Questão de Matemática — Outras Questões de Matemática — VUNESP 2025
- Código
- vu219159
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNESP
- Ano
- 2025
- Cargo
- V - - Doc ( )
- Ada linha reta.
- Bde extensão de uma linha reta.
- Cdo círculo.
- Ddos ângulos retos.
- Edas linhas retas paralelas.
GabaritoE — das linhas retas paralelas.
Gabarito: letra E. A Geometria Hiperbólica, uma Geometria Não Euclidiana, diverge da Geometria Euclidiana especificamente no postulado das linhas retas paralelas (o quinto postulado de Euclides). Enquanto Euclides postulou que por um ponto externo a uma reta passa uma única paralela, na geometria hiperbólica passam infinitas paralelas por esse ponto — é essa a divergência fundamental que a alternativa E captura.
A Geometria Hiperbólica é uma das geometrias não euclidianas, desenvolvida independentemente por Gauss, Bolyai e Lobachevsky no século XIX. Ela surge da tentativa de provar o quinto postulado de Euclides (o postulado das paralelas) e da descoberta de que, ao negá-lo, constrói-se uma geometria consistente e logicamente válida. Diferentemente da geometria euclidiana, que descreve um espaço plano, a geometria hiperbólica descreve um espaço com curvatura negativa constante — imagine uma superfície em forma de sela, onde a soma dos ângulos internos de um triângulo é sempre menor que 180°.
A geometria euclidiana é construída sobre cinco postulados. Os quatro primeiros são relativamente simples e intuitivos: é possível traçar uma linha reta de qualquer ponto a qualquer ponto; é possível prolongar uma linha reta continuamente; é possível descrever um círculo com qualquer centro e raio; todos os ângulos retos são iguais entre si. O quinto postulado, porém, é mais complexo e foi alvo de tentativas de demonstração por séculos. Ele afirma que, dada uma reta e um ponto fora dela, existe exatamente uma reta paralela à reta dada que passa pelo ponto. Foi exatamente esse postulado que os matemáticos tentaram provar a partir dos outros quatro, sem sucesso. Ao substituí-lo por uma negação, surgiram as geometrias não euclidianas: se por um ponto passam infinitas paralelas, temos a geometria hiperbólica; se não passa nenhuma, temos a geometria elíptica (ou esférica).
Na geometria hiperbólica, as consequências dessa mudança são profundas. Por exemplo, a soma dos ângulos internos de um triângulo é menor que 180°, e a diferença entre essa soma e 180° é proporcional à área do triângulo. O teorema de Pitágoras também não vale na forma clássica: em um triângulo retângulo hiperbólico, a relação entre os lados é dada por , onde é o cosseno hiperbólico. Essas diferenças mostram que a geometria hiperbólica não é apenas uma curiosidade teórica, mas um sistema completo e coerente, com aplicações em áreas como a teoria da relatividade e a topologia.
A confusão mais comum é pensar que a geometria não euclidiana diverge da euclidiana em vários postulados. Na verdade, a divergência é pontual: apenas o quinto postulado (das paralelas) é substituído. Os outros quatro postulados — sobre a linha reta, a extensão da linha reta, o círculo e os ângulos retos — permanecem válidos na geometria hiperbólica. É por isso que as alternativas A, B, C e D estão incorretas: elas citam postulados que são compartilhados entre as duas geometrias.
A banca explora a confusão entre os postulados de Euclides. O candidato pode lembrar que a geometria não euclidiana "muda algo sobre retas", mas não identificar exatamente qual postulado é alterado. A alternativa A ("da linha reta") parece atraente porque o postulado das paralelas fala sobre retas, mas o postulado da linha reta (que afirma que é possível traçar uma reta entre dois pontos) não é o que muda. A alternativa E é a única que nomeia corretamente o postulado das paralelas, que é o cerne da divergência.
Guarde a fronteira: o que separa a geometria euclidiana da hiperbólica é exclusivamente o postulado das paralelas — é nesse critério que as alternativas se dividem.
O postulado da linha reta afirma que é possível traçar uma linha reta de qualquer ponto a qualquer ponto. Esse postulado é válido tanto na geometria euclidiana quanto na hiperbólica — não é ele que diverge. A banca usa "linha reta" como distrator porque o postulado das paralelas também envolve retas, mas o conteúdo é diferente.
O postulado de extensão de uma linha reta afirma que é possível prolongar uma linha reta continuamente. Assim como o postulado da linha reta, ele é compartilhado pelas duas geometrias. A extensão de retas não é o ponto de divergência entre Euclides e a geometria hiperbólica.
O postulado do círculo afirma que é possível descrever um círculo com qualquer centro e raio. Esse postulado também é válido na geometria hiperbólica — círculos existem e podem ser construídos. A divergência não está na construção de círculos, mas no comportamento das retas paralelas.
O postulado dos ângulos retos afirma que todos os ângulos retos são iguais entre si. Esse postulado é igualmente válido na geometria hiperbólica. Embora a soma dos ângulos de um triângulo seja menor que 180°, os ângulos retos em si permanecem congruentes — a divergência não está aqui.
O postulado das linhas retas paralelas (quinto postulado de Euclides) é exatamente o que a geometria hiperbólica nega. Enquanto Euclides postulou que por um ponto externo a uma reta passa uma única paralela, a geometria hiperbólica postula que passam infinitas paralelas. Essa é a divergência fundamental que define a geometria hiperbólica como não euclidiana.
Para memorizar, lembre-se: a geometria hiperbólica é a geometria das "infinitas paralelas". Quando a questão perguntar sobre a diferença entre geometria euclidiana e não euclidiana, procure a alternativa que menciona "paralelas" — é quase sempre a correta. Os outros postulados (linha reta, extensão, círculo, ângulos retos) são comuns a todas as geometrias.
Gabarito: letra E
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