Substituição de "ter" por "havia" no sentido existencial
Gabarito: letra D. Apenas na passagem "Em Juazeiro tinha gente" o verbo "ter" pode ser substituído por "havia" mantendo o sentido de existência (impessoal). Nas demais ocorrências, "ter" expressa posse ou característica de um sujeito determinado, o que inviabiliza a troca.
Alternativa | Trecho Analisado | Sentido de "ter" | Substituição por "havia" | Justificativa |
|---|
A | “Não tinha mais que vinte casas mortas” (l. 1 e 2) | Posse (sujeito: Candeia) | ❌ Inviável | Rompe a coesão com o sujeito oculto |
B | “Algumas construções nem sequer tinham telhado” (l. 3) | Posse (sujeito: algumas construções) | ❌ Inviável | Exigiria reestruturação da oração |
C | “Nem o ar tinha esperança de ser vento” (l. 4 e 5) | Posse figurada (sujeito: o ar) | ❌ Inviável | Não se sustenta semanticamente |
D | “Em Juazeiro tinha gente” (l. 11 e 12) | Existencial (impessoal) | ✅ Perfeita | Mantém o sentido original de existência |
E | “Não tinha tanto dinheiro para comer” (l. 31 e 32) | Posse (sujeito: Samuel) | ❌ Inviável | Altera o sentido para existência |
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Não tinha mais que vinte casas mortas" (l. 1 e 2)
O sujeito de "tinha" é Candeia (oculto, retomado do período anterior). A frase equivale a "Candeia não tinha mais que vinte casas mortas", indicando posse (o povoado possuía no máximo vinte casas). Substituir por "havia" deslocaria o sentido para existência impessoal, rompendo a coesão com o sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Algumas construções nem sequer tinham telhado" (l. 3)
O sujeito é "algumas construções"; "tinham" indica posse (as construções possuíam telhado). A substituição por "havia" exigiria reestruturação da oração (ex.: "não havia telhado em algumas construções"), alterando o sentido original.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Nem o ar tinha esperança de ser vento" (l. 4 e 5)
Sujeito "o ar"; "tinha" expressa posse figurada (o ar possuía esperança). Trocar por "havia" resultaria em "Nem o ar havia esperança...", que não se sustenta semanticamente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Em Juazeiro tinha gente" (l. 11 e 12)
O verbo "ter" é impessoal (não há sujeito; "Em Juazeiro" é adjunto adverbial). O sentido é inequivocamente existencial: "havia gente em Juazeiro". A substituição por "havia" é perfeita e preserva o sentido original.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Não tinha tanto dinheiro para comer" (l. 31 e 32)
Sujeito é Samuel (oculto, deduzido pelo contexto). "Tinha" indica posse (ele não possuía dinheiro). A substituição por "havia" alteraria o sentido para existência ("não havia tanto dinheiro"), que não corresponde ao texto.
Conclusão: A única ocorrência em que "ter" equivale a "haver" (existir) está na alternativa D, onde o verbo é impessoal. As demais alternativas apresentam "ter" com sentido de posse ou característica, vinculado a um sujeito determinado.