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Questão de Direito Processual Penal — Nulidades no Processo Penal — CESPE / CEBRASPE 2019

Direito Processual PenalNulidades no Processo Penal
Código
ce111575
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-PA
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Juiz de Direito Substituto.
Acerca de nulidades no processo penal, julgue os itens a seguir.I É relativa a nulidade do julgamento pelo júri quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes.II É válida a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia e não resuma os fatos em que se baseia.III Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia.IV É absoluta a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção, independentemente de prejuízo às partes.V É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação ou em casos de recurso de ofício.Estão certos apenas os itens
  1. AI e II.
  2. BI e IV.
  3. CII e III.
  4. DIII e V.
  5. EIV e V.
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GabaritoC — II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nulidades no Processo Penal

Gabarito: letra C. Estão certos apenas os itens II e III, conforme as Súmulas 366 e 707 do STF. Os itens I, IV e V contrariam entendimentos consolidados do Supremo Tribunal Federal, especialmente as Súmulas 162 e 706.

A questão exige conhecimento das súmulas do STF que disciplinam as nulidades no processo penal. As nulidades podem ser absolutas (insanáveis, independentemente de prejuízo) ou relativas (dependem de arguição oportuna e demonstração de prejuízo). Vamos analisar cada item.

Item

Enunciado

Súmula/Entendimento

Correto?

I

É relativa a nulidade do julgamento pelo júri quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes.

Súmula 162: nulidade é absoluta.

II

É válida a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia e não resuma os fatos.

Súmula 366: não é nula.

III

Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia.

Súmula 707: constitui nulidade.

IV

É absoluta a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção, independentemente de prejuízo.

Súmula 706: nulidade é relativa.

V

É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação ou em casos de recurso de ofício.

Em recurso de ofício, o tribunal tem ampla cognição; a afirmação é incorreta.

Item I — ❌ Incorreto

A afirmação contraria a Súmula 162 do STF:

JURISPRUDÊNCIA

STF Súmula 162

É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes.

A nulidade é absoluta, e não relativa. A ordem dos quesitos é matéria de ordem pública, que prescinde de demonstração de prejuízo. A banca inverteu o adjetivo (relativa/absoluta).

Item II — ✅ Correto

A afirmação está de acordo com a Súmula 366 do STF:

JURISPRUDÊNCIA

STF Súmula 366

Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia.

A citação por edital é válida desde que contenha a indicação do dispositivo legal. A transcrição integral da denúncia ou o resumo dos fatos não são requisitos essenciais, bastando a referência à norma penal.

Item III — ✅ Correto

A afirmação está de acordo com a Súmula 707 do STF:

JURISPRUDÊNCIA

STF Súmula 707

Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra-razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.

A intimação pessoal do denunciado para oferecer contrarrazões é obrigatória, sob pena de nulidade. A nomeação de defensor dativo não supre a falta de intimação.

Item IV — ❌ Incorreto

A afirmação contraria a Súmula 706 do STF:

JURISPRUDÊNCIA

STF Súmula 706

É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção.

A nulidade por violação de regras de prevenção é relativa, dependendo de arguição oportuna e demonstração de prejuízo. O item afirma erroneamente que é absoluta e independente de prejuízo.

Item V — ❌ Incorreto

O item afirma que é nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação ou em casos de recurso de ofício. O erro está na inclusão dos casos de recurso de ofício (reexame necessário). No recurso de ofício, o tribunal tem ampla cognição da matéria, podendo declarar nulidades absolutas mesmo que não tenham sido arguidas por qualquer das partes. Apenas nos recursos voluntários da acusação é que o tribunal está limitado aos pontos impugnados (tantum devolutum quantum appellatum). Portanto, a afirmação é incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

Os itens I e IV são clássicas inversões: a banca troca o adjetivo da nulidade (absoluta ↔ relativa) conforme as súmulas. No item V, a pegadinha está na expressão "ou em casos de recurso de ofício", que torna a assertiva falsa. Fique atento às exceções e ao teor exato das súmulas.

Conclusão: Estão certos apenas os itens II e III, correspondendo à alternativa C.

Gabarito: letra C.

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