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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsCrase
Código
ce117085
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Ministério da Economia
Ano
2020
Nível
Superior
    A cidadania na cidade inteligente é matéria complexa. Recente evento corporativo para o setor público promovido por uma multinacional de tecnologia definiu o cidadão como um consumidor de serviços. Um dos responsáveis por esse argumento é o economista Albert O. Hirschman. Em 1970, Hirschman publicou estudos relacionando a fidelidade de pessoas a empresas e a governos com a capacidade de escuta dessas organizações.

    De acordo com Hirschman, não atentar às necessidades de seu público fará com que ele procure alternativas: a competição no caso de firmas e a oposição no caso de governos. Segundo o autor, escutar seu público e levar em conta suas considerações garantiria a qualidade no serviço prestado, o que, por sua vez, criaria lealdade para com a organização ofertante. Por trás desse estudo, está a ideia de que um governo e uma firma possam, em certa medida, funcionar da mesma maneira. Ainda que isso seja em parte possível, tal fato não torna o cidadão um consumidor, muito pelo contrário.

    Vejamos. Se um bem público fosse um bem de consumo, ele poderia ter seu acesso controlado pelo preço, regulado por oferta e demanda. Bens públicos são públicos justamente porque são bens não rivais e não possuem paralelo de possibilidade de oferta, ou são essenciais e seu provisionamento em quantidade, qualidade e tempo hábil desafia a lógica empresarial e de mercado.

    Em saneamento, por exemplo, limitar sua oferta implica incremento de doenças e aumento de custos com saúde pública. E a alternativa, não gastar com isso, é a morte. Portanto, não se trata de condições normais de mercado, mas de investimento social, de sua obrigatoriedade. Isso posto, é natural perguntar se não seria necessário garantir o direito de cidadania antes do de consumo.

     É importante ter em mente que o cidadão não é — e jamais será — um consumidor, mas, sim, um beneficiário. Bem público não é bem de consumo, mas direito político pleno de acesso e usufruto. Entretanto, isso não significa que não se deva procurar eficiência e rentabilidade na economia do setor público. Tampouco implica abandonar pleitos por qualidade. Mas resulta em perceber que a qualidade está subscrita ao direito de acesso e usufruto, e não à possibilidade de seu consumo.

André Leiner. O cidadão, o consumidor e as cidades inteligentes. Internet: (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto anterior. 
O emprego do sinal indicativo de crase em “à possibilidade” (último período do texto) é exigido pela palavra “subscrita”, que está subtendida logo após o “não”, e pela presença do artigo definido a.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em “à possibilidade” — regência de “subscrita” + artigo definido

Gabarito: Certo (C). O sinal indicativo de crase em “à possibilidade” é, de fato, exigido pela regência do adjetivo “subscrita” (que pede a preposição a) e pela presença do artigo definido feminino a antes de “possibilidade”. Como se lê no último período do texto: “a qualidade está subscrita ao direito de acesso e usufruto, e não à possibilidade de seu consumo”.

A crase é a fusão da preposição a (exigida por “subscrita”) com o artigo definido a (que antecede o substantivo feminino “possibilidade”). Sem o artigo, teríamos apenas “subscrita a possibilidade”, sem acento grave. A banca ainda menciona que “subscrita” está subentendida após o “não” — e isso é decisivo: a estrutura paralela “subscrita ao direito... e não (subscrita) à possibilidade” confirma que o segundo termo também é regido pelo mesmo adjetivo.

A regra da crase em jogo

A crase obrigatória ocorre quando há a contração da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, aplica-se o teste clássico: troca-se a palavra feminina por uma masculina equivalente — se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o” ou “a” sem contração, não há.

No trecho, “subscrita” rege a preposição a (quem é subscrito é subscrito a algo). O termo regido é “possibilidade”, substantivo feminino que admite o artigo a. Logo: a (preposição) + a (artigo) = à.

“a qualidade está subscrita ao direito de acesso e usufruto, e não à possibilidade de seu consumo.”

Note o paralelismo: “subscrita ao direito” (a + o) e “não (subscrita) à possibilidade” (a + a). A elipse do adjetivo após “não” não elimina sua regência — ela permanece atuando sobre o segundo complemento.

Por que a afirmação está correta

  • Regência: “subscrita” exige preposição a.

  • Artigo: “possibilidade” é feminino e vem determinado pelo artigo a.

  • Fusão: preposição + artigo = crase, marcada pelo acento grave.

  • Subentendido: a repetição de “subscrita” após “não” é desnecessária, mas a regência continua valendo.

Portanto, o emprego do acento grave é obrigatório e a justificativa apresentada pela banca está correta.

1Exigida por "subscrita"
Regência: preposição "a"
Quem é subscrito é subscrito a algo
2Artigo definido "a"
"Possibilidade" é feminino
Admite artigo
3Fusão
a (preposição) + a (artigo) = à
4Teste da troca
Palavra masculina → "ao" = há crase
Palavra masculina → "o" = sem crase
5Paralelismo
"subscrita ao direito" (a + o)
"não (subscrita) à possibilidade" (a + a)
Crase em "à possibilidade"
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Crase em "à possibilidade": Exigida por "subscrita" (Regência: preposição "a", Quem é subscrito é subscrito a algo); Artigo definido "a" ("Possibilidade" é feminino, Admite artigo); Fusão (a (preposição) + a (artigo) = à); Teste da troca (Palavra masculina → "ao" = há crase, Palavra masculina → "o" = sem crase); Paralelismo ("subscrita ao direito" (a + o), "não (subscrita) à possibilidade" (a + a))
PEGA ESSA DICA!

Em questões de crase, sempre identifique quem rege a preposição (verbo, nome ou adjetivo) e se o termo seguinte admite artigo feminino. O teste da troca por palavra masculina resolve a maioria dos casos.

Gabarito: letra C (Certo).

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