Questão de Raciocínio Lógico — Equivalências Lógicas (Inclui Negação de Proposições Compostas) — VUNESP 2025
Raciocínio Lógico›Equivalências Lógicas (Inclui Negação de Proposições Compostas)
Código
vu222528
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2025
Cargo
TIJ ( )
Camila proferiu a seguinte sentença: “Se eu melhorar da minha doença, doarei meu carro ao orfanato e perdoarei meus ofensores”. A negação lógica da sentença proferida por Camila é equivalente a:
ACamila melhorou de sua doença e não doou seu carro ao orfanato ou não perdoou seus ofensores.
BCamila não melhorou de sua doença.
CCamila melhorou de sua doença e não doou seu carro ao orfanato nem perdoou seus ofensores.
DCamila não melhorou de sua doença, não doou seu carro ao orfanato nem perdoou seus ofensores.
ECamila não doou seu carro ao orfanato nem perdoou seus ofensores.
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GabaritoA — Camila melhorou de sua doença e não doou seu carro ao orfanato ou não perdoou seus ofensores.
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Negação de Proposições Compostas
Gabarito: letra A. A negação de uma condicional "Se P, então Q" é "P e não Q". Aqui, P = "melhorar da doença" e Q = "doar o carro ao orfanato e perdoar os ofensores". Negando Q pela Lei de De Morgan, obtemos "não doar o carro OU não perdoar os ofensores". Portanto, a negação é "Camila melhorou da doença e não doou o carro ou não perdoou os ofensores".
Vamos entender o mecanismo por trás dessa questão, que é um clássico em concursos. A sentença de Camila é uma proposição condicional, ou seja, uma estrutura do tipo "Se A, então B". Em lógica, a negação de uma condicional não é simplesmente negar o antecedente ou o consequente; existe uma regra específica para isso.
A regra é: negação de (A → B) é (A e ¬B). Isso significa que, para negar a condicional, você mantém a primeira parte (o antecedente) como está e nega a segunda parte (o consequente), trocando o conectivo "se... então..." por "e". A lógica por trás disso é intuitiva: a única forma de uma promessa "Se A, então B" ser falsa é quando A acontece (a condição é cumprida) e B não acontece (a promessa não é cumprida).
No caso, o consequente B é uma conjunção: "doarei meu carro ao orfanato E perdoarei meus ofensores". Para negar essa conjunção, aplicamos a Lei de De Morgan, que estabelece que a negação de "X e Y" é "não X ou não Y". Ou seja, para que a promessa de doar E perdoar seja falsa, basta que Camila não doe o carro OU não perdoe os ofensores (não precisa falhar nas duas coisas).
Vamos aplicar isso passo a passo:
Proposição original: Se eu melhorar da minha doença, doarei meu carro ao orfanato e perdoarei meus ofensores.
Simbolização: Seja M = "melhorar da doença", D = "doar o carro ao orfanato" e P = "perdoar os ofensores". A sentença é: M → (D ∧ P).
Negação da condicional: ¬(M → (D ∧ P)) ≡ M ∧ ¬(D ∧ P).
Aplicando De Morgan na conjunção: ¬(D ∧ P) ≡ ¬D ∨ ¬P.
Resultado final: M ∧ (¬D ∨ ¬P), que em linguagem natural é: "Camila melhorou de sua doença e não doou seu carro ao orfanato ou não perdoou seus ofensores".
A pegadinha clássica desta questão é que muitos candidatos, ao negar a condicional, negam o antecedente (resultando em "não melhorou") ou negam o consequente como um todo sem aplicar De Morgan (resultando em "não doou e não perdoou"). A banca explora exatamente essa confusão entre negar a condicional e negar suas partes.
Guarde a estrutura: negação de (Se A, então B) = A e (não B). E, quando B for uma conjunção, lembre-se de que a negação dela é uma disjunção (ou). É essa combinação de regras que separa a alternativa correta das demais.
Negação de condicional (A → B): Regra: A ∧ ¬B (Mantém o antecedente, Nega o consequente); Consequente é conjunção (D ∧ P) (Aplica De Morgan: ¬(D ∧ P) ≡ ¬D ∨ ¬P); Resultado: M ∧ (¬D ∨ ¬P) (Mantém "melhorou", "não doou" OU "não perdoou"); Erros comuns (Negar o antecedente (¬M), Negar com "e" em vez de "ou" (¬D ∧ ¬P))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reproduz exatamente a negação da condicional: mantém o antecedente "Camila melhorou de sua doença" e nega o consequente, aplicando a Lei de De Morgan na conjunção "doarei meu carro ao orfanato e perdoarei meus ofensores", transformando-a em "não doou seu carro ao orfanato ou não perdoou seus ofensores". A estrutura lógica é M ∧ (¬D ∨ ¬P), que é a negação correta de M → (D ∧ P).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa nega apenas o antecedente da condicional, resultando em "Camila não melhorou de sua doença". Isso seria a negação da proposição simples "Camila melhorou", mas não da condicional completa. A negação de uma condicional não é a negação do antecedente; é a manutenção do antecedente com a negação do consequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa mantém o antecedente e nega o consequente, mas aplica a negação de forma incorreta: "não doou seu carro ao orfanato nem perdoou seus ofensores" representa ¬D ∧ ¬P. Pela Lei de De Morgan, a negação de uma conjunção (D ∧ P) é uma disjunção (¬D ∨ ¬P), não uma conjunção de negações. O erro está em trocar o conectivo "ou" por "e" na negação do consequente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa nega tanto o antecedente quanto o consequente, resultando em "Camila não melhorou de sua doença, não doou seu carro ao orfanato nem perdoou seus ofensores". Isso seria a negação de uma conjunção (¬M ∧ ¬D ∧ ¬P), não de uma condicional. A negação de uma condicional mantém o antecedente, não o nega.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa omite completamente o antecedente "Camila melhorou de sua doença" e apenas nega o consequente. A negação de uma condicional exige a manutenção do antecedente; sem ele, a proposição não é a negação lógica da sentença original. A estrutura correta é M ∧ (¬D ∨ ¬P), e esta alternativa apresenta apenas (¬D ∨ ¬P).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre negar a condicional e negar suas partes. Muitos candidatos negam o antecedente (alternativa B) ou negam o consequente sem aplicar De Morgan (alternativa C). Lembre-se: a negação de "Se A, então B" é "A e não B", e a negação de "X e Y" é "não X ou não Y". Com treino, você identifica essas trocas rapidamente.