Questão de Direito Administrativo — Poderes da Administração — CESPE / CEBRASPE 2018
Direito Administrativo›Poderes da Administração
Código
ce102691
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2018
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Analista de Controle Externo - Direito
No exercício da sua função, o analista de controle externo
Apoderá, motivadamente, invocar a reserva administrativa do possível quando não puder fazer determinado empreendimento.
Blevará o ato administrativo à anulação caso o tenha realizado com abuso de poder.
Cterá de restituir diretamente o particular contra o qual tiver cometido ato caracterizado como abuso de poder.
Dtem a opção de utilizar ou dispensar o poder administrativo para agir.
Epoderá renunciar, em caso concreto, ao poder-dever de agir na hipótese de omissão específica.
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GabaritoA — poderá, motivadamente, invocar a reserva administrativa do possível quando não puder fazer determinado empreendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Poderes da Administração – Poder-dever e reserva do possível
Gabarito: letra A. O analista de controle externo, no exercício de suas funções, pode motivadamente invocar a reserva administrativa do possível quando não puder realizar determinado empreendimento. Trata-se de princípio que permite à Administração limitar a concretização de direitos diante da insuficiência de recursos, desde que haja fundamentação adequada. As demais alternativas contrariam o caráter irrenunciável do poder-dever de agir e as regras de responsabilidade do agente público.
A banca testa o conhecimento sobre o regime jurídico dos poderes administrativos, especialmente o poder-dever (irrenunciável e obrigatório) e a possibilidade de invocação da reserva do possível como justificativa para a impossibilidade material de execução.
Poderes da Administração: Poder-dever (Irrenunciável, Obrigatório); Reserva do possível (Limitação por insuficiência de recursos, Exige motivação); Abuso de poder (Vício de legalidade, Anulação pela autoridade competente, Agente não anula o próprio ato); Responsabilidade civil (Objetiva (art. 37, §6º, CF), Particular aciona o ente público)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reserva administrativa do possível é um princípio implícito no Direito Administrativo, segundo o qual a Administração Pública não é obrigada a realizar prestações que extrapolem sua capacidade financeira, desde que haja motivação suficiente. O analista de controle externo, ao se deparar com a impossibilidade de realizar um empreendimento, pode fundamentadamente invocar esse argumento, por exemplo, em relatórios ou pareceres. Não há vedação legal para que um agente público utilize esse fundamento no exercício de suas atribuições.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o analista "levará o ato administrativo à anulação caso o tenha realizado com abuso de poder". O abuso de poder é um vício que torna o ato ilegal, e sua anulação é dever da Administração (autotutela), mas não pode ser realizada pelo próprio agente que cometeu o abuso — isso seria um conflito de interesses. A anulação deve ser promovida pela autoridade competente, geralmente superior hierárquico ou o órgão de controle. O erro está em atribuir ao próprio agente abusivo o poder de anular seu ato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O agente público que comete abuso de poder não restitui diretamente o particular. A responsabilidade civil do Estado é objetiva (art. 37, §6º, CF), e o particular deve acionar o ente público, que, após condenado, pode exercer direito de regresso contra o agente culposo. A restituição direta pelo agente ao particular não é prevista como obrigação automática; depende de ação judicial própria. A alternativa confunde o dever de reparar com a sistemática de responsabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que o analista "tem a opção de utilizar ou dispensar o poder administrativo para agir". O poder administrativo é, na verdade, um poder-dever: o agente não pode dispor dele a seu critério. Ele deve agir quando a lei determina, sob pena de omissão ilegal. Não há faculdade de "utilizar ou dispensar" — o exercício do poder é obrigatório nas hipóteses legais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O poder-dever de agir é irrenunciável. O analista não pode renunciar a agir em caso de omissão específica; se houver omissão, ele deve tomar as providências cabíveis. A renúncia configuraria prevaricação ou omissão funcional. A competência administrativa é improrrogável e irrenunciável, salvo nos casos de delegação ou avocação previstos em lei.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa A pode parecer estranha porque muitos associam a reserva do possível apenas ao Poder Judiciário (controle de políticas públicas). Contudo, o princípio também pode ser utilizado pela própria Administração como justificativa para a impossibilidade de realizar um empreendimento, desde que motivadamente. Não há impedimento de que um agente público invoque esse argumento no exercício de sua função de controle.
PEGA ESSA DICA!
Memorize que o poder administrativo é um poder-dever: não há faculdade de agir ou não agir. Além disso, a anulação de atos ilegais compete à Administração, e não ao agente que praticou o ato. A responsabilidade do agente é regressiva, nunca direta perante o particular.
MNEMÔNICO
DHRPD
DDisciplinarHHierárquicoRRegulamentarPPoder de PolíciaDDiscricionário