, ante 14% na média da OCDE. É desperdício de capital humano e uma bomba-relógio social. Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda entre diplomados e não diplomados é desproporcional: no Brasil, os primeiros ganham 148% a mais do que os segundos; na OCDE, a diferença é só de 54%. O diploma aqui é ao mesmo tempo escasso e sobrevalorizado – refletindo a baixa qualificação geral da força de trabalho.

 

O caminho da correção é claro. Primeiro, reequilibrar prioridades: fortalecer a educação básica, hoje subfinanciada, e a técnica, estigmatizada, sem abandonar a excelência necessária no ensino superior. O ensino técnico poderia reduzir a evasão e o contingente dos “nem-nem”, aproximando escola e trabalho, dando ao País a mão de obra que a indústria da inovação demanda e impulsionando a mobilidade social. Mas só 13% dos estudantes do ensino médio estão nessa modalidade de formação, ante 40% na OCDE. No mesmo sentido, é preciso diversificar o modelo acadêmico: universidades voltadas à pesquisa de excelência devem coexistir com instituições voltadas à formação regional, técnica e profissionalizante.

 

O Brasil conquistou avanços quantitativos – mais vagas, mais matrículas, mais diplomas. O desafio não é apenas expandir o acesso, e sim transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. O futuro não se constrói com títulos de papel, mas com instituições capazes de formar capital humano, reduzir desigualdades e inovar. Sem isso, o Brasil continuará preso ao paradoxo de investir muito e colher pouco – um país de diplomas caros, mas de conhecimento barato.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 22.09.2025. Adaptado)

Em conformidade com o sentido original do texto e com a norma-padrão, a passagem do último parágrafo – O desafio não é apenas expandir o acesso, e sim transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. – admite a seguinte reescrita:
  1. AO desafio não é apenas expandir o acesso às vagas na educação, mas também transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva.
  2. BO desafio não é apenas expandir o acesso à mais vagas na educação, ainda que o transforme em permanência, aprendizado e inserção produtiva.
  3. CO desafio não é apenas expandir o acesso a mais vagas na educação, ou transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva.
  4. DO desafio não é apenas expandir o acesso às vagas na educação, portanto é transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva.
  5. EO desafio não é apenas expandir o acesso à vagas na educação, enquanto transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva.
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GabaritoA — O desafio não é apenas expandir o acesso às vagas na educação, mas também transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva.

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Reescrita de Frases: crase, conectivo e sentido preservado

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que preserva o sentido original do trecho e respeita a norma-padrão: mantém a relação de oposição/retificação expressa por "não apenas... e sim" (reescrita como "não apenas... mas também") e emprega corretamente a crase em "às vagas" (preposição "a" exigida por "acesso" + artigo "as" que define "vagas"). As demais alternativas ou trocam o conectivo, alterando a relação lógica, ou erram a crase, ou ambas as coisas.

O comando pede uma reescrita que mantenha o sentido original e siga a norma-padrão. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase — reescrever com outras palavras, mas preservando a relação semântica entre as ideias e a correção gramatical. Não se trata de interpretar ou inferir, mas de reconhecer a equivalência de sentido e a adequação à norma.

No trecho original, a estrutura "não é apenas X, e sim Y" estabelece uma oposição com retificação: o autor nega que o desafio seja apenas expandir o acesso e afirma que ele é, na verdade, transformá-lo em permanência, aprendizado e inserção produtiva. A conjunção "e sim" tem valor adversativo, equivalente a "mas sim" ou "mas também". A alternativa A captura exatamente isso ao usar "não apenas... mas também".

A questão também testa a crase. O substantivo "acesso" exige a preposição "a" (acesso a algo). Quando o termo seguinte é um substantivo feminino plural determinado por artigo "as" (as vagas), ocorre a fusão: a + as = às. Portanto, "acesso às vagas" é a forma correta. As alternativas que escrevem "a mais vagas" (sem crase) ou "à vagas" (crase indevida, pois "vagas" está no plural e não há artigo definido) estão erradas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca combina duas armadilhas clássicas: a troca do conectivo ("e sim" por "ou", "portanto", "enquanto", "ainda que"), que altera a relação lógica entre as ideias, e o erro de crase ("a mais vagas" ou "à vagas"), que fere a norma-padrão. A alternativa correta é a única que acerta as duas coisas.

Critério

Original / A (correta)

B

C

D

E

Conectivo

"não apenas... mas também" (oposição/retificação)

"ainda que" (concessão) ❌

"ou" (alternância) ❌

"portanto" (conclusão) ❌

"enquanto" (simultaneidade) ❌

Crase

"às vagas" (a + as) ✅

"à mais vagas" ❌

"a mais vagas" ❌

"às vagas" ✅

"à vagas" ❌

Sentido preservado

✅

❌

❌

❌

❌

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A reescreve o trecho mantendo o sentido de oposição/retificação: "não é apenas expandir o acesso às vagas na educação, mas também transformá-lo...". O conectivo "mas também" é equivalente a "e sim" no contexto. Além disso, a crase em "às vagas" está correta, pois "acesso" exige preposição "a" e "vagas" é um substantivo feminino plural precedido de artigo "as". A reescrita é fiel ao sentido original e gramaticalmente correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B comete dois erros: primeiro, a crase em "à mais vagas" é incorreta — não há artigo definido antes de "mais vagas", apenas a preposição "a" exigida por "acesso", portanto não ocorre crase. Segundo, o conectivo "ainda que" introduz uma ideia de concessão (algo que se admite, mas que não impede), o que altera completamente a relação de oposição/retificação do original. O sentido fica comprometido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C usa o conectivo "ou", que estabelece uma relação de alternância (uma coisa ou outra), enquanto o original expressa oposição com retificação (não apenas uma, mas sim a outra). Essa troca altera o sentido. Além disso, a crase em "a mais vagas" está incorreta, pelo mesmo motivo da alternativa B: não há artigo definido antes de "mais vagas".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D usa o conectivo "portanto", que estabelece uma relação de conclusão (uma ideia é consequência da outra), o que não corresponde à relação de oposição/retificação do original. O sentido é alterado. A crase em "às vagas" está correta, mas o erro no conectivo é suficiente para tornar a alternativa incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E usa o conectivo "enquanto", que estabelece uma relação de simultaneidade ou proporção (duas ações que ocorrem ao mesmo tempo), o que não corresponde à relação de oposição/retificação do original. Além disso, a crase em "à vagas" é incorreta — não há artigo definido antes de "vagas" (que está no plural, mas sem artigo), portanto não ocorre crase. O sentido e a norma são violados.

Conclusão: a reescrita correta deve preservar a relação de oposição/retificação do original ("não apenas... e sim") e respeitar a crase em "às vagas". A alternativa A é a única que atende a ambos os critérios. Ao reescrever, verifique sempre o valor do conectivo e a regência nominal — são os dois pontos que a banca explora.

Gabarito: letra A

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