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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2019

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce113042
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CGE - CE
Ano
2019
Nível
Superior
No texto CB1A1-I, poderia ser substituído por havia o verbo ter empregado em
  1. A“Não tinha mais que vinte casas mortas” (l. 1 e 2).
  2. B“Algumas construções nem sequer tinham telhado” (l.3).
  3. C“Nem o ar tinha esperança de ser vento” (l. 4 e 5).
  4. D“Em Juazeiro tinha gente” (l. 11 e 12).
  5. E“Não tinha tanto dinheiro para comer” (l. 31 e 32).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Em Juazeiro tinha gente” (l. 11 e 12).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "ter" por "havia" no sentido existencial

Gabarito: letra D. Apenas na passagem "Em Juazeiro tinha gente" o verbo "ter" pode ser substituído por "havia" mantendo o sentido de existência (impessoal). Nas demais ocorrências, "ter" expressa posse ou característica de um sujeito determinado, o que inviabiliza a troca.

Alternativa

Trecho Analisado

Sentido de "ter"

Substituição por "havia"

Justificativa

A

“Não tinha mais que vinte casas mortas” (l. 1 e 2)

Posse (sujeito: Candeia)

❌ Inviável

Rompe a coesão com o sujeito oculto

B

“Algumas construções nem sequer tinham telhado” (l. 3)

Posse (sujeito: algumas construções)

❌ Inviável

Exigiria reestruturação da oração

C

“Nem o ar tinha esperança de ser vento” (l. 4 e 5)

Posse figurada (sujeito: o ar)

❌ Inviável

Não se sustenta semanticamente

D

“Em Juazeiro tinha gente” (l. 11 e 12)

Existencial (impessoal)

✅ Perfeita

Mantém o sentido original de existência

E

“Não tinha tanto dinheiro para comer” (l. 31 e 32)

Posse (sujeito: Samuel)

❌ Inviável

Altera o sentido para existência

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não tinha mais que vinte casas mortas" (l. 1 e 2)

O sujeito de "tinha" é Candeia (oculto, retomado do período anterior). A frase equivale a "Candeia não tinha mais que vinte casas mortas", indicando posse (o povoado possuía no máximo vinte casas). Substituir por "havia" deslocaria o sentido para existência impessoal, rompendo a coesão com o sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Algumas construções nem sequer tinham telhado" (l. 3)

O sujeito é "algumas construções"; "tinham" indica posse (as construções possuíam telhado). A substituição por "havia" exigiria reestruturação da oração (ex.: "não havia telhado em algumas construções"), alterando o sentido original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Nem o ar tinha esperança de ser vento" (l. 4 e 5)

Sujeito "o ar"; "tinha" expressa posse figurada (o ar possuía esperança). Trocar por "havia" resultaria em "Nem o ar havia esperança...", que não se sustenta semanticamente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Em Juazeiro tinha gente" (l. 11 e 12)

O verbo "ter" é impessoal (não há sujeito; "Em Juazeiro" é adjunto adverbial). O sentido é inequivocamente existencial: "havia gente em Juazeiro". A substituição por "havia" é perfeita e preserva o sentido original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não tinha tanto dinheiro para comer" (l. 31 e 32)

Sujeito é Samuel (oculto, deduzido pelo contexto). "Tinha" indica posse (ele não possuía dinheiro). A substituição por "havia" alteraria o sentido para existência ("não havia tanto dinheiro"), que não corresponde ao texto.

Conclusão: A única ocorrência em que "ter" equivale a "haver" (existir) está na alternativa D, onde o verbo é impessoal. As demais alternativas apresentam "ter" com sentido de posse ou característica, vinculado a um sujeito determinado.

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