Questão de Direito Processual Penal — Aplicação da Lei Penal Processual Penal — CESPE / CEBRASPE 2019
Direito Processual Penal›Aplicação da Lei Penal Processual Penal
Código
ce111473
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-DFT
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção
Considerando as disposições processuais penais, a doutrina e a jurisprudência acerca da aplicação da lei processual no tempo, no espaço e em relação às pessoas e dos sujeitos processuais, assinale a opção correta.
ACaso um deputado federal seja denunciado ao STF por crime inafiançável praticado antes de sua diplomação, a Câmara dos Deputados poderá, instada por partido político com representatividade nessa casa, determinar a sustação do andamento do processo enquanto durar o mandato eletivo desse parlamentar.
BA norma processual material mais benéfica ao acusado, mesmo depois de revogada, continuará a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência.
CNo caso de morte do ofendido no decorrer da ação penal privada, poderá sua companheira em união estável sucedê-lo processualmente até o final do processo.
DO impedimento ou a suspeição do juiz em decorrência de parentesco por afinidade cessarão com o fim do casamento que lhes tiver dado causa, seja por divórcio, separação judicial, anulação ou morte, salvo se tiverem sido deixados descendentes.
EQuanto à ação penal pública, o assistente da acusação poderá intervir no procedimento desde a fase de inquérito policial e enquanto não transitar em julgado a sentença.
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GabaritoB — A norma processual material mais benéfica ao acusado, mesmo depois de revogada, continuará a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência.
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Aplicação da Lei Processual Penal no Tempo, no Espaço e em Relação às Pessoas
Gabarito: letra B. A alternativa B está correta porque, no direito processual penal, as normas processuais de conteúdo material (mistas) que beneficiam o acusado, mesmo após revogadas, continuam a reger os fatos ocorridos durante sua vigência, por aplicação analógica do princípio constitucional da retroatividade da lei penal mais benéfica e do art. 2º do CPP, que consagra o tempus regit actum mas respeita situações consolidadas. As demais alternativas contêm incorreções fáticas ou jurídicas, conforme detalhado.
Desenvolvimento
O princípio geral da aplicação da lei processual penal no tempo é o tempus regit actum (art. 2º do CPP): a nova lei processual aplica-se imediatamente, respeitando os atos já praticados. Contudo, a doutrina e a jurisprudência distinguem as normas processuais puras das normas processuais materiais (ou mistas), que têm natureza substancial e afetam a liberdade do acusado. Para estas, aplica-se o princípio da retroatividade da lei mais benéfica, extraído do art. 5º, XL, da CF, que estabelece que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. Assim, a norma processual material mais benéfica, mesmo depois de revogada, continua a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência. É o que afirma a alternativa B.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a sustação do processo poderá ocorrer para crime praticado antes da diplomação. No entanto, o art. 53, §3º, da CF condiciona a sustação aos crimes ocorridos após a diplomação:
Art. 53, §3CF/88
Art. 53, § 3º — "Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação."
Portanto, para crimes anteriores, não cabe a sustação. A alternativa troca o requisito temporal, sendo incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme exposto, o princípio da retroatividade da norma processual mais benéfica ao acusado é aplicável às normas processuais materiais. O art. 2º do CPP estabelece a aplicação imediata da lei processual, mas as situações consolidadas sob a vigência da lei anterior são preservadas. Por analogia ao direito penal, a lei mais benéfica retroage, e mesmo após revogada, continua a regular os fatos praticados durante sua vigência. Esse entendimento é pacífico na doutrina e na jurisprudência. A alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O art. 31 do CPP especifica quem pode suceder o ofendido falecido na ação penal privada:
Art. 31CPP
Art. 31 — "No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão."
A alternativa menciona a companheira em união estável, que não está prevista no rol legal. Embora haja discussões sobre sua inclusão por equiparação, a literalidade do CPP exclui o companheiro. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O art. 255 do CPP trata da cessação do impedimento ou suspeição por parentesco por afinidade:
Código de Processo Penal:
Art. 255 — "O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo."
A alternativa afirma que a cessação ocorre com a dissolução, salvo se houver descendentes, mas omite a parte final que mantém o impedimento permanente para certas pessoas (sogro, padrasto, cunhado, genro, enteado), mesmo sem descendentes. Logo, a alternativa é incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O assistente da acusação, em ação penal pública, só pode intervir após o recebimento da denúncia, ou seja, na fase processual, e não durante o inquérito policial. O art. 268 do CPP estabelece que a intervenção se dá "em todos os termos da ação penal pública", considerando "ação" como processo já iniciado. A fase de inquérito é administrativa e não admite a participação do assistente. Assim, a alternativa erra ao permitir a intervenção desde o inquérito.
NÃO CAIA NESSA!
Memorize que o assistente de acusação só ingressa após a propositura da ação penal, e que no inquérito policial não há parte formal. Essa é uma pegadinha recorrente.