Questão de Direito Constitucional — Teoria dos Direitos Fundamentais — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce107291
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- DPE-DF
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior
- Cargo
- CESPE - - Defensor Público
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). A afirmativa está correta: o direito de permanecer calado e a obrigação de informá-lo não se restringem ao preso mencionado no art. 5º, LXIII, da Constituição; estendem-se a qualquer pessoa na condição de testemunha, indiciado ou réu, por força do princípio da não autoincriminação e da jurisprudência consolidada do STF.
Apesar de o texto constitucional referir-se apenas ao "preso", o Supremo Tribunal Federal, no HC 79.244 (Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 24-03-2000), consolidou o entendimento de que o direito ao silêncio e a informação desse direito são instrumentos indispensáveis para a eficácia real da garantia contra a autoincriminação (nemo tenetur se detegere). Assim, a garantia aplica-se a todo aquele que esteja sob interrogatório, independentemente da condição formal de preso. A testemunha que possa se autoincriminar também deve ser informada de seu direito ao silêncio.
A banca explora a literalidade do art. 5º, LXIII, que menciona apenas "o preso". O candidato desatento pode achar que a garantia se restringe a essa hipótese. No entanto, a jurisprudência amplia o alcance, aplicando o direito a qualquer pessoa submetida a interrogatório, em respeito ao princípio da não autoincriminação.
A afirmativa está correta. Conforme a jurisprudência do STF, o direito ao silêncio e a informação desse direito não se restringem ao preso, aplicando-se a testemunhas, indiciados e réus, em respeito ao princípio da não autoincriminação. A literalidade do art. 5º, LXIII, é superada pela interpretação ampliativa do tribunal.
A alternativa E afirma que o item é errado. No entanto, a jurisprudência consolidada do STF (HC 79.244) amplia o alcance do art. 5º, LXIII, para além da literalidade. Portanto, a assertiva é verdadeira, tornando a alternativa E incorreta. O erro está em não considerar a interpretação jurisprudencial que estende a garantia a todos os interrogados.
✅ CERTO.
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